quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Eurocâmara aprova acordo comercial entre União Europeia e Canadá


O acordo abre caminho para a implementação provisória do espaço de livre-comércio de 550 milhões de pessoas

A Eurocâmara aprovou o acordo comercial da União Europeia com o Canadá, abrindo caminho a uma implementação provisória iminente deste espaço de livre-comércio de 550 milhões de pessoas.


Por 408 votos a favor, 254 contra e 33 abstenções, os eurodeputados deram sua aprovação ao acordo conhecido como CETa e negociado por sete anos, após um debate de três horas marcado por uma série de duras críticas entre partidários e opositores do tratado.

Bruxelas busca que este tratado comercial, negociado durante sete anos, se converta no modelo dos futuros acordos, como o negociado com o Mercosul, em um contexto de incerteza no comércio internacional depois da chegada de Donald Trump à Casa Branca.

Trump retirou seu país do Tratado Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP) e anunciou sua intenção de renegociar o Tratado de Livre Comércio para América do Norte (TLCAN), por considerá-lo especialmente generoso para com o México.

Fonte: Exame

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Brasil e Espanha explorarão formas de aumentar comércio bilateral

Segundo o presidente da câmara de Comércio Espanhola no Brasil, Sergio Rial, os dois países sempre tiveram "relações muito cordiais"

Brasil e Espanha buscarão novas fórmulas para “aumentar” o comércio bilateral com agendas “mais específicas” que serão estudadas durante a visita do presidente espanhol, Mariano Rajoy, programado para o primeiro semestre do ano.

“Espanha e Brasil sempre teve relações muito cordiais, a grande oportunidade agora é como conseguir aumentar o comércio bilateral”, afirmou o presidente da câmara de Comércio Espanhola no Brasil, Sergio Rial, em um seminário sobre projeções econômicas da nação sul-americana.

Rial recalcou que a visita de Rajoy ao Brasil, programada para o primeiro semestre deste ano, é uma “oportunidade” para “ter agendas mais específicas” sobre como fomentar as relações bilaterais.

O também presidente da filial brasileira do Banco Santander, entidade co-organizadora do evento que contou com representantes de firmas da Espanha no Brasil, considerou que há espaço para aprofundar a relação de ambos países e trocar experiências entre as distintas indústrias.

Rial usou como exemplo a indústria do calçado, na qual a Espanha se destaca na área de valor agregado e o Brasil na seção das matérias-primas, como o couro.

Neste sentido, a câmara de Comércio Espanhola no Brasil prepara um projeto no qual empresas emergentes de ambos lados do Atlântico apresentarão seus modelos de negócio a potenciais clientes com objeto de favorecer a troca de ideias e criar laços comerciais mais próximos.

Por sua vez, a diretora-executiva desta organização, Carolina Carvalho de Queiroz, lembrou em declarações à Agência Efe que a Espanha “é o terceiro maior investidor externo no país” e a perspectiva é “manter” esse nível em setores já consolidados como o financeiro, energético e de infraestrutura.

No entanto, desde seu ponto de vista, ainda existem “dificuldades no âmbito burocrático” brasileiro que dificultam um ambiente de negócios em ótimas condições.

Fonte: Exame

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Rubens Barbosa: “o Brasil precisa encontrar seu lugar no mundo, senão ficaremos na periferia”


Rio de Janeiro – “Já houve mudanças, mas ainda há muito a ser feito. O Brasil precisa encontrar seu lugar no mundo, e decisões não podem ser adiadas, precisa se posicionar sobre seus interesses no mundo, senão ficaremos na periferia, apesar de estarmos entre as 10 maiores economias do mundo”. A afirmação é do embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, na palestra “O Brasil em um mundo em transformação”, promovida pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Rubens Barbosa, na ocasião, fez uma análise do atual momento político econômico e comercial mundial para contextualizar os desafios que o Brasil enfrenta a partir de mudanças na ordem mundial. “Nas últimas décadas, as mudanças ocorridas com a globalização, com a revolução tecnológica e nas comunicações e com o fim de um mundo bipolar fizeram surgir novos polos de poder, gerando incertezas e instabilidades, que poderão se agravar com Donald Trump ao governo dos EUA”, afirmou.

