terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ministro participou da abertura da III Reunião da Comissão Bilateral de Produção e Comércio



O ministro Marcos Pereira afirmou nesta segunda-feira, durante a abertura da III Reunião da Comissão Bilateral de Produção e Comércio, no MDIC, em Brasília, que Brasil e Argentina estão empenhados em ampliar a rede de acordos comerciais do Mercosul.

“Em um momento em que o mundo assiste ao retorno do protecionismo, é imperioso fortalecer a integração regional. Brasil e Argentina têm papel de liderança no Mercosul, principalmente no que tange ao fortalecimento da dimensão comercial do bloco e à ampliação da sua rede de acordos internacionais”, disse Marcos Pereira, que, antes da reunião, teve um encontro privado com o ministro da Produção da Argentina, Francisco Cabrera, que chefia a delegação argentina.

“O presidente Temer nos orientou que, juntamente com a liderança na Argentina no Mercosul, possamos trabalhar uma agenda de diálogo com os países da Bacia do Pacífico, haja vista a postura do presidente Trump. E que também possamos ampliar o diálogo com outros players, como Canadá, Japão e países do EFTA”, disse o ministro na abertura da reunião.

“Estamos vivendo um momento em que há uma convergência no Mercosul, sobretudo entre Brasil e Argentina, o que nos dá condições de avançar no tema de abertura do Mercosul e reinserção do bloco no cenário internacional”, completou.

O ministro Francisco Cabrera pediu que a reunião sirva não somente para tratar dos temas de conjuntura, mas também para tratar de assuntos mais amplos que permitam a Brasil e Argentina, junto com os outros países do Mercosul, ter um aprofundamento institucional de suas relações e façam o que for possível para levar adiante uma negociação exitosa com a União Europeia, Japão, Canadá, e EFTA. “Temos que dar um passo adiante na solidez e na previsibilidade dos acordos entre Argentina e Brasil, em princípio, e dentro do próprio Mercosul”, disse o ministro Argentino.

Crescimento
O ministro Marcos Pereira afirmou que a reunião se insere em um contexto de necessidade da retomada do crescimento do comércio bilateral e aprofundamento da parceria. Ele lembrou que a recessão em ambas as economias e a existência de entraves levou à forte contração do fluxo comercial entre Brasil e Argentina, mas que já se iniciou um processo de reversão deste quadro.

“Houve, nos últimos três meses, aumento das vendas recíprocas entre Brasil e Argentina – fato que não ocorria desde julho de 2013. Para consolidarmos esse movimento, destaco o singular e fundamental papel desta Comissão Bilateral. Temos pela frente uma agenda intensa de trabalho, reflexo do compromisso que já assumiram os nossos presidentes em avançar na inserção de nossas economias no cenário regional e global”, disse.

Marcos Pereira disse ainda que o encontro bilateral tem um significado especial porque precede a vinda do presidente Mauricio Macri ao Brasil na próxima semana. “A relação comercial entre os dois países já é boa, mas tem todas as condições de melhorar. “Brasil e Argentina têm um papel de liderança no Mercosul. O contexto em que nós nos inserimos no presente momento faz com que possamos, não obstante a crise econômica pela qual passaram os dois países, trabalhar pela retomada do crescimento”.

Resultados
Desde a primeira reunião da Comissão Bilateral de Produção e Comércio, em abril do ano passado, Brasil e Argentina assumiram o compromisso de dar impulso efetivo para a solução de questões que afetam a fluidez do comércio bilateral.

“Posso assegurar que, em menos de um ano, desde a primeira reunião que tivemos, alcançamos resultados significativos no âmbito bilateral e regional. Cito, apenas a título de exemplo que, no nosso último encontro em Buenos Aires, registramos ganhos concretos ao firmarmos acordos sobre Facilitação de Comércio e Certificado de Origem Digital. Ações como essas amenizam a burocracia e criam melhor ambiente de negócios para nossas empresas”, destacou o ministro.

