quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Um novo modelo de transporte aliado a questões ambientais


Para executivo “transporte sustentável é uma questão de sobrevivência”



No Brasil, a malha rodoviária roda 40% do tempo sem cargas, a quilometragem rodada dessa forma, em um ano, seria suficiente para dar a volta ao mundo 300 mil vezes. Ao utilizar a capacidade excedente disponível nos caminhões, evitando, assim, que eles rodem vazios, é possível reduzir as emissões de CO2 em até 15,6 milhões de toneladas por ano.

Os dados apontados pela "Uber do transporte de cargas", a CargoX, transportadora que opera conectada em tempo real a uma rede de mais de 100 mil caminhoneiros autônomos que acredita que “o modal rodoviário é a base do transporte de cargas do Brasil”, como destaca Alan Ballet Rubio, diretor de logística da companhia. “A sua representatividade supera os 60% e o valores transacionados alcançam a casa dos R$ 80 bilhões”.

No entanto ele aponta que as recentes evoluções ocorridas na sociedade apresentaram a esse setor necessidade de seguir novos rumos, indicando que uma atuação mais sustentável precisa ser adotada, “fazendo com que a categoria não seja vista de forma negativa”.

E ressalta que a definição sobre a capacidade dos veículos é bastante simples e pode ser resumida com a seguinte frase: “caminhão que roda vazio é ruim para o bolso e para o meio ambiente”. E ressalta que a busca por tecnologia tem ajudado com que isso ocorra. “Já existem opções que localizam caminhoneiros e suas disponibilidades. Essas possibilidades auxiliam no combate a ociosidade, o que permite ao mercado ser mais sustentável”.

Dados da ONU (Organização das Nações Unidas) apontam um maior investimento em transportes verdes, eficientes e sustentáveis pode ajudar a alcançar metas globais de sustentabilidade e proporcionar uma economia de US$70 trilhões até 2050. Rubio destaca que dois fatores devem ser observados nesse sentido. “Devemos observar esse movimento sob duas ópticas: as questões ambientais, onde deve-se pensar no impacto da malha rodoviária sobre o planeta, e o econômico, que faz com que o mercado se mantenha de forma estruturada”. Segundo o executivo, elas se cruzam em diversos momentos, “por isso, devem ser vistas como divisores para a sobrevivência, ou não, do setor”.

Ele aponta como primeiro ponto a ser analisado como impacto ambiental a ser amenizado o uso de tecnologias e soluções, que segundo ele que já começaram a ser apresentadas, mas “precisam ganhar ainda mais força, como o caminhão elétrico e a otimização da capacidade dos veículos”. Ele exemplifica apontando dados da CNT (Confederação Nacional do Transporte), que mostra que o modal rodoviário brasileiro responde por 42% de CO² lançado na atmosfera e a perspectiva é que exista um aumento acima dos 4% até 2020.

Na questão econômica Rubio observa que o custo dos combustíveis atuais podem chegar a 40% do valor total dos fretes, “uma fatia representativa, quando analisamos como isso impacta diretamente no valor final do produto”. Na questão ambiental, ele lembra que representa a não emissão de milhares de m³ de poluentes na atmosfera, e afirma: “Com a troca para uma nova possibilidade, a cadeia logística seria menos agressiva”.

Ainda aliado a economia ele lembra da importância da segurança e qualidade das estradas, já que, salienta ele “quando ocorre o extravio de uma carga, diversas camadas são prejudicadas, desde o lojista que não recebe a mercadoria, até o produtor que precisará arcar com essa reposição”. Já as rotas, segundo ele, prejudicam não só a condição do caminhão, mas também dos produtos, principalmente os perecíveis, e quanto mais tempo o caminhão fica rodando mais poluentes ele emite e mais gastos possui.

“Devemos seguir para um novo modelo de transporte, em sintonia com as questões ambientais e seguindo uma linha economicamente positiva. Desta forma, aquilo que está em volta do ecossistema logístico se mantém vivo junto com todo mercado”, finaliza.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Cliente poderá pagar fatura do cartão com câmbio do dia da compra

Cartões poderão oferecer possibilidade de pagamento da fatura pelo valor equivalente, em reais, da data em que cada gasto em moeda estrangeira foi feito

Por Da redação

Antes, a conversão era feita apenas com base na data de pagamento da fatura (Ernesto Rodrigues/Agência Estado/VEJA)

O Banco Central publicou a circular que altera a regulamentação quanto à conversão, para reais, de gastos realizados em moeda estrangeira por meio de cartões de crédito internacionais. A principal mudança é que, a partir de agora, os emissores de cartões poderão oferecer ao cliente a possibilidade de pagamento da fatura pelo valor equivalente, em reais, da data em que cada gasto em moeda estrangeira foi feito.

Antes, a conversão era feita apenas com base na data de pagamento da fatura. Essa opção permanece, conforme a circular.

Pela mesma circular, o BC ampliou as formas de pagamento para aquisição de bens e serviços no exterior por meio de empresas que prestam serviço de pagamento internacional de comércio eletrônico. “Anteriormente, o único meio permitido para tais pagamentos era o cartão de uso internacional”, informou o BC por meio de nota. “Agora, a transferência bancária e o cartão de uso doméstico ou internacional podem ser usados para esse fim.”

CIRCULAR Nº 3.813, DE 23 DE NOVEMBRO DE 2016
Altera as Circulares ns. 3.690 e 3.691, ambas de 16 de dezembro de 2013, quanto à conversão em reais dos gastos realizados em moeda estrangeira por meio de cartões de crédito de uso internacional e à forma de pagamento de operações com o exterior.

A Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, em sessão realizada em 23 de novembro de 2016, com base no art. 23 da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, nos arts. 9º e 11, inciso III, da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, e tendo em vista o disposto nos arts. 1º, 6º, 10 e 17 da Resolução nº 3.568, de 29 de maio de 2008,

RESOLVE:
Art. 1º Os arts. 117, 128 e 132 da Circular nº 3.691, de 16 de dezembro de 2013, passam a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 117. ......................................................

..................................................................

II - pode ser realizada operação de câmbio única, devendo a instituição autorizada a operar no mercado de câmbio observar o disposto no art. 18 desta Circular e manter no dossiê da operação as informações relativas a cada aquisição no exterior, discriminando a data, o valor, a moeda, a forma de pagamento utilizada pelo cliente, o CPF ou o CNPJ do cliente, o nome do cliente e, relativamente ao vendedor no exterior, seu nome e país.

(...)