Segundo Rubens Barbosa, essa nova ordem em formação está adaptando conceitos às novas ameaças e aos novos desafios, como o aumento da desigualdade e do terrorismo, pelas questões de imigração e dos refugiados e temas como o Brexit, os problemas financeiros da Grécia e a desregulamentação financeira proposta por Trump. “A soberania não é mais um conceito absoluto, as organizações internacionais estão em crise e deverão ser reformuladas. Hoje todos os países passarão a ter participação mais intensa nos problemas que afetam o sistema internacional”, frisou.

O Brasil enfrenta uma tríplice crise, econômica, política e ética, mas, segundo Barbosa, com relação à agenda de política externa, já se pode verificar uma mudança nesses nove meses do governo Temer: “acabou a ideologia como fator de política externa e comércio exterior; as contas do Itamaraty foram saneadas; e a Apex foi transferida para o Itamaraty. Quanto à Camex, que acabou por ficar subordinada à Casa Civil, Barbosa advoga que melhor teria sido sua subordinação à Presidência da República”.

Durante o encontro, que reuniu 52 empresários no auditório da Confederação Nacional do Comércio, Barbosa enfatizou que o Brasil ainda está preso a conceitos e percepções superados. “Não houve até aqui renovação do pensamento estratégico sobre como inserir o país na nova ordem internacional em mutação. Pouco se discute sobre isso”, destacou.

Rubens Barbosa aponta que, para que o Brasil possa se inserir no novo cenário internacional, é preciso que se observem, em especial, questões como: a integração do país nos fluxos dinâmicos da economia global e de comércio exterior, discutindo o grau de abertura da economia e sua competitividade; assumir a efetiva liderança na América do Sul, segundo interesses brasileiros, tendo presente que liderança não é dominação, nem hegemonia, o que significa discutir o papel do Mercosul; ampliar a voz do Brasil nos organismos internacionais de comércio, fortalecendo a coordenação interna pelo Itamaraty; por fim ao isolamento do Brasil nos entendimentos comerciais com a ampliação das negociações bilaterais e com acordos com megablocos, como a União Europeia, a Ásia e examinando a conveniência de aderir à Parceria Transpacífica; e aproveitar as facilidades financeiras oferecidas pelo Brics para projetos de infraestrutura e ampliar a cooperação econômica entre o Brasil e os outros membros do grupo.

Para Rubens Barbosa o novo mundo oferece grandes desafios, mas também grandes oportunidades, “por isso é importante que se iniciem discussões sobre as questões que podem contribuir para que haja mudanças, e que estas se ampliem após as eleições de 2018”, concluiu.

Outro ponto abordado por Castro foi o de que esta situação cambial reforça, ainda mais, a necessidade de reformas que reduzam custos e de aprovação da proposta feita pela AEB, em conjunto com outras entidades, de que a restituição de impostos aos exportadores, de que trata o Reintegra, seja feita pelo percentual de 5% previsto pela legislação.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Governo já identifica sinais de retomada da economia

Fazenda diz que 5 setores apresentam reação e podem sustentar crescimento econômico


O recuo da inflação e as quedas das taxas de juros elevam o otimismo de recuperação da economia brasileira dentro do governo para o ano. A expectativa da equipe econômica é de que, ao final do último trimestre de 2017, o Brasil esteja crescendo a um ritmo de 2% em relação ao mesmo trimestre de 2016.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Fabio Kanczuk, afirma que as riquezas do País deve apresentar crescimento já nestes primeiros três meses de 2017. "O ponto da virada parece ter sido em dezembro”, diz.

A Fazenda vem mapeando a intensidade do “vigor” da retomada nesses três meses. Até o momento, a pasta já identificou pelo menos cinco importantes sinais de que o período de recessão econômica, que atravessou 11 trimestres consecutivos, está ficando para trás.

O ministério comandado por Henrique Meirelles aponta que esboçam reação os setores de agronegócio, com uma safra recorde; automobilístico, com a normalização dos estoques; de bens não duráveis, com o aumento do consumo, sobretudo em super e hipermercados; o minério de ferro, com o aumento do preço no mercado internacional; e a construção civil, beneficiada pelas medidas recentes de ampliação do Minha Casa, Minha Vida e elevação para R$ 1,5 milhão do limite de compra da casa própria com recursos do FGTS.

Alguns indicadores também já sinalizam para uma retomada, como o aumento de licenciamento de veículos e o aumento da confiança do consumidor e do empresário. Para a equipe econômica, dessa vez é um “crescimento de verdade”, sem artificialismos do passado recente.

O PIB (Produto Interno Bruto) — que corresponde à soma de todos os bens e serviços produzidos no País — pode até mesmo surpreender e superar 1% (a previsão oficial até o momento), mas a estratégia agora é não contar com um cenário melhor para não ter de ficar “torcendo” depois.