Intercâmbio Comercial
Em 2016, a soma das exportações e importações entre o Brasil e a Argentina atingiu US$ 22,5 bilhões, com superávit de US$ 4,333 bilhões para o Brasil. As empresas brasileiras venderam para a Argentina, no ano passado, principalmente automóveis de passageiros (25% do total das exportações brasileiras para o país), veículos de carga (8,8%) partes e peças de veículos (6,5%), e outros produtos manufaturados (4,7%). Entre os produtos que as empresas argentinas vendem para o Brasil em 2015, tiveram destaque veículos de carga (16%), automóveis de passageiros (16%), e trigo em grãos (8,5%). No período em análise, a Argentina foi o terceiro principal destino das vendas externas brasileiras e o quarto mercado de origem de nossas importações.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MDIC

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Exportações crescem 16% em janeiro

Até a terceira semana, aumentaram as exportações de manufaturados, semimanufaturados e básicos em relação ao mesmo período do ano passado.

Na terceira semana de janeiro de 2017, a balança comercial registrou superávit de US$ 1,058 bilhão, resultado de exportações no valor de US$ 3,837 bilhões e importações de US$ 2,779 bilhões. No mês, as exportações somam US$ 9,775 bilhões e as importações, US$ 8,377 bilhões, com saldo positivo de US$ 1,398 bilhão.

Acesse os dados completos da balança comercial
A média diária das exportações da terceira semana (US$ 767,4 milhões), ficou 29,2% acima da média até a segunda semana de janeiro (US$ 593,7 milhões), em razão do aumento nas vendas das três categorias de produtos: básicos (+60,7%), semimanufaturados (+8,4%) e manufaturados (+8,3%). Nas importações, houve retração de 0,7%, sobre igual período comparativo (média da terceira semana, US$ 555,8 milhões sobre média até a segunda semana, US$ 559,8 milhões), explicada, principalmente, pela queda nos gastos com adubos e fertilizantes, combustíveis e lubrificantes, bebidas e álcool, equipamentos eletroeletrônicos, aeronaves e peças.

Mês
Nas exportações, comparadas as médias até a terceira semana de janeiro (US$ 651,6 milhões) com a de janeiro de 2016 (US$ 561,9 milhões), houve crescimento de 16%, em razão do aumento nas vendas das três categorias de produtos: semimanufaturados (+28,6%, por conta de açúcar em bruto, semimanufaturados de ferro e aço, ferro-ligas, celulose, óleo de dendê, madeira serrada ou fendida), básicos (+24,1%, em função, principalmente, de minério de ferro, petróleo em bruto, soja em grão, farelo de soja, carnes suína, bovina e de frango) e manufaturados (+2,5%, causado, principalmente, por veículos de carga, óleos combustíveis, açúcar refinado, suco de laranja não congelado, produtos laminados planos de ferro e aço). Em relação a dezembro de 2016, houve retração de 10,1%, em virtude das quedas nas vendas de produtos manufaturados (-30%), e semimanufaturados (-1,3%), enquanto que cresceram as vendas de produtos básicos (+9,7%)

Nas importações, a média diária até a terceira semana de janeiro deste ano (US$ 558,4 milhões), ficou 8,2% acima da média de janeiro do ano passado (US$ 516,1 milhões). Neste comparativo, cresceram os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (+99,7%), cereais e produtos da indústria da moagem (+98,9%), combustíveis e lubrificantes (+48,6%), equipamentos elétricos e eletrônicos (+40,2%), veículos automóveis e partes (+15,3%). Na comparação com dezembro de 2016, houve crescimento de 6,6%, pelos aumentos dos embarques de equipamentos elétricos e eletrônicos (+25,6%), plásticos e obras (+18,2%), químicos orgânicos/inorgânicos (+11,0%), combustíveis e lubrificantes (+7,3%) e equipamentos mecânicos (+4,9%).