I - no caso de gastos em moeda estrangeira, a identificação da moeda, a discriminação de cada gasto na moeda em que foi realizado e o seu valor equivalente em reais, devendo obrigatoriamente ser ofertada ao cliente a sistemática de a fatura ser paga pelo valor equivalente em reais do dia do pagamento da fatura, sendo também permitido o oferecimento de sistemática alternativa ao cliente de a fatura poder ser paga pelo valor equivalente em reais da data de cada gasto, observado que a adoção dessa última sistemática está condicionada a manifestação de interesse pelo cliente;

(...)

“Art. 132. A aquisição no exterior de bens e serviços por meio de empresas facilitadoras de pagamentos internacionais é permitida mediante o uso de:

I - cartão de uso doméstico ou internacional; ou
II - ordem de transferência bancária de fundos a partir de conta de depósito.” (NR)

(...)

“Art. 132-A. As operações no mercado de câmbio para cobertura dos compromissos da empresa facilitadora de pagamentos internacionais decorrentes das aquisições de bens e serviços, relativas às compras ou vendas realizadas por seus clientes, devem ser classificadas com o fato-natureza “32205 - Facilitadoras de pagamentos internacionais - Aquisição de bens e serviços”, devendo a instituição autorizada a operar no mercado de câmbio observar o disposto no art. 18 desta Circular e manter no dossiê da operação as informações relativas às aquisições, no País ou no exterior, de bens e serviços, discriminando:

I - a data, o valor e a moeda de cada transação;

II - relativamente ao cliente no Brasil da empresa facilitadora de pagamentos internacionais, o CPF ou o CNPJ, o nome e, no caso de aquisição de bem ou serviço no exterior, a forma de pagamento utilizada; e

III - relativamente ao comprador ou vendedor no exterior, seu nome e país.

Parágrafo único. A instituição autorizada a operar em câmbio deve fornecer ao Banco Central do Brasil, quando solicitada, na forma e nas condições por ele estabelecidas, as informações previstas nos incisos I, II e III deste artigo.” (NR)

“Art. 132-B. É vedado qualquer tipo de compensação entre os pagamentos e os recebimentos relativos ao cumprimento de obrigações decorrentes de:

I - compras ou saques realizados com cartão de uso internacional;

II - aquisições de bens e serviços realizadas por meio de empresas facilitadoras de pagamentos internacionais sediadas no País.” (NR)

Art. 3º O Anexo IV da Circular nº 3.690, de 16 de dezembro de 2013, passa a vigorar com a redação do Anexo I desta Circular.

Art. 4º Esta Circular entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º Ficam revogados o inciso I do art. 130 e o art. 133 da Circular nº 3.691, de 16 de dezembro de 2013.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Mais navios do que cargas

ONU e OMC apontam que 2016 registrou a pior expansão das exportações

A expansão de exportações, que foi a tônica do comércio por décadas, está estagnada e a prova disso é que nas principais rotas comerciais do mundo há mais espaço nos navios do que produtos para serem transportados. Dados da ONU (Organização das Nações Unidas), OMC (Organização Mundial do Comércio) e de entidades especializadas no comércio internacional apontam que 2016 registrou a pior expansão das exportações em um ano de crescimento econômico em décadas. Para o futuro: incerteza, principalmente com um mundo tentando descobrir qual será a política comercial de Donald Trump.


Segundo dados coletados pela ONU em Genebra, o crescimento no volume de produtos transportados pelos oceanos foi, no ano passado, o mais baixo desde 2009, o ano do colapso da economia mundial. Desta vez, porém, não houve uma retração do PIB mundial, porém, sem afetar o comércio. O aumento entre 2014 e 2015 foi de apenas 2,1%. Ainda que o volume total tenha ultrapassado, pela primeira vez, a marca de 10 bilhões de toneladas, analistas alertam que o "futuro aponta para incertezas". A ONU também admite que os sinais indicam um "freio" no processo de globalização comercial, especialmente diante da recessão em algumas economias e da retórica protecionista cada vez mais presente.

Segundo o Escritório de Análise Econômica da Holanda, por exemplo, houve até mesmo uma retração do comércio internacional nos dois primeiros trimestres de 2016, com uma queda de mais de 1%. "O crescimento baixo do setor de transporte marítimo reflete os problemas no comércio global", alertou o informe anual da ONU sobre o setor de cargas.

Já a OMC foi obrigada a rever sua previsão de expansão do comércio para 2016. Agora, ela estima que o ano pode ser o pior desde o auge da crise financeira internacional, em 2009. Para 2016, a nova previsão é que o comércio internacional tenha aumento de 1,7%. Em abril, a perspectiva da OMC era de uma expansão de 2,8%. Para 2017, a melhoria seria insignificante.

Nos EUA, o valor total de exportações e importações sofreu uma queda de US$ 470 bilhões de janeiro a setembro. Em 2015, a contração havia sido de US$ 200 bilhões. Segundo analistas, o que mais chama a atenção é que, pela primeira vez desde 1945, o comércio americano sofreu uma queda em tempos de suposta estabilidade econômica. A ONU aponta que a tradução desses números para o setor de transporte tem sido real. Acostumados a ver uma expansão ininterrupta do comércio, empresas do setor investiram em novas embarcações. Hoje, descobrem que não têm mercadoria para transportar.

Em setembro o segmento sofreu sua maior falência, com a quebra da Hanjin Shipping a sétima maior empresa do mundo em transporte marítimo. "Simplesmente, não há carga hoje em volume suficiente para preencher os novos navios, maiores e mais modernos", alertou o secretário-geral da Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento, Mukhisa Kituyi. A queda na demanda de importação na China, preços de commodities mais baixos e as incertezas geopolíticas estariam contribuindo para esse "freio" na globalização.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Logística do futuro

BMW Group investe em inovação, digitalização e sustentabilidade


A era é de inovação e tecnologia, por isso o BMW Group não brincou quando pensou na logística. A companhia inovou quando pensou em uma cadeia de fornecimento totalmente em rede, robôs de transporte autônomos e o uso de informações de veículos existentes para o processo de entrega. O objetivo é tornar a logística mais flexível e eficiente ao pensar nas mais de 30 milhões de peças que precisam ser entregues no lugar certo e na hora certa.

De acordo com Jürgen Maidl, diretor de logística da rede de produção do BMW Group, “a logística é o coração do sistema de produção da BMW” e o uso de tecnologias inovadoras e digitais será um fator chave em seus processos de logística. “Ao mesmo tempo, soluções sustentáveis e eficientes em termos de recursos também são importantes para nós. Já estamos testando as tecnologias do futuro em toda uma série de projetos-piloto", afirmou.

