segunda-feira, 31 de outubro de 2016

As razões para a vitória de Marchezan em Porto Alegre

Uma campanha gestada na cabeça de marqueteiros experientes e marcada pelo descolamento da política tradicional conduziu Nelson Marchezan Júnior (PSDB) à vitória em sua segunda eleição para prefeito de Porto Alegre. Desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, avalizado por multidões de insatisfeitos que tomaram conta das ruas das principais cidades do Brasil vestindo camisetas da Seleção Brasileira e rejeitando a esquerda, a avaliação de especialistas políticos era de que o terreno estava fértil para mudanças.

Nas maiores capitais do país, foi isso que ocorreu. Em São Paulo, os paulistanos optaram pelo empresário João Dória (PSDB), no Rio, pelo bispo Marcelo Crivella (PRB), em Belo Horizonte, pelo ex-dirigente de futebol Alexandre Kalil (PHS) e, em Porto Alegre, por Marchezan.





Em todas as disputas, candidatos que simbolizavam a continuidade de um projeto foram derrotados pelas urnas. Isso confirmou a percepção dos marqueteiros da campanha tucana, que investiram no discurso de mudança e conseguiram emplacar a tese, mesmo com o PSDB e o PP, os cabeças da chapa, tendo integrado a administração municipal liderada por José Fortunati (PDT) com o vice e concorrente de Marchezan, Sebastião Melo (PMDB).

— A gente sabia que a população tinha muitas ressalvas ao governo atual e queria mudança. Procuramos mostrar que Marchezan e Paim são políticos diferentes, que têm características que os credenciam para serem os protagonistas dessa mudança — explica a jornalista Tânia Moreira, que liderou o marketing da campanha, também sob conselhos dos publicitários Alfredo Fedrizzi e Fábio Bernardi.

Ciente do perfil explosivo e temperamental do deputado, a coordenação da campanha decidiu não tentar dourar a pílula e, sim, mostrar Marchezan como ele é. Logo no início da propaganda eleitoral, o próprio candidato admitiu a falta de paciência com determinadas situações da política, mas conseguiu incutir isso na mentalidade dos eleitores de maneira positiva.

Sou pavio-curto, sim. Pavio-curto com a corrupção, com a insegurança, com a falta de creches, com a falta de atendimento na saúde — repetia o tucano.

Além de direcionar críticas ao principal adversário, Melo, chamado de "vice-prefeito" para ressaltar o seu envolvimento com a atual gestão, Marchezan apostou em um tripé de propostas para três áreas: segurança pública, saúde e geração de empregos. Conquistou amplo apoio entre os empresários e, apesar de envolver-se em polêmicas com servidores e taxistas por declarações no passado, o desgaste não foi suficiente para impedir a eleição.

A estratégia da propaganda de TV, considerada a principal responsável pela vitória de Marchezan segundo pessoas próximas, também mostrou-se exitosa. Nas últimas semanas, o tucano abandonou as gravatas (como no debate da RBS TV na última sexta-feira) e reforçou um estilo mais despojado, em contraponto ao adversário.

— O caminhar em direção às câmeras e a ideia de fazer tudo na rua nos ajudou muito, porque ao mesmo tempo em que estávamos gravando, aproveitávamos para fazer agenda e conversar com os eleitores — afirma Tânia.

Sem dispor de militância numerosa, dado o pequeno tamanho do PSDB em Porto Alegre, que elegeu apenas um vereador nesta eleição, Marchezan teve como aliado fundamental o PP, que tem estrutura maior na cidade. Na reta final, recebeu o reforço do PTB, partido que está no governo Fortunati. Ao lado do deputado estadual Maurício Dziedricki, quarto colocado no primeiro turno, o tucano percorreu vilas da Capital onde os petebistas têm redutos eleitorais importantes. Assim, ampliou a vantagem sobre Melo.

Para quem convive e trabalha com Marchezan no dia a dia, a impressão é de que o político polêmico e com dificuldades para entender-se até mesmo como os próprios companheiros de sigla alcançou a maturidade ao longo da campanha eleitoral. Agora, no comando da prefeitura e assoberbado pela tarefa de comandar uma cidade em dificuldades financeiras e repleta de demandas, é que isso será colocado à prova.

Fonte: Zero Hora

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Eduardo Cunha é fator de preocupação para economia

Eventuais revelações do deputado cassado podem comprometer estabilidade política do governo de Michel Temer

Considerado um dos aspectos que ajudaria a tirar o Brasil da recessão, a estabilidade política em torno do governo Michel Temer ganhou ameaça potencial com a prisão do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nos bastidores, a especulação é de que o deputado cassado, em um possível processo de delação premiada, possa comprometer Temer ou auxiliares mais próximos em casos de corrupção e, com isso, voltar a causar turbulência em Brasília.

Essa hipótese, caso venha a se materializar, teria o potencial de enfraquecer o governo e atrapalhar as negociações com o Congresso na votação de iniciativas relacionadas ao ajuste fiscal, como a reforma da Previdência, admite Paulo Picchetti, economista da FGV.

Considerado um dos aspectos que ajudaria a tirar o Brasil da recessão, a estabilidade política em torno do governo Michel Temer ganhou ameaça potencial com a prisão do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nos bastidores, a especulação é de que o deputado cassado, em um possível processo de delação premiada, possa comprometer Temer ou auxiliares mais próximos em casos de corrupção e, com isso, voltar a causar turbulência em Brasília.