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MDIC

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Temer, nomeie Moro ministro do STF

Não é irresponsabilidade suspeitar que a morte do ministro Teori Zavascki não foi acidental. Irresponsabilidade seria não suspeitar disso.

Quando uma morte não acidental ocorre, a polícia sempre faz a mesma pergunta: Quem se beneficiaria com o desaparecimento dessa pessoa?

No caso de Teori, a resposta aponta para alguns dos homens mais poderosos do país. Teori era o relator da Lava-Jato e estava trabalhando naquela que foi cognominada de "A Delação do Fim do Mundo". Setenta e sete diretores da Odebrecht prestaram centenas de depoimentos e revelaram o envolvimento de mais de cem políticos em esquemas de corrupção. Teori deveria homologar essa delação em fevereiro.

A Lava-Jato não morre com Teori, mas muda. Cada juiz tem a sua forma de trabalhar e os seus critérios. Ninguém sabe como se comportará o novo relator da Lava-Jato. Ninguém sabe como ele irá tratar as delações da Odebrecht.

É evidente, também, que pode muito bem ter sido um acidente. Pode ser, apenas, uma terrível falta de sorte de Teori, da família dele, de seus amigos e das pessoas que esperam um Brasil mais limpo. O problema é a coincidência.

Neste momento, às vésperas da homologação do conjunto de delações mais aguardado da história do país, justamente um ministro do STF, justamente Teori, morre num desastre aéreo. Parece filme. Com a diferença de que, na ficção, o Bem vence no final.

Essa desconfiança vai amassar o Brasil já tão sofrido, vai abalar as esperanças da população, vai tornar o país ainda mais cínico. Só um homem pode reverter essa tragédia. Só um. O presidente Michel Temer.

Se Temer quiser se consagrar, se quiser salvar seu governo e a fé do povo em seu próprio país, tem de tomar uma atitude hoje mesmo: nomear Sergio Moro ministro do STF. Se Temer tiver essa coragem, esse desprendimento e essa grandeza, ele dará a grande virada. Com um único lance de caneta, Temer eliminará todas as suspeitas que existem sobre ele, e as suspeitas existem e são muitas e são graves. Melhor: ganhará a admiração da população e o respeito de seus pares. Melhor ainda: mostrará ao mundo e aos brasileiros que o Brasil tem futuro.

As crises mais graves são as que fornecem as melhores oportunidades. Temer está a um passo de redimir o Brasil. Ou de desgraçá-lo de vez.

Autor: David Coimbra - Zero Hora

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Exportações crescem 5,7% até segunda semana de janeiro

Com exportações de US$ 2,919 bilhões e importações de US$ 2,799 bilhões a segunda semana de janeiro teve superávit de US$ 120 milhões. No acumulado do mês, as vendas ao exterior totalizaram US$ 5,939 bilhões e as compras externas foram de US$ 5,598 bilhões, com saldo positivo de US$ 341 milhões.

Na segunda semana, a média das exportações chegou a US$ 583,9 milhões, o que significou uma queda de 3,3% em relação à média de US$ 603,9 milhões registrada na primeira semana de janeiro. O motivo foram as quedas nas exportações de produtos semimanufaturados (-34,7%, em razão de açúcar em bruto, celulose, ouro em formas semimanufaturadas, ferro-ligas e ferro fundido bruto) e de produtos manufaturados (-3,1%, em função, principalmente, de produtos laminados de ferro e aço, automóveis de passageiros, suco de laranja não congelado, veículos de carga, hidrocarbonetos e derivados halogenados). Já as vendas de produtos básicos cresceram 12,8%, por conta de petróleo em bruto, café em grão, soja em grão, minérios de ferro, trigo em grão.