De óculos de realidade aumentada a sistemas de transporte autônomos para caminhões movidos a eletricidade, o grupo está testando uma grande variedade de tecnologias e inovações. Identificando potencial para inovação em todas as fases do processo de logística, desde a entrega de peças nas fábricas até a entrega de veículos novos para revendedores em todo o mundo, Marco Prüglmeier, gerente de projetos de inovação e indústria 4.0 para a logística de entrada do BMW Group, disse que a companhia tem uma visão clara do futuro “e já estamos explorando as tecnologias de amanhã”.

A companhia que trabalha na produção da primeira frota de robôs autônomos, conta que já possui em testes uma frota inicial de dez Smart Transport Robots (STR) transportando componentes através da logística na fábrica de Wackersdorf, na Alemanha. “A principal novidade é que o robô de transporte auto-motriz não precisa de loops de indução montados no chão para a navegação, move-se livremente através da sala de logística, alimentado de forma sustentável por baterias pré-usadas do BMW i3 e é capaz de transportar containers pesando até 500 kg”. O equipamento mede a distância, calcula sua posição exata e rota.

De acordo com os executivos, os sensores identificam e reagem a situações críticas, sendo capaz de compartilhar a rota com seres humanos e outros veículos. Ainda em testes, após cinco meses de operação do protótipo, o projeto será transferido para a produção pré-série, onde os dez STR’s serão usados pela primeira vez em operações diárias e realizarão atribuições de transporte de forma independente. “Na próxima fase de desenvolvimento, um sistema de câmera 3D permitirá uma navegação ainda mais precisa. O BMW Group lançou este projeto em conjunto com o Fraunhofer Institut IML em Dortmund”.

Para o apoio logístico para a equipe de funcionários, a companhia trabalha com óculos de dados de realidade aumentada, que sinalizam à pessoa que classifica as peças onde encontrar o item solicitado e onde colocá-lo. Em outro cenário, o uso de óculos de dados vai ainda mais longe: a parte para classificação é visualmente registrada pelos óculos de dados e é submetida a uma verificação de qualidade ótica.

Sustentabilidade
Focando em expandir continuamente a porcentagem de transportadoras eficientes em termos de CO2, uma medida é aumentar o transporte ferroviário. “Hoje, por exemplo, mais de 60% de todos os veículos novos saem de nossas fábricas por ferrovia”, disse a companhia.

Os trilhos também desempenham um papel importante no fornecimento das fábricas com materiais de produção. Por exemplo, um comboio com peças de veículos de Ratisbona e Leipzig que vão com o trem transiberiano para o norte da China duas vezes por semana, transportando cerca de 2.500 contêineres por ano com peças de veículos para Shenyang, a quase 11.000 quilómetros de distância. Com um tempo de trânsito de menos de 20 dias, estes comboios diretos são mais do dobro do que a combinação de transporte marítimo e transporta através do interior chinês, com aproximadamente as mesmas emissões de CO2. Usando os trilhos, é possível responder com antecedência às flutuações de produção e ordens de acompanhamento, sem necessidade de transporte aéreo. Esta opção de transporte alternativo reduziu significativamente os custos e as emissões de CO2 para entregas urgentes para as fábricas chinesas da empresa nos últimos anos.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Exportação CIF é a bola da vez

Com o reduzido valor do frete marítimo e o baixo custo do seguro de transporte, exportadores arriscam e assumem responsabilidade pela carga


O Brasil exporta aproximadamente US$ 200 bilhões por ano em diversos tipos de mercadorias. Tradicionalmente as vendas externas são feitas na condição de Incoterms FOB, na qual o vendedor encerra suas obrigações e responsabilidades com a entrega da mercadoria desembaraçada para exportação a bordo do navio no porto de embarque, deixando a responsabilidade pela contratação do frete e seguro para o comprador em seu país.

Entretanto, esse quadro começa a mudar. Com o reduzido valor do frete marítimo e o baixo custo do seguro de transporte oferecido pelo mercado brasileiro, é cada vez maior a exportação incluindo a cobertura de seguro para as mercadorias durante a viagem internacional. As empresas identificaram que para competir internacionalmente precisam buscar diferenciais de venda, e o seguro se apresenta como uma excelente oportunidade para a venda de suas mercadorias ao exterior. Com isso, vários exportadores intensificam suas vendas assumindo a responsabilidade por entregar as mercadorias com garantia de seguro no país do importador.

O seguro de transporte está previsto nas exportações com os termos de Incoterms CIF (Cost Insurance and Freight) usado apenas no transporte aquaviário e CIP (Carriage and Insurance Paid To) para os outros meios de transporte. Nesses termos, o vendedor se obriga a entregar a mercadoria com seguro cobrindo garantia básica mínima, segurar o valor de 110% e ter como beneficiário o comprador ou outro com interesse segurável. Nos termos DAP, DAT e DDP o seguro não é obrigatório, mas pode ser adquirido pelo exportador, tendo o importador como beneficiário.

Garantia básica mínima significa contratar o seguro com a “Cobertura Básica Restrita C”, a mais limitada de todas as coberturas disponíveis, que garante ao segurado os prejuízos que venha a sofrer em consequência de perdas e danos materiais causados às mercadorias durante o transporte internacional, exclusivamente quando decorrentes de acidentes envolvendo o veículo transportador aquaviário, aéreo ou terrestre. Não cobre, por exemplo, o extravio e roubo.

A recomendação é sempre contratar o seguro de transporte com a “Cobertura Básica Ampla A”, que cobre as perdas e danos de causa externa às mercadorias, como acidente, avaria particular, molhadura, incêndio, explosão, extravio e roubo, avaria grossa, operações de carga, entre outros riscos.

A exportação CIF representa vantagens expressivas para o exportador, dentre as quais destacam: diálogo local com as seguradoras; coberturas e taxas iguais ou até melhores que as praticadas no exterior; agilidade na liquidação de sinistros; possibilidade da cobertura desde o local do exportador; cobertura contra todos os riscos; isenção de franquia; e eliminação de riscos para o importador que não terá prejuízos em casos de sinistros durante a viagem.