Essa hipótese, caso venha a se materializar, teria o potencial de enfraquecer o governo e atrapalhar as negociações com o Congresso na votação de iniciativas relacionadas ao ajuste fiscal, como a reforma da Previdência, admite Paulo Picchetti, economista da FGV.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Aduanas em ritmo “tartaruga”

Auditores fiscais voltam a paralisar atividades, comprometendo movimentação em portos e aeroportos



Os auditores e técnicos fiscais da Receita Federal voltaram a paralisar suas atividades ontem, quarta–feira (26) em todo o País. Diferente da briga que girava em torno somente da recomposição salarial, a categoria dessa vez também se coloca contra a articulação envolvendo o Projeto de Lei (PL) 5864/16, que trata sobre a carreira tributária e aduaneira da Receita Federal do Brasil. Eles reclamam que o texto sofreu mudanças que prejudicariam os profissionais.

De acordo com o sindicato, a paralisação foi motivada pelo teor do relatório do projeto de lei – que ainda está em análise na Câmara dos Deputados – o qual, segundo a categoria, teve o texto alterado, "desvirtuando o acordo obtido junto ao Governo Federal em março de 2016". Para os auditores, as mudanças desmontam a estrutura funcional dos cargos e geram confusão administrativa.

Com a paralisação, as consequências ficam para as aduanas de portos, aeroportos e zonas de fronteira, que têm operação padrão (ou "tartaruga") na zona primária, e paralisação da zona secundária.

Este é o caso do Porto de Santos, onde a paralisação é completa e, durante o período de greve, serão liberados somente cargas vivas, perigosas, medicamentos, perecíveis, urnas funerárias e fornecimento de bordo no cais santista.

No aeroporto de Guarulhos, no começo da manhã de ontem, a operação, que era padrão, passou a ser “tartaruga” no final da tarde. Já nas aduanas, não há greve e os trabalhos seguem, porém, em operação-padrão, com aumento do rigor na fiscalização e, consequentemente, maior lentidão. Tanto para greve como para operação-padrão, a adesão dos trabalhadores é de 90%.

Fonte: Guia Marítimo

Mercado reduz previsão de inflação e espera recuo maior do PIB

Após o Banco Central ter reduzido a Selic (a taxa básica de juros da economia) e atualizado suas projeções de inflação, os economistas do mercado financeiro também reduziram suas previsões para os índices de preços em 2016 e 2017. O Relatório de Mercado Focus, mostra que a mediana das expectativas para o IPCA - o índice oficial de inflação - este ano passou de 7,01% para 6,89%. Há um mês, estava em 7,25%. Já a projeção para o índice no ano que vem foi de 5,04% para 5,00%. Há quatro semanas, apontava 5,07%.

Em sua decisão de política monetária, o BC reduziu a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano. Além disso, condicionou cortes maiores a uma inflação menor no setor de serviços e ao avanço do ajuste fiscal. A instituição também atualizou suas projeções para a inflação nos próximos anos, pelo cenário de referência: 7,0% em 2016, 4,3% em 2017 e 3,9% em 2018. Já o IBGE informou na sexta-feira que o IPCA-15 de outubro subiu 0,19%, o que é a menor taxa para o mês desde 2009. No ano, a alta acumulada é de 6,11% e, em 12 meses, de 8,27%

(...)

Entre os índices mensais mais próximos, a estimativa para outubro passou de 0,35% para 0,30%. Um mês antes, estava em 0,40%. No caso de novembro, a previsão do Focus foi de 0,45% para 0,40%. Há quatro semanas, era de 0,46%. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de setembro, o BC havia apresentado suas estimativas mensais para o IPCA: 0,40% para outubro e 0,45% para novembro.

O Relatório de Mercado Focus mostrou leve mudanças nas projeções para os preços administrados deste e do próximo ano. A mediana das previsões do mercado financeiro para o indicador em 2016 caiu de 6,03% para 6,00%. Para o próximo ano, a mediana foi de alta de 5,30% para avanço de 5,28%. Há um mês, o mercado projetava aumento de 6,20% para os preços administrados em 2016 e elevação de 5,45% em 2017.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na última semana de setembro, o BC projetou que os preços administrados terminarão 2016 com alta de 6,2%, tanto no cenário de referência - que na época utilizava uma Selic a 14,25% e o câmbio a R$ 3,30 - quanto no de mercado.

Previsão de retração do PIB em 2016 passa de 3,19% para 3,22%
A projeção de atividade econômica no país em 2016 apresentou mudança para pior. Pelo documento, as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano passaram de retração de 3,19% para queda de 3,22%. Há um mês, a perspectiva era de recuo de 3,14%.
Essa piora nas previsões para o PIB surge após o Banco Central divulgar, na semana passada, seu Índice de Atividade (IBC-Br), que recuou 0,91% em agosto ante julho. O indicador também atingiu o menor nível desde dezembro de 2009.

Para 2017, o Focus mostra que a percepção também piorou. O mercado prevê para o País um crescimento de 1,23% no próximo ano, abaixo do 1,30% projetado uma semana e um mês antes.

No segundo trimestre de 2016, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB brasileiro recuou 0,6% ante o primeiro trimestre do ano e teve retração de 3,8% ante o segundo trimestre de 2015. No ano, o PIB acumula baixa de 4,6% e, em 12 meses, recuo de 4,9%. No Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do fim de setembro, o Banco Central atualizou suas projeções para o PIB. No caso de 2016, foi mantida a expectativa de recuo de 3,3%. Para 2017, a projeção do BC é de alta de 1,3%.
No relatório Focus divulgado, as estimativas para a produção industrial seguem indicando um cenário difícil. A queda prevista para este ano permaneceu em 6,00%. Para 2017, a projeção de alta da produção industrial seguiu em 1,11%. Há um mês, as expectativas para a produção industrial estavam em recuo de 5,93% para 2016 e alta de 1,00% para 2017.

Já as projeções para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para este ano passaram de 45,00% para 44,90% no Focus. Há um mês, estava em 44,90%. Para 2017, as expectativas no boletim Focus foram de 49,90% para 49,70%, ante projeção apontada um mês atrás de 49,50%.