Mês
Nas exportações, comparadas as médias até a segunda semana de janeiro deste ano (US$ 593,9 milhões) com a média de janeiro do ano passado (US$ 561,9 milhões), houve crescimento de 5,7%, em razão do aumento nas vendas de produtos semimanufaturados (+25,1%, por conta de açúcar em bruto, produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro-ligas, óleo de soja em bruto e ouro em formas semimanufaturadas) e de produtos básicos (+3,2%, por conta, principalmente, de minério de ferro, minério de manganês, farelo de soja, carnes suína e de frango, soja em grão, café em grão). No período em análise, houve uma pequena queda na venda de manufaturados (-0,2%,por conta de aviões, tubos flexíveis de ferro e aço, aquecedor, secador ou trocador de calor, suco de laranja congelado, tubos de ferro fundido de ferro e aço). Em relação ao mês anterior (dezembro de 2016), houve queda de 18%, causada por manufaturados (-31,9%), básicos (-8,8%) e semimanufaturados (-3,9%).

Nas importações, a média diária até a segunda semana (US$ 559,8 milhões), ficou 8,5% acima da média do mesmo período do ano passado (US$ 516,1 milhões). Nesse comparativo, aumentaram os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (+126,3%), cereais e produtos da indústria da moagem (+99,4%), combustíveis e lubrificantes (+54,5%), equipamentos eletroeletrônicos (+42,4%) e instrumentos de ótica e precisão (+9,5%). Na comparação com dezembro de 2016, as compras externas cresceram 6,9% por conta de equipamentos eletroeletrônicos (+27,6%), adubos e fertilizantes (+14,9%), plásticos e obras (+14,6%), combustíveis e lubrificantes (+11,6%) e químicos orgânicos/inorgânicos (+10,1%).

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MDIC

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Taxa básica de juros cai para 13% ao ano

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central (BC) surpreendeu o mercado e anunciou ontem a redução da taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, para 13,00% ao ano. É o terceiro corte seguido da taxa e o primeiro acima de 0,25 ponto percentual, dentro do atual ciclo de afrouxamento monetário.


A decisão surpreendeu os analistas financeiros, que previam o corte de 0,5 ponto percentual. Essa era a redução projetada pelos economistas ouvidos pelo BC no boletim semanal Focus, divulgado na última segunda-feira, dia 9. A última vez em que a Selic teve queda de 0,75 ponto percentual foi em abril de 2012.

O BC chegou a cogitar reduzir a taxa básica da economia em 0,50 ponto percentual – como a maioria dos analistas previa. O Copom, no entanto, entendeu que a ancoragem da inflação nos próximos dois anos já abre espaço para acelerar o movimento de corte da taxa Selic. Por isso, o BC surpreendeu o mercado financeiro.

“O Copom avaliou a alternativa de reduzir a taxa básica de juros para 13,25% e sinalizar uma intensidade maior de queda para a próxima reunião”, cita o comunicado divulgado pelo BC. “Entretanto, diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária”, argumentam os diretores do BC. O Copom explica que, por isso, decidiu estabelecer um “novo ritmo de flexibilização”.

Os motivos que levaram a um corte mais amplo dos juros são o declínio da inflação e a demora na recuperação da economia. Na manhã desta quarta-feira, foi divulgado o IPCA de 2016. O índice oficial de inflação, calculado pelo IBGE, ficou em 6,29%. Foi a primeira vez desde 2014 que o índice oficial de inflação ficou abaixo do teto da meta do governo, de 6,5%.

Dados mais fracos da atividade econômica consolidaram nos últimos dias as apostas de corte de pelo menos 0,50 ponto da Selic, como a produção industrial de novembro, que ficou abaixo das expectativas. O indicador, divulgado na semana passada pelo IBGE, cresceu apenas 0,2% na comparação com outubro, contra estimativas de alta de 1,3%.

Além disso, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, reforçou, no mês passado, que a autoridade monetária iria intensificar o ritmo de corte da taxa básica de juros em janeiro se a atividade econômica permanecesse fraca, conforme indicou a ata da reunião do Copom de 30 de novembro.