Além de garantir as mercadorias, o seguro agrega valor ao negócio do exportador e lhe permite correr riscos com a segurança de não haver perdas financeiras por ocorrências durante o transporte, o que reflete positivamente em outras ações da empresa.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Brasil busca ampliar sua rede de acordos para aumentar integração no comércio internacional

Os acordos já em vigor e os que estão sendo negociados para ampliar as vendas ao exterior de produtos e serviços brasileiros, além de incentivar o fluxo de investimentos, foram tema de uma palestra do secretário de Comércio Exterior do MDIC, Abrão Neto, no seminário que reuniu empresários e autoridades para comemorar 40 anos da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), em São Paulo.

O secretário iniciou sua apresentação mostrando dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), que mostram que a maior parte das compras e vendas entre países é realizada com base em acordos comerciais. “Estamos buscando uma ampliação da nossa rede de acordos, hoje muito concentrada na América Latina e em temas tarifários. Além de novos parceiros, buscamos também ampliar os temas em negociação”, informou o secretário. Ele explicou que as novas negociações buscam avançar em temas como serviços, investimentos, compras governamentais, facilitação de comércio e convergência regulatória.

Segundo o secretário, é preciso cuidar de exigências técnicas, além de tratar apenas de tarifas. “Com os EUA, que é hoje o principal destino de exportações de manufaturados brasileiros, a tarifa média é baixa, cerca de três por cento. Por isso, estamos discutindo uma agenda de convergência regulatória e facilitação de comércio com o objetivo de reduzir entraves ao comércio bilateral”, declarou. Dentro dessa estratégia, o secretário citou o Memorando de Intenções sobre Normas Técnicas e Avaliação da Conformidade, assinado pelo MDIC e pelo Departamento de Comércio dos EUA, em 2015. O objetivo é estreitar as relações comerciais por meio da redução da burocracia e dos custos e prazos no cumprimento de exigências técnicas necessárias à atividade exportadora.

Outra frente importante de diversificação citada pelo secretário foram os Acordos de Cooperação e Faciltação de Investimentos (ACFI), já assinados com sete parceiros comerciais (Moçambique, Angola, México, Maláui, Colômbia, Chile e Peru) e com negociações concluídas com Índia e Jordânia. “O estoque de investimento brasileiro no exterior aumentou 5 vezes nos últimos 15 anos, na esteira do crescente processo de internacionalização de nossas empresas. Isto despertou novo interesse de se discutir acordos de investimento”, informou o secretário. Ele destacou também as principais diretrizes do ACFI que são melhoria da governança institucional, mitigação de riscos e prevenção de controvérsias. “Três ACFIS assinados já estão no Congresso Nacional. Uma vez aprovados, veremos a contribuição prática que estes acordos vão trazer”, finalizou.

Assessoria de Comunicação Social do MDIC

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A construção e os novos caminhos para a logística

Construção civil e eletrônicos serão cruciais para o setor de logística nos próximos 10 anos


Apesar de 2015 ter ficado marcado como o ano em que as coisas ficaram bem mais complicadas para as empresas globais de serviços logísticos, a especialista em projeções industriais do Euromonitor, Kristina Balciauskaite, acredita que alguns setores ainda poderão trazer a recuperação para o segmento.

“2015 foi difícil para as empresas de logística, diante do declínio global de 5%. Liderando a queda dos mercados, vimos os setores de varejo e atacado apresentarem resultados insatisfatórios, assim como a indústria de manufatura. Entretanto, a aceleração das economias asiáticas e do Pacífico, assim como a recuperação industrial da Europa Ocidental devem colaborar para que o setor de logística reverta essa situação nos próximos anos”, afirmou a especialista, em parecer divulgado pelo Instituto Internacional Euromonitor.

As quedas não pararam por aí. Segmentadas por região do globo, a indústria atingiu retrações recorde, como os 13% na Europa Ocidental e os 21% na Europa Oriental, com muito poucas perspectivas de recuperação para a indústria dirigida às vendas de atacado ou varejo. No Brasil, a indústria também teve um ano difícil: enquanto o PIB do país caiu 3,8%, a indústria despencou quase o dobro, segundo o IBGE: 6,2%. “No entanto, acreditamos de fato que as coisas podem melhorar a partir da recuperação das economias do Pacífico”, afirma Balciauskaite, referindo-se especialmente à China, Índia e Indonésia.

Ela aponta dois principais setores como cruciais para o segmento de logística: a manufatura (tanto o atacado quanto o varejo) e a construção, cada um dos quais representando cerca de 15% do faturamento dessa atividade. Enquanto a indústria manufatureira ainda deve continuar caindo, por uma série de fatores, que incluem a ascensão do e-commerce, a regionalização da produção, cadeias de suprimento cada vez mais complexas e a cultura dos grandes descontos, a construção tem um panorama bem melhor.

Kristina Balciauskaite estima que, com o crescimento de algumas das economias asiáticas, nos próximos anos, a construção deve crescer cerca de 7%, notadamente na China, Índia e Indonésia, e isso significa boas perspectivas para o segmento de logística, embora, com o aumento da urbanização, as operações tendam a ficar mais complexas.

Como exemplo, ela cita as indústrias de revestimentos, cerâmicas, pedras, metais não ferrosos e têxteis, que, em conjunto com o também crescente setor de eletrônicos, devem garantir ao setor de logística um crescimento de cerca de 9% nos próximos 10 anos.

Assim, a pesquisadora conclui: “apesar da previsão de que as empresas de logística devam continuar a sofrer os impactos da contínua diminuição da produção industrial, a construção e os eletrônicos devem ser os principais motores do setor de logística nos próximos 10 anos, garantindo a retomada do crescimento da atividade”.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A trompa da incerteza ressoou, acordando os incautos...

Parallaxis alerta: ainda que não visualizemos exatamente quais das promessas de Trump serão tornadas realidade, o cenário é perigoso


A vitória de Donald J. Trump na corrida presidencial americana pegou a todos de surpresa. Apesar de haver indicações de que a corrida estava muito apertada, muitos de nós se negaram a crer que tal resultado fosse muito provável de acontecer. Como decorrência de um mundo em transmutação se movendo da liderança política global unipolar para um mundo provavelmente de liderança multipolar, estamos atravessando o período do "Mundo G-0", de descoordenação política, e de desdobramentos outrora considerados impensáveis.

Trump foi eleito com uma plataforma baseada basicamente em (i) desregulamentação, (ii) cortes de impostos, (iii) retirada do Estado da economia e (iv) uma agenda fortemente antiliberal sobre o comércio internacional. E tudo isto, vendido com um discurso bastante inflamado e altamente populista, que encontrou na China seu grande inimigo externo, causador de todas as mazelas da economia norte-americana. Em seu primeiro discurso, o Republicano engrossou o coro sobre a necessidade de investimentos na infraestrutura americana como um recurso para voltar a crescer e gerar postos de trabalho, porém de forma muito vaga, anunciando um pacote de US$ 500 bi.