Para o presidente do Insper e ex-secretário de Política Econômica, Marcos Lisboa, o Brasil ainda não está numa trajetória de crescimento sustentado. Segundo ele, para crescer a patamares de 3%, por exemplo, é preciso levar à frente a agenda de aumento da produtividade, que está estagnada no País.

A economista Sílvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da FGV, diz que o crescimento virá “devagar”, como deve ser depois do “desarranjo” recente da economia. 

Segundo Sílvia, a perspectiva é de alta de 0,4% nesse período. Ele alerta ainda que metade desse crescimento será decorrente da agricultura. O setor de serviços continuará muito fraco. Somente no segundo trimestre é que a retomada começa a ser mais disseminada. E o aumento do emprego formal só começará em 2018.

Renda
Para o governo, a queda surpreendente da inflação neste início de ano ajuda na retomada da economia, porque aumenta a renda real do brasileiro, favorecendo o consumo de bens não duráveis. O ponto alto da retomada, no entanto, é a exuberância do setor agrícola, com a estimativa de safra de 220 milhões de toneladas de grãos e crescimento de 20% em relação a 2016.

O comércio também estaria começando a dar alguns sinais de melhora, mas o primeiro trimestre é tradicionalmente mais fraco para esse setor.

Fonte: R7

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Cenário para o Dólar

Quando o assunto é câmbio, as coisas funcionam de forma muito dinâmica. A cotação do dólar neste exato momento é diferente da que foi um mês atrás e da que será um mês à frente. Durante os últimos anos, por exemplo, rodamos dentro de um intervalo de cotações extremamente amplo, entre R$ 1,50 e R$ 4,20.

E que tal acrescentar a este cenário já difícil de prever um homem como o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump? Não sabemos, e nenhum economista honesto dará esta resposta. Ficou ainda mais difícil fazer previsões após a vitória de Trump, que surpreendeu ao ser eleito e, agora, representa uma grande interrogação sobre a maior economia do planeta. Por sinal, assim como no Brexit, quando todos esperavam a permanência do Reino Unido na União Europeia, o resultado acabou contrariando as expectativas…

A boa notícia é que não precisamos fazer previsões para decidir se compramos ou não a moeda estrangeira. Afinal, SEMPRE fará sentido ter um pouco de dólares em sua carteira de investimentos. A moeda americana funciona como um porto seguro contra diversas espécies de crises – sejam elas crises internacionais ou domésticas. Ou seja, quando as coisas ficam ruins e a aversão ao risco aumenta, o valor do dólar sobe. Afinal, todos preferem apostar na economia dos EUA do que em mercados emergentes.

No dia anterior à eleição, quando todos esperavam que a candidata Hillary Clinton ganharia, o preço da moeda americana caia aqui no Brasil. Um dia após a confirmação da eleição de Donald Trump, a moeda disparou! Mesmo assim, essa flutuação não demorou muito a se normalizar. Pensando no longo prazo, Trump não será mais uma questão relevante. Ele será engolido pelo establishment e pelas instituições americanas. Historicamente, os republicanos sempre foram mais alinhados com práticas pró-mercado.

Aos poucos o mercado vai perceber: o marketing das promessas de campanha de Donald Trump era… só marketing! Por isso, como regra, a exposição ao dólar reduz a volatilidade do portfólio e alivia a sensibilidade a choques. Essa relação é especialmente válida diante de um cenário de escalada dos juros nos EUA, em que a remuneração sobre ativos dolarizados tende a aumentar.

Fonte: Empiricus

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Em reunião com Temer e Macri, Marcos Pereira diz que fluxo comercial entre Brasil e Argentina deve ser ampliado

Ministro participou de reunião no Palácio do Planalto com Michel Temer e Mauricio Macri


O ministro Marcos Pereira participou da reunião no Palácio do Planalto, com o presidente Michel Temer e o presidente da Argentina, Mauricio Macri. Durante o encontro, o ministro fez um relato das ações em curso para intensificar o comércio entre os dois países.

“Estamos apostando na construção de pontes entre Brasil e Argentina, pois temos à nossa frente o desafio da retomada dos fluxos de comércio e investimentos entre os nossos países”, disse o ministro. “O Brasil compreende que a Argentina é um parceiro estratégico e por isso valorizamos o diálogo e a concertação bilateral”, completou.