O Copom sinalizou em comunicado que deve manter o ritmo forte de corte de juros nos próximos meses devido à inflação mais baixa e à atividade econômica fraca. “Diante do ambiente com expectativas de inflação ancoradas, o Comitê entende que o atual cenário, com um processo de desinflação mais disseminado e atividade econômica aquém do esperado, já torna apropriada a antecipação do ciclo de distensão da política monetária, permitindo o estabelecimento do novo ritmo de flexibilização”, afirmou a autoridade monetária.

O BC esclareceu ainda que projeta uma inflação abaixo de 4,5%, que é o centro da meta, para 2017. “As projeções no cenário de referência encontram-se em torno de 4,0% e 3,4% para 2017 e 2018, respectivamente. Já no cenário de mercado, situam-se em torno de 4,4% e 4,5% para 2017 e 2018, respectivamente”, disse o BC no comunicado.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Mercado reduz projeção de inflação para 4,81% em 2017, aponta BC

Instituições e economistas consultados pelo relatório Focus mantiveram a projeção de crescimento do PIB em 0,5% para este ano


O mercado financeiro espera que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 4,81% em 2017. Na semana passada, a expectativa das instituições financeiras e dos economistas consultados pelo relatório Focus era de que a inflação encerrasse este ano em 4,87%. A projeção foi divulgada pelo Banco Central (BC), nesta segunda-feira.

A partir da nova previsão, o mercado projeta que a inflação para 2017 seja menor que a observada em 2016. A estimativa é de que o IPCA seja oficializado em 6,35% no ano passado, nono corte consecutivo do relatório. Na semana passada, o mercado esperava que a inflação tivesse variação de 6,38% nos 12 meses de 2016.

A previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2017 foi mantida com crescimento de 0,5%. É a mesmo projeção divulgada na semana passada, pelo BC. Há um mês, o mercado espera um avanço de 0,7%. Já para o encerramento de 2016, a previsão de recessão permaneceu em -3,49% pela segunda semana seguida. Um mês atrás, a previsão era levemente menos negativa, de -3,48%.

As instituições e os economistas cortaram pela segunda semana seguida a projeção para o câmbio ao final de 2017. A previsão é de que o dólar esteja cotado a R$ 3,45 no fim deste ano. Na semana passada, a previsão era de R$ 3,48. 

Para a Selic, taxa básica de juros da economia, a previsão do mercado foi mantida em 10,25% ao ano. As instituições financeiras, portanto, apostam na continuidade da trajetória de redução dos juros.

Diante da recessão econômica e da melhora na inflação, o BC tem sinalizado que pode intensificar o corte da taxa básica. Nas duas últimas decisões, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual. Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano. A próxima reunião do Copom começa na terça-feira e a decisão em relação à Selic será anunciada na quarta.

Fonte: Zero Hora

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Ajuda para desfazer o nó do crédito

Apesar de sentir atrasos nos pagamentos de clientes, BRDE assegura que vai atuar para "mitigar a inadimplência e estimular a adimplência"


Um dos maiores repassadores do BNDES na Região Sul – principal em algumas linhas –, o BRDE está mais do que alinhado com a nova estratégia do grande financiador de longo prazo do Brasil. Assim como todo o sistema financeiro, a instituição inter-regional sente o aumento de atrasos nos pagamentos dos clientes, mas a direção assegura que vai atuar para "mitigar a inadimplência e estimular a adimplência", como descreve seu presidente, Odacir Klein.

Quando os atrasos superam 120 dias, os bancos são obrigados a fazer provisões significativas – ou seja, a registrar perdas. Em novembro, a média dessas provisões no sistema financeiro estava em 6,6% de toda a carteira de crédito – mais de um ponto percentual acima de janeiro passado. Nos bancos públicos, alcançava 5,2%, e, no BRDE, 4,12%. O resultado, explica Ana Cláudia Silveira Camargo, chefe do departamento de recuperação de crédito do banco regional, é fruto tanto do histórico recente da instituição, de cautela na concessão de empréstimos, quanto de atenção extrema aos atrasos.