Confirmada a sua nomeação ao cargo de POTUS, o mundialmente nos demos conta de um possível corvo de batalha, sobrevoando nossas cabeças, e fazendo ressoar a Trompa de Heimdall que desperta os incautos. Fato é que ainda se desconhece parte do gabinete do futuro presidente, bem como quais de suas propostas que serão efetivamente colocadas em prática. E, em tempos de incerteza, a certeza que temos é de que os ativos de risco tenderão a sofrer com bastante volatilidade e desvalorizações, a medida em que os grandes fluxos de capitais buscam refúgios nos Campos Elísios do mundo desenvolvido.

Ainda que tenhamos argumentos que possam colocar o FED agindo de maneira mais cautelosa com os juros, daqui por diante, ou, pelo contrário, se tornando mais hawkish do que seriam em outro cenário, o que permanece é a incerteza. E, com esse véu, o interregno benigno em que se encontra o setor externo, citado pelo COPOM, deverá dar espaço a uma nova avaliação de risco, na qual o BCB entende ser necessário continuar cauteloso, mantendo o ritmo de queda da Selic em 25 pontos base em sua próxima reunião.

Em meio a essas mudanças conjunturais revisamos nosso cenário. Agora esperamos que o COPOM corte a Selic em 0,25 p.p. na última reunião de 2016, neste mês de novembro, levando-a a encerrar o ano em 13,75% a.a.. A partir do início do ano que vem, já com maior clareza sobre os desdobramentos desse mundo G-0, acreditamos que o comitê possa acelerar seu ritmo de corte, de maneira que a Selic encerre 2017 em 10,50% a.a.. Esse aumento no ritmo de redução dos juros é crucial para colocar a taxa de juros real em território menos contracionista e auxiliar a recuperação e o processo de desalavancagem do setor privado.

O baixo nível de atividade, confirmado pela piora dos indicadores de atividade, a distensão do mercado de trabalho e a queda dos salários reais, juntamente com o recuo dos preços de alimentos, já estão exercendo pressão deflacionária significante no curto e médio prazo. Além do mais, as expectativas de mercado para inflação seguem bastante comportadas e em trajetória de queda.

Aproveitamos também a oportunidade para rever nossas projeções de câmbio, que contam com uma moeda brasileira mais desvalorizada nos próximos períodos. Projetamos que o câmbio encerrará 2016 com a média de R$ 3,51 de anteriores R$ 3,46, e para 2017, a projeção da média do ano foi alterada de R$ 3,30 para R$ 3,41. Essas alterações no câmbio não trouxeram mudanças significativas em nosso cenário de inflação, de maneira que nossas projeções para o IPCA seguem em 6,9% para 2016 e 4,8% em 2017.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

9% classificam economia como boa, segundo Ipsos

Apesar de melhora, Brasil ainda mantém última posição em ranking econômico: a menor taxa em 25 países

A percepção dos brasileiros sobre a economia melhorou dois pontos percentuais em outubro, fechando o mês em 9%. A alta, porém, não foi o suficiente para tirar o Brasil da última posição num ranking de 25 países presente no levantamento The Economic Pulse of the World, realizado pela Ipsos mensalmente com 18.064 pessoas.

Desde setembro de 2015, a percepção econômica no Brasil não alcança a marca dos 10%, com exceção de agosto de 2016, mês de definição do processo de impeachment, quando 12% dos entrevistados classificaram a situação econômica atual do país como boa. No mês seguinte, o resultado retraiu e fechou setembro em 7%. A margem de erro é de 3.1 pontos percentuais.

O resultado brasileiro é distante da média global de 41% e destoa da taxa dos três países no topo do ranking. Lidera o levantamento a Índia, com 82% dos entrevistados que classificam a situação econômica indiana como boa, seguida por Arábia Saudita (80%) e China (76%).

Apesar do baixo percentual, a expectativa dos brasileiros para a situação econômica local é uma das mais otimistas do ranking. Para 59% dos entrevistados do país, a economia de sua região estará melhor nos próximos seis meses. O resultado é estável no comparado com setembro. Lidera o ranking da expectativa as Filipinas, com 68% dos entrevistados que dizem que a economia local estará mais forte nos próximos meses, seguida por Índia (62%) e Peru (60%). O Brasil está em quarto lugar.

Entre as regiões pesquisadas, a América do Norte tem a maior taxa dos que classificam a sua situação econômica atual como boa, com 51% dos entrevistados que acreditam nessa premissa. A região é seguida por Oriente Médio e África (50%), Ásia-Pacífico (48%), Europa (35%) e, por último, América Latina (28%). Já no quesito expectativa para os próximos seis meses, lidera o ranking a América Latina (49%), seguida por Oriente Médio e África (30%), América do Norte (23%) e Europa (11%).

O levantamento The Economic Pulse of the World é realizado pela Ipsos mensalmente na África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Hungria, Índia, Israel, Itália, Japão, México, Peru, Polônia, Rússia, Suécia e Turquia. A tomada mais recente do estudo foi feita entre 23 de setembro e 7 de outubro.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Para donas de rodovias, arbitragem é insuficiente para rever prazo de obra


Concessionárias de rodovias reclamam da falta de uma previsão para revisão dos cronogramas de obras na medida provisória que regula o tema.

As empresas querem poder renegociar a obrigação de duplicação das vias em um prazo de cinco anos – exigência do governo federal introduzida nos leilões realizados em 2013.

No entendimento da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), a arbitragem – uma das novidades que a MP deve trazer – pode ser um meio de rever esse cronograma. O mecanismo, porém, levaria de um a dois anos para chegar a uma decisão, prazo excessivamente longo, na visão da entidade.

Por isso, elas pressionam o governo para que a redação da medida preveja explicitamente a revisão dos prazos de duplicação das vias.

A justificativa para o pedido é a escassez de recursos para o financiamento dessas obras. Parte dos empréstimos subsidiados prometidos pelo governo não saiu, enquanto o custo do capital disponível no mercado subiu em um cenário de crise e aumento das taxas de juros.

“A manutenção dos contratos que já estão em operação precisa ser melhorada. As concessionárias estão fazendo os investimentos hoje, mas se existe uma obrigação contratual de continuar investindo em um ritmo acelerado e essa obrigação não tem um aporte de financiamento correspondente, ela não será feita”, diz Flávio Freitas, diretor técnico da ABCR.