Marcos Pereira utilizou os resultados da III reunião da Comissão Bilateral de Produção e Comércio, realizada no MDIC na semana passada, para demonstrar o novo momento das relações entre os países. O encontro contou com a presença de uma delegação com cerca de 50 representantes argentinos.

“Estamos vivendo um momento sem precedentes na história recente do relacionamento dos nossos países, considerando o nível de engajamento e o foco em resultados que demonstraram as nossas equipes nas reuniões”, afirmou. O sucesso da rodada também foi destacado pelo presidente Michel Temer. “Ficou claro que não existem tabus na relação entre Brasil e Argentina. Nessa reunião, nós buscamos resultados concretos”, disse.

Marcos Pereira destacou que o empenho dos governos brasileiro e argentino em intensificar o comércio bilateral começa a gerar os primeiros resultados. “Para exemplificar, menciono que, em janeiro deste ano, as exportações brasileiras para a Argentina cresceram 14,1% e as importações brasileiras de produtos argentinos aumentaram 27,1%. Esses aumentos nos dão uma boa perspectiva de retomada do comércio em função do aumento da atividade das economias dos dois países”.

O ministro disse que, com intuito de efetivamente avançar em uma relação bilateral institucionalizada e previsível, Michel Temer e Mauricio Macri receberão informes trimestrais sobre os progressos obtidos pelas equipes técnicas dos dois países. Todas decisões e as próximas etapas do processo de aproximação entre Brasil e Argentina serão consolidadas em um documento, conforme o Plano de Ação Brasil-Argentina assinado hoje por Temer e Macri. “Não haverá dispersão. Temos que reduzir, ao mínimo, as barreiras técnicas, sanitárias e fitossanitárias”, afirmou o presidente Temer.

Os presidentes assinaram também carta dirigida ao presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, na qual solicitam apoio na elaboração de estudos para desenvolvimento de mecanismo de convergência e harmonização de normas. A proposta é, no futuro, constituir uma agência binacional. “Concordamos que é preciso aproveitar a atual convergência entre os dois países em favor de brasileiros e argentinos”, defendeu Temer.

Próximos passos
Brasil e Argentina querem avançar nas negociações do Protocolo de Cooperação e Facilitação de Investimentos e do novo Protocolo de Compras Públicas do Mercosul, com vistas à conclusão dos textos desses instrumentos ainda durante este ano. “Diante de um mundo de tantas e tamanhas incertezas, a resposta do Brasil e da Argentina é mais e mais cooperação e integração”, afirmou Michel Temer.

Em relação ao Mercosul, Marcos Pereira ressaltou que é fundamental realizar a integração plena do Mercosul aos fluxos internacionais de comércio, por meio da assinatura de acordos comerciais abrangentes e relevantes. Outra meta será a integração entre países da América Latina e México e as relações entre Mercosul e Aliança do Pacífico.

“Coincidimos em estabelecer mecanismo de coordenação das negociações em busca de um acordo equilibrado, ambicioso e mutuamente benéfico entre Mercosul e União Europeia. Além disso, pudemos reafirmar o nosso compromisso com a intensificação das negociações comerciais do Mercosul com o Canadá, a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), Índia e SACU, ademais de engajarmos na prospecção de novas frentes negociadoras com países em desenvolvimento”.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MDIC

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Banco Central declara fazer seu papel em busca da queda da inflação



O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta terça-feira (7), durante evento em Brasília, que a instituição está fazendo seu papel na busca da queda da inflação

"Estamos vendo a inflação caindo e isso permitiu a queda de juros", comentou. Questionado a respeito das medidas macroeconômicas tomadas pelo BC, incluindo na área de crédito, Goldfajn lembrou que nesta quarta-feira (8), sairão os dados do IPCA. 

"E vão voltar à discussão sobre o cenário macro; e vão me perguntar da área microeconômica", disse, bem-humorado. "Estamos fazendo nosso papel na queda da inflação." Em outro momento, após pergunta da plateia, Goldfajn recusou-se a comentar a respeito do tamanho ideal para o BNDES, mas disse que a instituição apoia as iniciativas do governo para discutir o futuro do banco. 

Goldfajn participou hoje do Painel Projeto Spread Bancário, promovido pelo Banco Central, em Brasília. Além dele, participaram do evento o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e os ex-presidentes do BC Armínio Fraga e Gustavo Loyola. 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Taxas de juros fecham em queda, com alívio no câmbio e Treasuries

As taxas dos principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociadas na BM&FBovespa fecharam em baixa, e nas mínimas, a sessão desta terça-feira (7). 