Em 2015, relata Klein, o BRDE sofreu mais com recuperações judiciais do que no ano passado, quando o número de pedidos foi recorde no país. Vinte casos que tiraram o sono naquele ano, e oito em 2016. Houve um "momento de susto", admite o presidente, mas agora as negociações começam antes de a situação ficar insustentável, o que é saudável para as empresas, evitando histórico de calote, e para a instituição, com menos provisões.

É nesse cenário que, sem deixar de financiar o desenvolvimento, o BRDE vai aderir com entusiasmo à estratégia do BNDES de suprir empresas com capital de giro (recursos para o dia a dia e até para quitar dívidas).

– Estamos alinhados com essa estratégia desde os últimos meses de 2016 – diz Klein.

Carlos Polzoni, assessor da diretoria com 47 anos no banco, assegura que o aumento do prazo do Finame e a garantia de recursos para infraestrutura são "música" para o BRDE. Apesar das dificuldades, Klein assegura que o resultado de 2016 será positivo, com aumento do patrimônio líquido - o que permite captar mais recursos para emprestar.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Cenário macroeconômico é positivo para o Brasil em 2017

“Embora existam riscos, temos muito a realizar e crescer no Brasil, porque estamos começando a sair do fundo do poço”, disse ex-ministro.


“Embora existam riscos, temos muito a realizar e crescer no Brasil, porque estamos começando a sair do fundo do poço e isso pode ser comprovado pelos resultados do PIB, que têm mostrado um horizonte de estabilidade e crescimento de 1% do PIB este ano e cerca de 2% em 2018”. A afirmação é do o ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega.

Enxergando outros pontos positivos em nosso horizonte: a indústria hoje opera apenas com 73% da capacidade de produção, a Selic está em novo ciclo de queda e, por enquanto, não há expectativa de crises cambiais e bancárias, porque no ápice do impeachment o câmbio funcionou muito bem sem traumas. Maílson diz que “isso significa que nosso sistema financeiro é muito sólido”.

O economista ressaltou que a gestão de risco no país é igualmente eficiente, porque possui mecanismos de alertas, fruto do alto nível do sistema financeiro brasileiro que é, mundialmente, considerado superior aos países desenvolvidos.

Prova disso é que terminaremos 2016 em 9º na economia mundial, em momentos melhores já fomos 6º nesse ranking, ainda assim, continuamos entre os dez primeiros. Segundo ele, apesar da democracia ser muito jovem – tem apenas 31 anos, se comparada, por exemplo à inglesa que tem mil anos –, e da fragmentação política (são 35 partidos políticos em todo o país), a democracia é uma componente importante para a evolução da sociedade. “Nesse cenário, nosso judiciário é independente (o melhor exemplo é a Lava Jato), o que não é comum nos países emergentes”.

Francis Fukuyama, pesquisador sênior do Instituto Freeman Sprogli da Universidade Stanford, é autor de vários livros sobre economia e em um deles examina a ordem política desde a origem da humanidade. Ele mostra que existem mecanismos da ordem política virtuosa, que permitem o crescimento mesmo que haja alguma catástrofe. Ele ressalta que são três os fatores e que nós possuímos todos: Estado forte, Estado de direito e Accountability - “a responsabilidade de prestar contas e ter transparência, o que é possível quando há imprensa e capacidade de mobilização da população”.

O agronegócio brasileiro é outro ponto positivo destacado pelo pesquisador, porque segundo ele, se tornou mundialmente o campeão em sofisticação. “Em poucos anos teve a maior revolução em produtividade, multiplicando por cinco a produção. Hoje somos o maior exportador de soja, café, açúcar, frango e suco de laranja. Cerca de 90% do suco de laranja distribuído no mundo vem do Brasil. Além disso, nos últimos anos passamos de um PIB de 15% para 50%, o que fenomenal”, ressaltou.