Em meio à queda acumulada do dólar em 2016, de cerca de 20%, os economistas do mercado financeiro alteraram suas projeções para o saldo da balança comercial em 2016 e 2017. A estimativa de superávit comercial este ano caiu de US$ 49,00 bilhões para US$ 48,06 bilhões, ante US$ 50,00 bilhões de um mês antes. Na estimativa mais recente do BC, o saldo positivo de 2016 ficará em US$ 49 bilhões.

Para 2017, as projeções de superávit comercial do mercado financeiro permaneceram em US$ 45,00 bilhões de uma semana para outra - ante US$ 46,83 bilhões de um mês antes. No caso da conta corrente, as previsões contidas no Focus para 2016 foram de déficit de US$ 17,10 bilhões para resultado negativo de US$ 18,00 bilhões. Há um mês, o rombo projetado estava em US$ 15,90 bilhões. Para 2017, o mercado alterou a estimativa de saldo negativo nas contas externas de US$ 24,80 bilhões para US$ 25,00 bilhões. Um mês atrás, o déficit projetado era de US$ 24,23 bilhões. Na última semana de setembro, o BC informou que, de janeiro a agosto deste ano, o País acumulou déficit na conta corrente de US$ 13,119 bilhões. Já a projeção da instituição para o déficit em conta em 2016 é de US$ 18,0 bilhões.

Para os analistas consultados semanalmente pelo BC, o ingresso de Investimento Direto no País (IDP) será mais do que suficiente para cobrir o resultado deficitário neste e no próximo ano. A mediana das previsões para o IDP em 2016 permaneceu, no Focus, em US$ 65,00 bilhões de uma semana para a outra - mesmo patamar de um mês antes. No acumulado deste ano até agosto, o IDP somou US$ 41,101 bilhões e a previsão do BC é que a cifra chegue a US$ 70,00 bilhões até o fim de 2016.

Para 2017, a perspectiva de volume de entradas de investimento direto, de acordo com o Focus, passou de US$ 65,45 bilhões para US$ 68,00 bilhões. Quatro semanas atrás, estava em US$ 65,00 bilhões.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Auditores fiscais anunciaram mobilização na manhã desta terça-feira (25).

Tempo para despacho de mercadorias passará de cinco dias para um mês.

Os auditores da Receita Federal em Pernambuco realizam uma paralisação nesta terça (25) e na quarta (26). De acordo com o Sindifisco no Recife, não haverá trabalho nas repartições. A fiscalização de cargas nos Portos do Recife e de Suape, em Ipojuca, na Região Metropolitana, será a mais prejudicada. O tempo para despacho passará de cinco dias para um mês. 

Uma assembleia está marcada para a quinta-feira (27) para decidir se os auditores continuarão ou não com a mobilização. O atendimento a passageiros do Aeroporto Internacional dos Guararapes/Gilberto Freyre não terá impacto com a ação. 

Vamos agilizar os trabalhos apenas em casos raros, como cargas perecíveis, e com prazos urgentes. Vamos olhar todas as cargas, uma por uma. Geralmente, fiscalizamos por amostragem, pois sabemos que não é necessário olhar todas”, adiantou o presidente do Sindifisco no Recife, Luiz Carlos de Queiroz. 

Procurada pelo G1, a assessoria de imprensa da Receita Federal em Pernambuco informou que não comentará sobre a paralisação dos auditores fiscais.

A paralisação é em resposta a uma alteração feita no Projeto de Lei 5864, que dá aos analistas tributários algumas funções que antes eram apenas dos auditores, como o lançamento de tributos. O presidente do Sindifisco acredita que o texto abre um espaço para que os analistas reivindiquem, no futuro, uma posição como auditores.

“Essa é uma resposta ao deputado Wellington Roberto [PR] que mexeu num texto que já estava acordado com os auditores. Espero que essa mobilização instigue o governo a fazer algo”, pontuou. Segundo a categoria, todos os 220 auditores fiscais no estado aderiram ao movimento. 

Sindireceita
Diretor de assuntor jurídicos do Sindicato Nacional dos Analistas-Tributários da Receita Federal (Sindireceita), Thales Freitas questionou a informação sobre o Projeto de Lei abrir espaço para a categoria reinvidincar a posição dos audirores. 

"Basta comparar a lei que atualmente regulamenta as atribuições dos cargos de Auditor-Fiscal e de Analista-Tributário, ambos integrantes da Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil, Lei 10.593/2002, para perceber, facilmente, que nenhuma, absolutamente nenhuma, atribuição de competência do cargo de Auditor-Fiscal foi alterada ou mesmo conferida ao Analista-Tributário. Suas atribuições permanecem inalteradas", destacou Freitas. 

FONTE: G1 PE 

Brasil tem a ganhar com o Brexit

Comitê da Câmara Britânica enxerga diz que, sozinho, o Reino Unido promove mais abertura
O Comitê de Comércio e Investimentos Internacionais da Britcham (Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil) organizou um encontro para discussão dos impactos dos Acordos de Facilitação de Comércio sobre as atividades de comércio exterior do país. Entre as designações do comitê da Britcham, está a função de endereçar os temas necessários para ampliar o relacionamento entre o Reino Unido e o Brasil, que já esteve mais forte no passado.

No entanto, na opinião do advogado Rodrigo Correia da Silva, da Britcham, sócio fundador da Correia da Silva Advogados, a saída do Reino Unido da Comunidade Europeia por meio da aprovação do Brexit representa uma oportunidade grande. “A partir do momento em que o Reino Unido sai do guarda-chuva da Europa, o que, ao que tudo indica, é irreversível, ele vai começar a trabalhar de maneira independente. O resultado é que algumas negociações talvez fiquem mais fáceis de se fazer com Reino Unido do que com a Europa, o que a gente enxerga como uma oportunidade de avanço”, afirmou o advogado na abertura do evento.