Assim, o setor demanda que a medida provisória garanta a possibilidade de ampliar o prazo para realização das obras ou mesmo suspendê-las, caso o tráfego não justifique uma ampliação da via. A análise seria feito caso a caso.

A proposta é semelhante ao modelo que deve ser adotado para as novas concessões rodoviárias, que prevê a realização de obras conforme a necessidade, determinada pelo fluxo de veículos.

Segundo Freitas, a entidade tem se reunido com o governo para negociar a proposta. “Continuamos esperançosos de que aquilo que sugerimos seja considerado”, afirma.

Fonte: Folha de S. Paulo

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Pelo 2º mês consecutivo, Porto Alegre tem a cesta básica mais cara do país

Capital gaúcha é seguida por Florianópolis e São Paulo, respectivamente. Menores valores foram observados em Natal e Recife

A capital gaúcha voltou a ocupar o primeiro lugar no ranking do preço da cesta básica, como ocorreu em setembro. De acordo com a pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada nesta segunda-feira, Porto Alegre tem a cesta básica mais cara entre as 27 capitais brasileiras, custando R$ 478,07. Na sequência, aparece Florianópolis (R$ 475,32) e São Paulo (R$ 469,55). Os menores valores médios foram observados em Natal (R$ 366,90) e Recife (R$ 373,66).


O custo da cesta básica, porém, está menor em 14 capitais. Entre as cidades que tiveram quedas mais expressivas estão Brasília (-5,44%), Teresina (-1,77%), Palmas (-1,76%) e Salvador (-1,66%). Houve alta em 13 capitais, sendo Florianópolis (5,85%), Vitória (3,19%), Porto Velho (2,18%) e Maceió (2,12%) os destaques.

Entre janeiro e outubro deste ano, todas as cidades acumularam alta, sendo as mais relevantes em Maceió (24,25%), Aracaju (23,69%), Rio Branco (21,99%) e Fortaleza (21,21%). Os menores aumentos ocorreram em Brasília (9,58%), Curitiba (10,52%) e Macapá (10,99%).

Entre os tipos de alimento, houve alta no preço da carne bovina de primeira, da manteiga, do açúcar, do tomate e do café em pó. O feijão e o leite tiveram o valor reduzido na maior parte das cidades.

Segundo o estudo, o salário mínimo ideal para a manutenção de uma família de quatro pessoas em outubro deveria ser R$ 4.016,27, ou 4,56 vezes o mínimo vigente de R$ 880. Em setembro, o mínimo necessário correspondeu a R$ 4.013,08.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Donald Trump é eleito novo presidente dos Estados Unidos

Oito anos depois da era Barack Obama, a maior potência militar do planeta volta para as mãos dos republicanos.

Acompanhada sob clima de tensão como poucas eleições na história dos EUA, a apuração indicou, às 5h30min desta quarta-feira, que, ao conquistar pelo menos 277 delegados no colégio eleitoral, o bilionário Donald Trump, 70 anos, foi eleito o 45º presidente americano. Oito anos depois da era Barack Obama, a maior potência militar do planeta volta para as mãos dos republicanos. As projeções também indicavam que os republicanos manteriam o controle do Senado e da Câmara dos Deputados.

Em sua primeira mensagem como presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump disse que será o presidente “de todos os americanos”, e se comprometeu a tratar com justiça todos os países. Cercado por seus familiares, o novo presidente americano disse que sua adversária, Hillary Clinton, o telefonou para felicitá-lo por sua vitória e disse que os Estados Unidos têm uma “dívida de gratidão” com ela.

Hillary Clinton, 69 anos, do Partido Democrata, que preparava uma festa de vitória no centro de convenções do Jacob K. Javits, conquistou ao menos 218 delegados. Antes do fim da apuração, militantes já haviam deixado o local, frustrados. Em frente ao Rockefeller Center, em Nova York, o clima era de decepção. Alguns eleitores levavam a mão à boca, não acreditando. Outros, abraçados a bandeiras dos EUA, choraram. Trump não é um republicano tradicional. Pelo contrário, fez campanha apresentando-se como um outsider, um não político — a rejeição de velhos caciques do partido até pode ter ajudado. E essa descrença dos americanos na política tradicional reverberou como música nos ouvidos dos eleitores indecisos, especialmente a classe média.

Além disso, o megabilionário do ramo imobiliário abusou do seu estilo showman para tentar conquistar os americanos. A vitória de Trump começou a se desenhar há duas semanas, quando o FBI voltou a questionar o uso por Hillary de um servidor privado para troca de e-mails sigilosos à época em que era secretária de Estado de Barack Obama. O órgão acabou liberando a ex-senadora de nova investigação mas o estrago já estava feito. E se mostrou muito tarde para recuperação.

Nem a tropa de choque democrata, com Obama, Michelle, Bill Clinton e a filha Chelsea, foi suficiente para virar o jogo. Nesta madrugada, a derrota de Hillary começou a se consolidar quando perdeu na Flórida, decisivo para chegar à Casa Branca. Em seguida, Trump venceu também em Ohio e Carolina do Norte. O golpe fatal no sonho de Hillary foi quando ela perdeu na Pensilvânia. À medida que a apuração indicava a possibilidade de vitória de Trump houve uma onda de turbulência nos mercados mundiais.

Na Ásia, as bolsas tinham recuos significativos — Tóquio fechou em queda de 5,36% e Hong Kong recuava 2,8%. O índice futuro do S&P500, que indica como a Bolsa de Nova York deveria reagir na abertura do pregão, caía 4%. Uma das moedas mais afetadas era o peso mexicano, que despencava cerca de 10% em relação ao dólar em razão do temor de que Trump acabe com o acordo de livre comércio dos Estados Unidos com o país vizinho.

Baixaria da campanha extrapolou para urnas
Acompanhada do marido, Bill, Hillary votou cedo da manhã, na localidade de Chappaqua, onde o casal tem uma residência de fim de semana. Depois do vermelho do grande comício de encerramento da campanha na segunda-feira na Filadélfia, ontem ela usava tons pastéis. A ex-senadora cumprimentou mesários e disse que estava muito feliz. De terno escuro e gravata azul, Trump votou no final da manhã, em Nova York. O momento de registrar seu voto teve tom jocoso, a exemplo de sua campanha, que misturou momentos de descontração, bizarrices e acusações sem provas. Na urna eletrônica, antes de votar, Trump foi flagrado por câmeras de TV dando uma espiadinha no voto da mulher, Melania, que estava na urna ao lado. Virou meme.