Sinais de alerta:
Efeito Trump: Há incertezas em decorrência do que, efetivamente, Trump fará após assumir. Ele sinaliza que é preciso ficarmos atentos aos membros que serão escolhidos para a nova equipe do governo e também ao aumento do déficit americano (se aumentar vai desacelerar a economia mundial) e se Trump iniciar uma guerra comercial contra a China no comércio exterior;

Produtividade: O Brasil precisará fazer mais com menos ou com os mesmos recursos por meio de tecnologia e gestão;

Qualidade da educação/mão de obra: Gastamos mais que os EUA com educação, mas o trabalhador brasileiro rende muito menos do que um americano;

Lava jato: Como os próximos acontecimentos vão atingir Temer. A boa notícia é que, provavelmente, isso não deve causar grandes traumas na economia;

Eleição 2018: Cenário vai depender de quem será eleito. Se for positivo, pode colocar o Brasil em novo ciclo de crescimento contínuo, mas há o risco de eleger um aventureiro;

Reforma da previdência: É crucial definir a idade da aposentadoria e quando entra em vigor, porque hoje a previdência significa 40% dos gastos do governo, se continuar assim, em 20 anos saltará para 90% dos gastos e será o colapso;

Influência externa e Tributação altíssima: Esses são dois agravantes na economia porque o sistema tributário brasileiro é o pior do mundo. As empresas gastam cerca de 2 mil horas por ano com tributação, enquanto a média mundial são 200 horas ao ano. Esse cenário é de alto custo para o Brasil e a reforma tributária é urgente porque vai ser fundamental para a retomada da economia;

Alto spread: O motivo é a inadimplência, que significa 35% do spread no país;

Desemprego: O surgimento de vagas dependerá da confiança e do crédito que circulará no mercado. Além disso, o governo precisa gerar mais segurança para que os empresários fiquem mais confiantes, a recuperação ocorrerá, mas provavelmente será lenta.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Trump, a China e o Brasil

Comércio mundial trabalha sobre incógnitas de grande impacto ao traçar as perspectivas para o ano que vem


A escolha presidencial dos Estados Unidos foi não apenas a notícia mais impactante do ano de 2016 como também a maior incógnita para as previsões econômicas globais. A única certeza que se tem é que as tendências protecionistas de Donald Trump devem redirecionar o curso do comércio exterior, tanto no fluxo de mercadorias quanto na relação entre os países.

Economia de Mercado
A recente exigência da China junto à OMC (Organização Mundial de Comércio) para que o país seja reconhecido como economia de mercado já pode ser considerada como o primeiro dos atritos com que os Estados Unidos e a União Europeia terão de lidar. As rusgas entre as potências poderiam significar vantagens para o Brasil. Mas, como era de se esperar, não estamos preparados. Pelo contrário, “não temos preço e nem capacidade para competir”, avisou o Presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro.

Para ser uma economia plena de mercado, as regras da OMC determinam que o país associado variem apenas em função da oferta e da procura, e do custo de sua produção e escoamento, com o mínimo de interferência do governo. Nesse item, a reputação da China ainda deixa a desejar, uma vez que a atividade comercial do país asiático ainda é fortemente controlada pelo Estado.

Embora já pertença aos associados da OMC desde 2001, a China operava sob certa desvantagem por ter aderido a uma cláusula do estatuto que a desfavorecia em julgamentos de dumping. Após a expiração da cláusula, no início de dezembro, o país esperava ser aceito como sócio pleno, porém os gigantes julgaram que a hora ainda não havia chegado: Estados Unidos e União Europeia disseram ainda não considerar que a China merecesse tal reconhecimento. Em nota oficial, o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, confirmou a delicadeza da avaliação: “Não há uma metodologia ou uma precisão absoluta sobre quando uma economia é de mercado e quando não é. Não é a OMC quem diz isso, cada país determina se um determinado parceiro comercial é uma economia de mercado ou não”, justificou.