Correia da Silva avalia que, para a câmara o Brexit também representa uma oportunidade, pois passa a gerar um interesse por parte do mercado, curioso para saber como esse novo posicionamento vai avançar. “O Reino Unido é um mercado tradicionalmente mais aberto, tanto para investimento como para o comércio, e pode representar uma ponte para a Ásia e a própria Europa, com a vantagem de ter uma burocracia mais leve do que em outros mercados”, exemplifica.

A diretora da Sidera Consult, que preside o Comitê de Comércio e Investimentos Internacionais da Britcham, reforçou que o grupo tem como agenda principal trabalhar pelo desenvolvimento do comércio bilateral e levar as demandas ao governo brasileiro.

Com otimismo, Rodrigo Correia da Silva avalia como “boas” as perspectivas para o Brasil, e coloca entre as funções do comitê “acalmar interpretações alarmistas”, além de se posicionar como referência e promover tanto o relacionamento quanto os investimentos britânicos no País.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

TOC Americas | Hora de ser mais “seletivo”, diz FMC

Chairman da comissão marítima norte-americana sugere aos embarcadores que façam escolhas cuidadosas diante da situação do mercado


Mediando um dos painéis da conferência TOC Americas, o chairman da FMC (Federal Maritime Commission) dos Estados Unidos, Mario Cordero, afirmou que a capacidade da entidade em trabalhar as consequências da quebra de uma companhia marítima é “limitada”, e que o mercado não deve se surpreender se mais um episódio vier a acontecer nos próximos meses, seguindo a derrocada da Hanjin. Ele enfatizou que a comissão não desempenha qualquer papel formal nos processos financeiros por que passa a empresa sul-coreana, mas “vem tentando mitigar os impactos” aos embarcadores.

Um dos problemas com que a FMC tem lidado no momento é a crise de chassis porta-containers no terminal de Long Beach, onde cerca de 25% da frota está indisponível por encontrar-se parada com as unidades da Hanjin. Enquanto as empresas estão focadas em encontrar maneiras imediatas de impedir quebras na cadeia de suprimentos, Cordero levantou a questão: “quais as lições a serem aprendidas a partir dessa crise?”.

Quanto às previsões para a saúde financeira das empresas atualmente no mercado, Cordero disse concordar com as teorias de que a quantidade de armadores ainda pode ser diminuída pela metade nos próximos anos, em decorrência de fusões e aquisições, mas também por conta de ainda mais falências. Assim, ele advertiu: “o embarcador deverá ser bem mais ‘seletivo’ em sua escolha de parceiros”.

As observações do chairman da FMC indicaram que, hoje, a entidade já tem uma visão bem mais clara de como as alianças devem funcionar do que tinha em 2013, quando surgiram os projetos para a composição da Aliança P3, incluindo regras de mercado, operações, rotas e infraestrutura. Mesmo assim, com o exemplo da quebra da Hanjin, ele alertou para a responsabilidade aumentada que uma grande aliança traz para a cadeia de suprimentos: o incidente com o armador sul-coreano leva a questionar quais seriam as responsabilidades atribuídas aos parceiros em relação aos clientes de um dos membros do grupo – uma resposta que a FMC ainda não tem, mas vem estudando, segundo Mario Cordero.

Autora: Cleci Leão

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Cpers protocola hoje impeachment de Sartori

Ato denuncia projetos em tramitação no Congresso e culmina com protocolo do pedido de impeachment do governador

O parcelamento do salário de servidores públicos estaduais motivou o Cpers/Sindicato a encaminhar um pedido de impeachment do governador José Ivo Sartori (PMDB). O protocolo será feito hoje, na Assembleia Legislativa, e faz parte das ações de um ato público convocado pela entidade, denominado "Dia de luta pela Educação".

Neste mês de outubro completaram-se 10 meses de pagamento dos salários com atraso por parte do atual governo, sendo oito vezes só neste ano. Em setembro, o sindicato iniciou uma consulta com a categoria para saber se entraria com o pedido de impeachment de Sartori.

Em reunião no conselho-geral do Cpers/Sindicato, deliberou-se sobre o imediato envio do pedido. Segundo Helenir Aguiar Schürer, presidente da entidade, os conselheiros avaliaram a situação atual e as declarações sobre a possibilidade de não pagar o 13º salário de 2016 no prazo. "As famílias já estão sofrendo as consequências da irresponsabilidade do governo", afirma.

Em agosto de 2015, o Cpers conquistou uma liminar na Justiça proibindo o governador Sartori de parcelar os salários de professores e funcionários de escola. No dia 5 de setembro de 2016, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul julgou o mérito e confirmou a liminar já deferida, proibindo os atrasos e os parcelamentos dos salários da categoria. A reclamação do sindicato é que, mesmo assim, a situação se repete.

Durante o ato, irão se manifestar contrários a temas como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, as reformas Previdenciária e do Ensino Médio e o Projeto de Lei (PL) Escola Sem Partido, todos tramitando no Congresso Federal. "Para nós, eles (os projetos) estão todos interligados", declarou Helenir. Ela avalia que é preciso esclarecer sobre como a comunidade será atingida pelas medidas "e nós enquanto educadores temos que nos posicionar".

Comércio entre Brasil e Índia pode triplicar em poucos anos, diz Serra

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, defendeu um estreitamento das relações do Brasil com a Índia e afirmou que, com diálogo, será possível fechar acordos de facilitação de comércio que permitam até triplicar o intercâmbio de trocas entre os países.

“É um comércio que pode ser muito maior do que tem sido, com um potencial enorme, e que pode ser duplicado, até triplicado ao longo dos anos”, disse Serra, mencionando dados do intercâmbio comercial entre Brasil e Índia, que recuou a US$ 7,9 bilhões em 2015, após atingir volume recorde de US$ 11,42 bilhões em 2014.