O momento de descontração parou por aí. O casal foi vaiado ao sair do centro de votação. A baixaria da campanha extrapolou para as urnas. Alguns democratas reclamaram de terem sido hostilizados nas filas de votação por simpatizantes de Trump. O 8 de novembro foi o ponto final de uma das campanhas mais sujas da história americana – com trocas de acusações verbais e cada um dos candidatos lançando mão de estratégias para desqualificar o adversário. Antes do fim do dia, Trump denunciou fraudes, sem provas. Pedido na Justiça para revisão da votação em Nevada foi rejeitado.

Fonte: Zero Hora

Greve dos auditores gera prejuízo de R$1 bilhão para o Porto de Santos

Ao menos 10 mil contêineres retidos e R$ 1 bilhão em prejuízo na arrecadação. Este é o impacto gerado pela paralisação e operação padrão dos auditores da Receita Federal no Porto de Santos. A categoria, que reivindica o cumprimento de acordo com o Governo Federal, fará greve no dia 09/11 e nos três primeiros dias da próxima semana. 

O novo protesto, iniciado ontem, foi aprovado em assembleia no último dia 27. De acordo com o Sindifisco, entidade que representa a categoria, os atos chegam ao quarto mês e ocorrem por modificações nas propostas para o Projeto de Lei 5.864/16, que trata da recomposição salarial e da regularização de normas de autonomia dos auditores. 

O prejuízo é estimado para a somatória de 10 dias de greve já realizados em outubro (8, 19, 20, 25 e 26) e dos deste mês (1, 3, 8, 9 e 10), segundo o presidente da entidade em Santos, Renato Tavares. A categoria permanecerá nesta mobilização até que o Governo cumpra o acordo – que está parado no Congresso – contra as mudanças na lei. 

Tavares explica que, durante a paralisação, as cargas são fiscalizadas por amostragem e, após o período, são liberadas “paulatinamente”, o que gera atraso. Ele garante, entretanto, que aqueles carregamentos considerados especiais e essenciais são liberados mesmo durante os dias de manifestação.

Segundo o Sindifisco, em dias normais, entre 1 mil e 2 mil contêineres são fiscalizados no Porto de Santos. Além de atravancar as áreas de armazenagem dos terminais do cais santista e gerar prejuízo da arrecadação, Renato fala que o ato provoca desabastecimento da indústria nacional.

Segundo o presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos (SDAS), Nívio Perez dos Santos, as declarações de importação deixaram de ser liberadas em três dias para serem em até 12 dias. “É certo que há prejuízo com o aluguel de contêineres e terminais, já que em muitos casos é necessário tomar um segundo aluguel”, diz.

Para o diretor-executivo do Sindicato das Agências de Navegação Marítima de São Paulo (Sindamar), José Roque, os navios graneleiros são os mais afetados. “As autorizações de inspeção na Barra não estão sendo feitas. O prejuízo já atinge R$ 3,2 milhões (U$ 1 milhão), custo absorvido pelo exportador e comprador”.

Em Santos, de acordo o Sindifisco, trabalham aproximadamente 180 Auditores: 120 na Alfândega e 60 na Delegacia da RF. A estimativa é que 90% participe da paralisação, com pelo menos 30% se mantendo disponível para emergências. 

Fonte: A Tribuna

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Operando em queda com decisão favorável a Hillary, dólar fecha a R$ 3,20

FBI inocentou a candidata democrata à presidência americana na ação de quebra de sigilo de e-mails oficiais durante o período em que esteve no governo

O dólar operou em baixa ao longo de toda esta segunda-feira, chegando a ser vendido a R$ 3,1916 por volta das 12h40min. No fechamento, a moeda americana registrava queda de 0,82%, cotada a R$ 3,2045. Na contramão, a Bolsa de Valores fechou com alta de 3,98%, em 64.051 pontos.

O movimento reflete a decisão do FBI — a polícia federal norte-americana — de inocentar a candidata democrata à presidência americana, Hillary Clinton. O FBI informou ao Congresso que examinou todas as mensagens de e-mails de Hillary e concluiu que não foram encontrados e-mails confidenciais sobre o governo durante o período em que ela foi secretária de Estado dos Estados Unidos, de 2009 a 2013. A denúncia havia abalado seriamente a campanha da democrata.

Em resposta à manifestação do FBI, o candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, Donald Trump, disse que duvida que a agência de investigação tenha concluído o exame de todas as mensagens em apenas oito dias.

— Não se pode examinar 650 mil novos e-mails em oito dias — disse Trump, na cidade de Sterling Heights, subúrbio de Detroit, estado de Michigan, onde faz campanha.

Com esse esclarecimento, o FBI coloca um fim nas especulações sobre um possível crime relacionado à quebra de sigilo de mensagens oficiais durante o período em que Hillary esteve no governo. A decisão favorável à democrata é importante às vésperas da votação e renova as esperanças do partido para a possível eleição de Hillary.

Fonte: Agência Brasil e Zero Hora

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Remessa de lucro desaba, investimento é recorde

Montadoras enviaram apenas US$ 38 milhões, mas recebem US$ 4,1 bilhões


As remessas de lucros oficiais dos fabricantes de veículos instalados no Brasil às suas matrizes no exterior desceram este ano ao mais baixo patamar histórico das últimas duas décadas. Segundo dados contabilizados pelo Banco Central na semana passada, de janeiro a setembro deste ano as empresas remeteram apenas US$ 38 milhões, 75% abaixo dos US$ 154 milhões enviados no mesmo período de 2015, que já foi um ano ruim – apenas uma pequena fração dos dividendos bilionários remetidos em anos recentes, com o pico recorde de US$ 5,7 bilhões registrado em 2011 (veja evolução das remessas no gráfico abaixo). 

A queda acentuada e continuada das vendas de veículos no mercado brasileiro impactou severamente os resultados locais das empresas e inverteu a mão do fluxo de recursos, que desde o ano passado passaram a vir com maior intensidade das matrizes para sustentar suas subsidiárias no país. Para fazer frente a todos os investimentos prometidos em fábricas e desenvolvimento de produtos nos anos de crescimento econômico, o volume de investimentos estrangeiros diretos (IED) recebidos por fabricantes de veículos vem batendo recordes de alta. 