O câmbio, as commodities e o Brasil
A AEB estima que o câmbio deva permanecer entre R$ 3,20 e R$ 3,50 no ano de 2017, embora ainda considere que deva haver novas projeções ao longo do ano. Especialmente no comércio com a China, o câmbio não deve fazer muita diferença, uma vez que, no caso das commodities, a taxa cambial tem mais efeito na lucratividade financeira do que na atividade comercial. Os manufaturados, por sua vez, deverão sofrer – ou continuar sofrendo, já que apresentaram queda de 1,1% nas exportações, e devem cair ainda mais. “Exportar manufaturados, especialmente para a União Europeia, deve ficar ainda mais difícil após a desvalorização de cerca de 20% do euro frente ao dólar”, avalia o relatório da AEB para 2017.

José Augusto de Castro atribui a falta de competitividade da indústria brasileira de manufaturados primordialmente ao preço – e neste, estão incluídos não só o câmbio, mas também os custos logísticos, burocráticos, trabalhistas e tributários, ou seja: o famoso ‘Custo Brasil’. “Nossos montantes de exportação registrados em 2015 e 2016 estão menores do que os números atingidos em 2006, ou seja: estamos em queda há 10 anos”, alerta. Com a falta de competitividade, continuaremos focando nossas exportações de manufaturados no mercado sul-americano, para o qual conseguimos suprimir alguns custos, especialmente os cambiais e logísticos. Caso a Argentina confirme o crescimento do PIB em 3,5%, como provavelmente deverá acontecer, a AEB estima que o fluxo de exportações do Brasil para o país vizinho deva crescer ainda mais.

Setor portuário
Entre as ações previstas para impulsionar o país, Castro menciona as reformas governamentais, e acrescenta o setor portuário entre as prioridades. “O governo acena com reformas tributária, trabalhista e previdenciária, mas tem incluído, por meio dos grupos de trabalho, uma revisão necessária na lei portuária, que é imprescindível para estimular a competitividade do país”, explicou, lembrando que, no caso dos portos, melhorar tanto a infraestrutura quanto a regulamentação é fator crucial para gerar concorrência e baixar custos.

Diante da previsão de fusão dos grandes armadores que operam no Brasil, após a notícia da compra da Hamburg-Süd pela Maersk Line, José Augusto de Castro avalia, com otimismo, que o mercado poderá se beneficiar: “teoricamente, quando e racionalizam as operações, há redução de custos, e isso pode trazer benefícios para o embarcador”.

Combustíveis, minérios e, mais uma vez, Trump e a China
Contabilizando os fatores que poderão ter influência direta sobre as perspectivas para 2017, José Augusto de Castro enfatiza a recente decisão da OPEP em conter a produção do petróleo, eliminando 1,2 milhões de barris a partir de janeiro de 2017, para regulação dos preços mundiais de combustíveis. A medida deve ter impacto, embora ainda não exatamente previsível, tanto sobre a produção industrial como sobre os fretes mundiais de transportes, bem como negociações comerciais globais.

O mesmo acontecerá com os minérios de ferro, cujo setor sofreu recentemente uma variação brutal de preços, chegando a aumentar 50%, “em caráter especulatório”, segundo avalia José Augusto de Castro, lembrando que a medida provavelmente pode ter sido impulsionada pelas intenções de Donald Trump de investir em infraestrutura. “Isso nem tem muita lógica, uma vez que é sabido que o mundo tem um excedente de produção de minérios”. E, mais uma vez, ele relembra que as relações com a China devem ser consideradas com bastante cautela, uma vez que o país, por mais que venha diminuindo suas importações desse tipo de bens estruturais para se tornar consumidor, a ainda é o grande comprador mundial.