Serra integra a comitiva brasileira, liderada pelo presidente Michel Temer, durante viagem a Goa, menor estado ao sul da Índia. Antiga colônia portuguesa na Ásia, o local abriga neste fim de semana a cúpula de líderes de chefes de Estado e de governo dos Brics, grupo que reúne as maiores economias emergentes do mundo, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Em rápida conversa com jornalistas brasileiros, Serra mencionou a intenção do Brasil em ampliar as relações com a Índia. País com 1,3 bilhão de habitantes e uma das economias que mais crescem mesmo durante o período de desaceleração da atividade global, a Índia tem o Brasil como principal parceiro comercial da Índia na América Latina

“Com a Índia, (nós esperamos ter) um estreitamento comercial, de investimentos, de cooperação, de maior aproximação econômica. É um país imenso, que tem um potencial imenso de importação, de investimentos. É algo que interessa muito ao Brasil até pela proximidade política no campo internacional”, disse o ministro das Relações Exteriores.

Durante a chegada ao hotel onde se hospedará o presidente Temer em Goa, Serra mencionou a jornalistas a intenção do governo brasileiro em buscar, durante os debates de cúpula dos Brics, acordos de facilitação de trâmites comerciais em áreas como investimentos e liberações de licenças medicas.

“Já tem até um acordo de cooperação engatilhado entre a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a Anvisa indiana, e acredito que nossa capacidade de avançar com a Índia e os outros (países do Brics) é muito grande”, disse o ministro das Relações Exteriores, mencionando que o governo brasileiro também busca avançar nas discussões com a Índia em questões como a facilitação do intercâmbio de bens agrícolas.

“A Índia tem um grande potencial para investimentos agrícolas em matéria de alimentos processos, refrigeração e de importação em si mesmo. É uma boa área para o Brasil, para vender e para investir”, reforçou Serra.

Fonte: Portal Planalto

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Peru quer que trem bioceânico com o Brasil inclua a Bolívia


O Peru expressou sua vontade de que o projeto de trem bioceânico que poderá unir seu território com o Brasil, inclua a Bolívia no trajeto que, segundo o vice-presidente peruano Martín Vizcarra, está em "ativa avaliação". 

A autoridade peruana, que ocupa a pasta dos Transportes, disse que sua presença na reunião técnica sobre Transporte Sustentável de Países em Desenvolvimento sem Litoral, inaugurada em Santa Cruz (leste), "tem o propósito de impulsionar novos projetos de integração". 

Entre eles, "o corredor ferroviário central Peru-Bolívia-Brasil, destinado a unir portos peruanos no sul do Peru, no Oceano Pacífico com a Bolívia e com o Porto de Santos do Brasil, no Oceano Atlântico". 

O traçado inicial planejado pela China, que se ofereceu como financiadora, não contemplava essa passagem pela Bolívia. 

Segundo Vizcarra, citado pela agência oficial ABI, "este projeto se encontra em ativa avaliação neste momento e esperamos poder empreender logo os estudos de viabilidade".

Fonte: AFP
Mercosul / Cone Sul

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Armadores descumprem legislação brasileira

Embarcações afretadas pela Petrobrás vem cometendo infrações relativas a condições de trabalho


De atrasos nos salários à falta de equipamentos de segurança apropriados, passando por rancho de má qualidade ou em quantidade insuficiente, autarquias vem denunciando através de inspeções realizadas por representantes do Ministério do Trabalho e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), armadores que estão descumprindo a legislação brasileira em relação as condições de trabalho aviltantes impostas aos seus tripulantes, nacionais e estrangeiros.

Afretadas pela Petrobras, as embarcações de bandeira estrangeira, tem sido denunciada desde agosto pelo Sindmar (Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante) e pela Conttmaf (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Aéreos, na Pesca e nos Portos) por conta das irregularidades, cobrando providências imediatas.

De acordo com eles, as infrações colocam em risco a vida humana, a segurança da navegação e o ambiente. O descumprimento da cota de tripulantes brasileiros a bordo, como determina a Resolução Normativa 72, do Conselho Nacional de Imigração do Ministério do Trabalho, é uma das irregularidades mais graves verificadas. Há registros também de discriminação com tripulantes brasileiros, acomodados em camarotes inferiores aos destinados a estrangeiros com mesma função ou patente.

Uma das situações referentes ao percentual obrigatório de brasileiros a bordo, as empresas citam o armador turco Eco Shipping, que abandonou a tripulação, deixando de pagar os seus salários. O navio está, por determinação da Justiça, sob a guarda da Petrobras, até que seja leiloado. O armador foi acionado a pagar à tripulação turca os mesmos direitos dos marítimos brasileiros, incluindo férias, 13º salário, FGTS e multa rescisória, além de responder por danos morais.

“Esses navios estão sendo afretados de forma pouco criteriosa, ou com base apenas no parâmetro "menor preço", que ainda assim é demasiadamente elevado, sobretudo se considerado o baixo padrão verificado”, dizem as associações que fizeram a denúncia, chamando ainda os armadores de “irresponsáveis e “que violam direitos e infringem a Lei”.

De acordo com a Conttmaf, em agosto a denúncia foi protocolada no TCU (Tribunal de Contas da União) contra a Petrobras, em virtude de a empresa estar realizando afretamentos de navios estrangeiros "que infringem a legislação brasileira bem como Convenções Internacionais ratificadas pelo Brasil".

Seis dias depois, a Confederação também protocolou um ofício à Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) informando que "a Petrobras vem afretando embarcações de bandeira estrangeira de apoio marítimo e navios tanques sem a necessária observância da legislação nacional" e das Convenções das quais o Brasil é signatário.