De janeiro a setembro os investimentos diretos recebidos pelas montadoras no país soma US$ 4,1 bilhões, cifra que supera em impressionantes 177% o valor recebido no mesmo período de 2015. Este ano, é o setor que mais recebeu recursos a título de IED. 

Outra forma que as matrizes usam para ajudar as subsidiárias no país são os empréstimos intercompanhia, quase sempre com juros inferiores aos de mercado. Este ano, até setembro, as montadoras no Brasil receberam US$ 3,8 bilhões, valor apenas 3,7% superior ao do mesmo período do ano passado, de US$ 3,7 bilhões. Contudo, o setor foi o que mais pagou esses financiamentos, com remessas de US$ 4,1 bilhões que significam crescimento de 131% em relação aos mesmos nove meses de 2015. Com isso, o saldo da conta de empréstimos ficou negativo no Brasil em US$ 318 milhões.

Por PEDRO KUTNEY, AB

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Chegando ao fim ou nem começou?

Na medida em que o ano vai se aproximando dos seus momentos finais, todos os setores da economia brasileira – e mundial – começam a questionar se estamos fechando um ciclo econômico de grandes dificuldades e profundas mudanças, ou se ele apenas começou.

Na navegação mundial, fecharemos 2016 com marcos históricos. A abertura da expansão do Panamá trouxe ao Caribe a possibilidade de receber grandes navios e participar das tendências mundiais de aumento das embarcações. A nova eclusa de Antuérpia permitiu ao porto uma movimentação muito mais eficiente e acesso a novos mercados na Europa. Apesar da diminuição nos preços do petróleo, o que afetou a indústria árabe, os portos da região do Oriente Médio galgaram posições no comparativo mundial de terminais de containers. A próxima prova por que passará o mercado global da navegação serão as novas alianças, quando as companhias serão reorganizadas em três grandes grupos de armadores mundiais, a partir de abril de 2017.

Mas o ano não vem sendo caracterizado apenas por ganhos e expansões. Pelo contrário, testemunhamos a quebra de um dos principais armadores mundiais, com disputas sobre ativos parados, distribuídos nos quatro cantos do mundo, dada a insolvência da companhia diante de seus credores. Tivemos destruições significativas decorrentes do furacão Matthew, que prejudicaram a cadeia de suprimentos no Caribe e na América do Norte, além de ataques terroristas aos aeroportos, levando a Europa a reconsiderar todo o controle de segurança dentro da Comunidade Europeia.

Assistimos à votação do Reino Unido pela saída da União Europeia, gerando tantas expectativas quanto incertezas sobre as relações comerciais internacionais e a estrutura de acesso ao mercado europeu, e incentivando outras economias a seguir o mesmo caminho. Aguardamos o desfecho de capítulos complicados da história, como as ideias de “desglobalização”, uma certa recentralização da produção e do consumo e a transferência dos mercados para as plataformas digitais.

Na tentativa de recuperar mercados perdidos, acompanhamos quedas bruscas de tarifas de frete, de serviços, de contratos, e, ainda assim, vemos as empresas enfrentando cada vez mais dificuldades de cumprir seus compromissos e ajustar-se às novas tendências que vêm redesenhando fluxo mundial de cargas.

Enquanto isso, os portos brasileiros, apesar de investirem como podem em infraestrutura, dragagem e parametrizações ambientais para atender ao mercado internacional, ainda não são vistos pelo mundo como capazes de absorver as novas tendências de grandes embarcações. Tampouco a situação política brasileira permitiu que o país conquistasse qualquer tipo de credibilidade no comércio mundial, apesar das últimas tentativas do atual governo em prol do comércio exterior. Mesmo com as operações anticorrupção que alardeiam mundo afora a noção de que o Brasil começou a combater os esquemas de corrupção, a credibilidade do país ainda é uma luz no fim de um túnel de longa quilometragem. Já é novembro, e as ruas começam a brilhar com luzes de natal; o que significa que, mais uma vez, ficou para a próxima.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Raio-X do comércio exterior no mundo

Enquanto uso da tecnologia na gestão do comércio exterior se tornou item essencial, regulamentação do comércio exterior continuará complexa

Estudo realizado pela Thomson Reuters e KPMG com mais de 1.700 profissionais de empresas multinacionais sediadas em trinta países traçou os desafios do comércio exterior no mundo. O Brasil foi o segundo país em número de respondentes em todo o mundo e o primeiro na América Latina.


A edição 2016 da pesquisa revelou que 53% das empresas ouvidas consideram o uso da tecnologia como item essencial para melhorar seus programas de compliance comercial. A pesquisa também constatou que a maioria dos departamentos de comércio e supply chain não contam com os sistemas e processos necessários para maximizar o uso de incentivos, reduzir a complexidade na classificação fiscal de mercadorias e automatizar tarefas num mercado global altamente dinâmico.

De acordo com a pesquisa processos manuais continuam a frear as equipes de comércio exterior, aumentando os riscos de compliance: entre eles, auditorias, perdas de economia e custos de oportunidades. Apenas 34% dos entrevistados afirmam estar usando atualmente um sistema de gestão de comércio global para qualquer aspecto de atividades de importação/exportação, apesar de estarem cientes da necessidade de automatização; 53% dos entrevistados menciona a tecnologia como um elemento fundamental para o aprimoramento de suas atividades.

Administrar o processo de precificação de transferência foi considerado um desafio para 93% dos entrevistados; 59% disseram que suas empresas não têm um processo formal para o alinhamento do estabelecimento de preços de transferência e da avaliação alfandegária

(...)

Na América Latina e Brasil, que representou 77% dos respondentes da região, os três principais desafios de comercio exterior apontados pelos profissionais foram: requisitos complexos e inconstantes das autoridades locais; interpretação e comunicação de requisitos regulatórios em diferentes locais e países e falta de sistemas automatizados.

Menotti Franceschini, diretor da área de negócios de Comércio Exterior da Thomson Reuters no Brasil, recordou ainda que considerando a população, área e PIB, a participação do Brasil no comércio exterior é inexpressiva. “As exportações representam menos de 12% do PIB, e sua participação nas exportações mundiais é de apenas 1%, algo totalmente incompatível com o potencial da 9ª maior economia global”, disse.

E lembrou que o comércio exterior tem papel fundamental na retomada da competitividade da economia brasileira. “E os resultados da pesquisa comprovam que há muita margem para melhorar os processos e a gestão das exportações, principalmente relacionadas ao uso de regimes especiais e adoção de FTAs”, conclui o executivo.


Fonte: Kamila Donato