Após uma manhã em que prevaleceu o viés de alta, os DIs passaram a cair à tarde, em sintonia com a virada para o negativo do rendimento dos Treasuries de dez anos e do alívio do dólar, que zerou os ganhos ante o real na etapa vespertina. 

Entre os fatores técnicos, também contribuiu para apagar a pressão de alta dos juros futuros o resultado do leilão de venda de NTN-B, que, segundo profissionais da área de renda fixa, teve taxas abaixo do consenso nos vencimentos longos. 

Às 16h18, o dólar à vista, que subia de maneira firme pela manhã, era negociado a R$ 3,1247 (+0,02%). Os juros dos Treasuries ampliavam a queda e bateram mínimas por volta das 16h15, quando a T-Note de dez anos marcava 2,372%, de 2,416% no final da tarde de segunda-feira. Tudo isso permeado pela expectativa de um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, a ser divulgado na quarta-feira, muito favorável, capaz de aumentar as apostas numa aceleração do corte da Selic para 1,00 ponto porcentual no próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), dia 22 de fevereiro. 

O mercado trabalha com a possibilidade de um índice de preços bem abaixo do padrão sazonal para meses de janeiro, quando normalmente a inflação chega perto de 1%. Pesquisa do Projeções Broadcast aponta estimativas entre 0,36% e 0,51% (mediana de 0,42%). Em janeiro de 2016, o IPCA subiu 1,27%. 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Uma pedreira espera por Fachin

Primeira decisão de peso que o novo relator da Lava-Jato terá de tomar diz respeito ao levantamento do sigilo das delações da Odebrecht.

A vida do ministro Edson Fachin vai mudar radicalmente a partir de hoje. Escolhido relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, terá carga de trabalho aumentada e enfrentará a ira dos descontentes com suas futuras decisões. Será impossível agradar a todos. A primeira escolha de peso que terá de tomar diz respeito ao levantamento do sigilo das delações dos 77 executivos da Odebrecht.

Seja qual for a decisão, haverá contestações. A opinião pública clama pelo fim do segredo, temerosa de que eventuais implicados nas delações fujam do país, ocultem bens ou acabem ocupando postos importantes no setor público, como se imaculados fossem. Advogados dos delatores têm outro bom motivo para defender o fim do sigilo: a proteção dos seus clientes. Temem que possam sofrer algum acidente ou atentado disfarçado de latrocínio, já que os corruptos a quem pagaram propina sabem o que fizeram nos verões passados.

Os políticos que podem estar entre os delatados defendem o levantamento do sigilo por diferentes motivos. Parte deles, porque prefere se defender de uma acusação concreta a lidar com suspeitas genéricas. Outros, porque têm certeza de que nada consta contra eles e querem exibir as delações como uma espécie de atestado de bons antecedentes.

A divulgação de tudo no mesmo dia acabaria por diluir o peso das acusações e o que numa delação isolada pode ser manchete de jornal teria a chance de virar apenas pé de página. Tome-se o caso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), um dos defensores da divulgação ampla, geral e irrestrita. A manchete da Folha de S.Paulo de ontem dizia, em letras garrafais: Aécio negociou fraude em licitação, diz Odebrecht. E o subtítulo: ¿Delator relata propina a operador tucano; para senador, acusação é absurda¿.

Setores do Ministério Público Federal têm restrições ao levantamento imediato do sigilo porque, em tese, isso pode atrapalhar a produção de provas. Os mesmos advogados dos delatores sustentam, em conversas reservadas, que esse temor é infundado, porque a maioria das provas já está com os procuradores. E as delações foram amarradas de tal forma, que a consistência se dá pelo cruzamento de diferentes confissões. Afinal, todos os 77 trabalhavam para a mesma organização. 

A Fachin caberá decidir sobre pedidos de prisão, busca e apreensão de documentos, diligências, aceitação de denúncias. As tarefas exigirão dedicação quase exclusiva, o que não deve ser problema para um ministro com fama de workaholic. 

O algoritmo que sorteia os processos ajudou os que viam em Fachin a melhor opção para substituir Teori Zavascki. Nesse grupo, estão membros do Ministério Público, colegas do STF e até a família de Teori. As chances de ele ser o escolhido, no momento em que migrou para a segunda turma, eram maiores do que as dos outros ministros. Mesmo que não seja unanimidade, Fachin não enfrenta as restrições que pesam sobre Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.