Nos ofícios encaminhados a Conttmaf e o Sindmar alertam para a clara possibilidade de recorrentes prejuízos ao Erário em consequência de afretamentos de navios operados por empresas conhecidas no mercado como sub standard (de padrão de qualidade duvidoso). E segundo associação e a confederação, esses prejuízos já começaram.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Rentabilidade dos exportadores volta a 2011

Levantamento da Funcex mostra que custos de produção em alta e preços praticados nas exportações em baixa ajudaram no resultado

A valorização do real teve um papel primordial para que a rentabilidade das exportações regredisse. É o que mostra o levantamento feito pela Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior) que desenvolve estudos sobre comércio exterior. O índice de rentabilidade apurado pela fundação na última pesquisa foi o menor desde novembro de 2011, quando o nível ficou em 79,5. Agora com três meses consecutivos em queda, o termômetro que mede a lucratividade das exportações brasileiras já tinha marcado 79,8 em julho, antes de ter a mínima renovada no mês seguinte.

Para chegar a esses valores, a Funcex desconta do preço das exportações - convertido em reais pela taxa de câmbio do mês analisado - o custo de produção do produto embarcado. O resultado é uma taxa de rentabilidade que a fundação calcula para todas as exportações brasileiras e, individualmente, a cada um dos 29 setores monitorados. Em agosto, quando o dólar teve, na média, a cotação mais baixa em 14 meses, a rentabilidade teve crescimento no comparativo anual apenas no segmento de "indústrias diversas", que reúne produtos de pouca representatividade na pauta das exportações, como joias, instrumentos musicais, artefatos esportivos, brinquedos e aparelhos de uso médico.

No período, o real ficou mais caro não apenas em relação ao dólar, contra quem teve valorização, já descontada a inflação, de 14,9% no comparativo com agosto de 2015, mas também frente às cestas de moedas dos parceiros latino-americanos (21,5%) e da Europa (16,4%). Para o exportador, isso significa ganhar menos na conversão, na moeda brasileira, do faturamento obtido com embarques ao exterior. Custos de produção em alta e preços praticados nas exportações em baixa completam a equação, cujo resultado, apenas em agosto, reduziu em 14,7% o índice de rentabilidade das transações comerciais com mercados internacionais na comparação anual.

Em 12 meses até agosto, o balanço da Funcex revela aumento de 10,4% no custo de produção. Já os preços caíram 16,1% como reflexo da desvalorização das commodities e do corte nos preços em dólares cobrados pela indústria de transformação, que aproveitou a margem aberta durante o período de desvalorização do real para ganhar competitividade num mercado global pouco comprador.

O antagonismo nas trajetórias de preços e custos foi compensado por uma taxa de câmbio vista como "amigável" por exportadores durante a maior parte do primeiro semestre, mas que se traduziu em perda de rentabilidade quando a melhora de humor do mercado, após a troca de governo, conduziu a divisa ao valor mais baixo em mais de um ano - como aconteceu há dois meses.

O novo cenário introduz um ponto de interrogação tanto no desempenho das exportações, motor dos primeiros sinais de recuperação da indústria, quanto no ímpeto das empresas em investir uma quantidade razoável de recursos em estruturas de exportação e desenvolvimento de mercados internacionais.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

A infraestrutura do século XXI

Sustentável, econômica, interligada e preparada para as mudanças climáticas.

Não é só o Brasil que apresenta um extraordinário déficit de infraestrutura. E não é só o Brasil que corre fortemente o risco de preencher este déficit de forma equivocada, fazendo investimentos com o nefasto poder de pavimentar o caminho para o atraso e a insustentabilidade. Juntar infraestrutura, luta contra as mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável é uma das mais importantes preocupações da Comissão Global sobre a Economia e o Clima, que reúne um poderoso time de economistas e dirigentes políticos e empresariais em torno do tema.

A ideia central da comissão é que não basta criar as condições macroeconômicas e os incentivos microeconômicos para que sejam feitos investimentos em infraestrutura. Claro que estes investimentos são indispensáveis como bem o apontaram os membros do G20, quando lançaram, em 2014, o Global Infrastructure Hub, uma tentativa de estimular parcerias público privadas para suprir o gigantesco déficit de infraestrutura no mundo todo.

Mas o recém-lançado plano de negócios do Global Intrastructure Hub chama a atenção pela ausência de qualquer menção a mudanças climáticas. Na verdade, não só o G20, mas a esmagadora maioria dos planejadores públicos e privados, bem como os bancos de desenvolvimento costumam colocar infraestrutura e mudanças climáticas em compartimentos separados e independentes um do outro. Que o Brasil precise ampliar suas ferrovias, melhorar e aumentar suas rodovias, portos e aeroportos, que o saneamento tenha que se tornar a prioridade das prioridades não há dúvida. Mas convém mencionar três riscos fundamentais apontados pela Comissão e que fornecem um excelente quadro normativo para repensar a infraestrutura.

Em primeiro lugar, as infraestruturas atuais serão cada vez mais vulneráveis aos impactos dos eventos climáticos extremos. 40% dos sinistros pagos mundialmente pela Seguradora Allianz em 2013 decorreram de tempestades e inundações e isso absolutamente não estava na previsão de seus técnicos. As dez maiores catástrofes cobertas pela seguradora relacionaram-se, naquele ano, a mudanças climáticas. No Brasil, a seca no Sudeste não só colocou em risco o abastecimento das grandes metrópoles, mas ameaçou a principal fonte de energia elétrica do País.

O segundo risco está naquilo que os economistas chamam de lock in, ou seja, a permanência numa certa trajetória tecnológica não por ser ela a mais barata ou a mais eficiente e sim por estar já instalada e funcionando. Ampliar os investimentos no pré-sal, por exemplo, significa perenizar por décadas toda a cadeia de valor ligada a sua exploração, além de ser um imenso incentivo a que o setor de transporte siga na dependência do uso de combustíveis fósseis. Da mesma forma, levar adiante os projetos de usinas hidrelétricas no Tapajós traz consigo a necessidade de construir linhas de transmissão e um modelo de geração e distribuição de energia elétrica que afasta o Brasil da fronteira tecnológica da inovação neste setor e das condições necessárias para que as renováveis modernas (eólica e solar) ganhem maior relevância. Uma vez feitos os investimentos nesta direção, eles terão que ser rentabilizados, reduzindo as chances de alternativas melhores. 

O terceiro risco apontado pela Comissão refere-se à perda de valor e de rentabilidade dos investimentos em combustíveis fósseis. Já assume dimensão gigantesca o movimento pelo qual grandes investidores afastam-se do setor. A União Europeia acaba de aprovar uma legislação pela qual os fundos de pensão do Continente (3,2 trilhões de euros para 75 milhões de cidadãos) são obrigados a levar em conta os riscos climáticos nos ativos em que investem. Nas Filipinas, a Comissão de Direitos Humanos está processando as empresas de petróleo para que arquem com o pagamento dos danos provocados por eventos climáticos extremos que penalizaram sobretudo suas populações mais pobres.

A menção a estes riscos mostra que melhorar o ambiente regulatório, ampliar a confiança nos contratos, acabar com a promiscuidade entre grandes empreiteiras e Governo, estas são condições necessárias, mas nem de longe suficientes para a infraestrutura de que a economia do século XXI necessita.

Mas além dos riscos levantados no documento da Comissão Global sobre a Economia e o Clima, é importante que a infraestrutura se inspire em dois objetivos básicos:
O primeiro é a economia de recursos. Tudo indica, por exemplo, que as construções hoteleiras para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro tenham sido seriamente superestimadas, o que conduzirá não só a imensa perda de recursos privados, mas também a um desperdício imenso dos materiais e da energia na sua construção. Que se trate de água, energia ou mobilidade, as oportunidades de obter comodidades com menor uso de recursos são imensas. A revolução digital amplia estas possibilidades, por meio do rastreamento minucioso da produção e do consumo, mas também do estímulo a formas colaborativas de uso dos recursos. As inúmeras iniciativas nesta direção vêm crescendo de forma animadora.

O segundo objetivo consiste em reduzir a distância que separa o Brasil da fronteira tecnológica contemporânea, composta por robotização, big data, inteligência artificial e internet das coisas. Como bem mostra o livro recém lançado de Kevin Kelly tudo o que, desde a revolução industrial foi eletrificado, está sendo, agora, “cognificado”. A oferta contemporânea de bens e serviços vai-se apoiar, cada vez mais, na interatividade entre os objetos conectados em rede e fornecendo informações não só sobre seu próprio desempenho, mas também sobre os comportamentos de seus usuários. Esta é uma força tecnológica que abre um caminho promissor para ampliar a economia de recursos. Além das telas de computadores, haverá na internet em 2020 nada menos que 50 bilhões de objetos interconectados. A indústria vai apoiar-se fortemente nestas capacidades de conexão.

É o que um relatório recente da consultoria global Accenture chama de Internet Industrial das Coisas (Industrial Internet of Things). A consultoria pesquisou a probabilidade de adoção destas tecnologias que marcam o futuro da indústria contemporânea em vinte países e o Brasil encontra-se sistematicamente nas piores colocações. É fundamental que a melhoria do ambiente capaz de estimular investimentos em infraestrutura tenha como objetivo ampliar as chances de que o Brasil reduza sua distância do que de mais inovador a revolução digital hoje oferece.

Por Ricardo Abramovay

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Incêndio em navio com mercadorias perigosas

Navio que saiu de Hong Kong e pegou fogo traz à tona importância dos seguros, principalmente em casos de avaria grossa


No último 19 de setembro de 2016, o navio porta-containers Wan Hai 307, de propriedade da empresa Wan Hai Lines, de Taiwan, que fazia viagem de Hong Kong para Kaohsiung em Taiwan pegou fogo. O navio transportava containers com cargas perigosas.

O incêndio que começou na parte dianteira do convés principal do navio não permitiu que os tripulantes pudessem apagar as chamas. Acionados, o Corpo de Bombeiros conseguiu entrar no navio e controlar as chamas, porém, alguns containers foram destruídos pelo incêndio e outros que estavam perto do fogo também acabaram sendo afetados.

Depois de várias horas e muita água despejada sobre os containers, o fogo foi extinto, mas é provável que muitas cargas também tenham sido danificadas pela água, bem como pela própria extinção do incêndio. Ainda há a probabilidade de que a avaria grossa seja declarada.

Sempre que acidentes com navios ocorrem, a preocupação entre empresas envolvidas com o comércio internacional é despertada, principalmente quando a avaria grossa é decretada, um tipo de sinistro, cujas despesas decorrentes dos procedimentos de salvamento são rateadas proporcionalmente entre o navio (casco) e os proprietários das cargas.

As despesas resultantes de uma avaria grossa estão cobertas pelo seguro de transporte internacional. Para os embarcadores que não contratam seguro, na hipótese de um sinistro dessa natureza, terão que arcar com os valores definidos no rateio das despesas, além da possibilidade de perder suas mercadorias.

Fonte: Guia Marítimo

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Mais oportunidade e competitividade

Pernambuco recebe exportadores para discutir alternativas para retomar as exportações por Suape

“O Porto de Salvador está a uma distância de 500 quilômetros do polo de fruticultura, enquanto Suape está a 850 quilômetro. Essa diferença aumenta o custo rodoviário em R$ 1 mil por contêiner. Isso sem falar nas taxas do Tecon Suape que são mais caras que a dos outros terminais e da falta de linhas para a Europa. Nossa negociação acontece direto com os armadores e são eles que decidem em que porto farão a operação. Em Salvador, pelo menos quatro companhias marítimas (Hamburg Süd, CSAV, CMA CGM e Hapag-Lloyds) oferecem o serviço com linhas semanais para a Europa”.

A observação é do presidente do Sindicato Rural de Petrolina, Edis Matsumoto, ao comentar sobre as exportações de frutas de Pernambuco que saem do Nordeste pelos portos de Salvador e de Pecém (CE) e apesar da boa infraestrutura do Complexo de Suape, de acordo com os fruticultores sofrem com o terminal que "é menos competitivo do ponto de vista de custos e da disponibilidade de serviço das companhias marítimas".

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Thiago Norões, recebeu exportadores para discutir alternativas para retomar as exportações por Suape. Norões disse que a reunião serviu para se aproximar e conhecer as lideranças do setor, na tentativa de conhecer as demandas para retomar as exportações por Suape. “Desde a crise de 2008, o polo de fruticultora se voltou para o mercado interno. Hoje com o dólar favorável e a melhora nas economias da Europa e dos Estados Unidos se abre um novo ciclo e queremos preparar o porto para participar dessas exportações”, afirmou.

Além dos exportadores, a reunião contou com a participação do Tecon Suape e de equipes técnicas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico para avaliar as mudanças que serão necessárias para que Suape seja competitivo na exportação de frutas. A conversa também vai precisar incluir os armadores, que negociam a operação diretor com os exportadores. “As operações de carga e descarga nos portos é realizada pelas companhias marítimas, mas os preços são repassados para o cliente. Também será necessário equiparar as taxas cobradas pelo Tecon Suape, que cobra mais caro pelas tomadas de energia para ligar os containers refrigerados e pelo monitoramento da temperatura”, complementa Matsumoto.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Exportações prejudicadas por falta de competitividade

"Mesmo com a desvalorização experimentada pelo real desde 2015, fabricantes brasileiras não conseguem vender suas motos ao mercado externo", diz Abraciclo



Enquanto as montadoras de automóveis e veículos pesados têm ampliado as exportações para compensar a queda no mercado interno, as fabricantes de motocicletas não têm conseguido trilhar este caminho. As vendas ao exterior, que caem 4,7% no acumulado do ano até setembro, são prejudicadas pela falta de competitividade das fabricantes brasileiras no mercado sul-americano.

De acordo com o presidente da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), Marcos Fermanian, mesmo com a desvalorização experimentada pelo real desde 2015, as fabricantes brasileiras não conseguem vender suas motos ao mercado externo a um preço inferior ao praticado pelas fabricantes asiáticas, que dominam o abastecimento do mercado sul-americano, que é o principal destino das exportações brasileiras. "Há uma discussão com o governo de tentar tomar medidas que reduzam os preços das motocicletas brasileiras no mercado sul-americano. Além disso, pedimos que haja um movimento governamental com governos de outros países da América do Sul para que eles se equiparem às exigências brasileiras de segurança (nas motos vendidas)", disse.

De acordo com o executivo, só a Argentina representa entre 70% e 80% das exportações brasileiras, com o restante espalhado pelos demais países da América do Sul. "É um mercado interessante, com potencial grande. Estimamos que o tamanho do mercado da América do Sul seja 1,5 maior que o mercado brasileiro", comentou.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Brasil: líder em crescimento do volume de exportações

Segundo informações da OMC, entre as grandes economias mundiais o Brasil foi o país que demonstrou maior crescimento no 1º Sem/2016


Meses atrás, após a divulgação, pela Secex/Mdic, dos dados referentes ao comércio exterior brasileiro no primeiro semestre de 2016, escrevi de forma bastante entusiasmada aqui nesta mesma coluna um artigo (A Balança e a Economia) no qual, de forma resumida, demonstrava o seguinte:
- Em volume, as exportações cresceram 11%, contra uma queda de 4% em valor;
- Com exceção do Café (-9%), Tabaco (-2%) e Tecidos (-8%), todos os demais grupos de mercadorias exportadas apresentaram crescimento de volume nesse período;
- No ranking dos grupos de mercadorias exportadas que reportaram os maiores incrementos de volume no 1º semestre, merecem destaque: Grãos e Cereais (31%), Açúcar (21%), Madeira (24%), Alimentos e Bebidas (69%), Plásticos e Resinas (63%), Cerâmicas (28%), Veículos e Partes (31%) e Algodão (43%);
- O Brasil vem consolidando sua posição de "Celeiro do Mundo" e, com isso, o volume de containers, granéis vegetais e carga geral movimentado pelos portos brasileiros continua crescendo, apesar da desaceleração do comércio internacional, o que se traduz em boas oportunidades de investimentos.

Na última semana, contudo, fiquei ainda mais empolgado ao ler que, de acordo com informações da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil é o país com maior aumento de exportações no ano.

De acordo com a matéria, entre as grandes economias do mundo, as exportações brasileiras em volume foram as que mais cresceram - aumento 12% no 1º Sem/2016, sendo que os países que chegaram mais próximos desse crescimento foram a Argentina (8%) e a Austrália (7%).

Evidente que a notícia em si é digna de comemoração, já que demonstra cabalmente que, apesar de em valor nossas exportações estarem caindo - muito em função da grande desvalorização do Real frente ao Dólar -, em volume/quantidade (e pode-se dizer que também em R$), as exportações brasileiras estão de fato indo muito bem em relação ao restante do mundo, apesar de a mesma matéria trazer um alerta do diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, de que a queda do comércio mundial é particularmente inquietante em meio à hostilidade crescente em relação à globalização.

Recentemente, meu colega Robert Grantham publicou também aqui no GM uma matéria intitulada (A 4ª revolução industrial e o Transporte Maritimo) em que debate os impactos das novas tecnologias, a partir das quais as fronteiras entre as esferas físicas, digitais e biológicas se encontram e, por isso, muitas instâncias se confundem. Isso levaria, ou levará, a uma demanda menor por transporte marítimo e um retorno à produção local o que talvez em parte explique, juntamente com uma crescente hostilidade à globalização, como dito pelo Diretor Geral da OMC a queda do comércio mundial. Mas volto a dizer:  as exportações do Brasil foram as que mais cresceram nesse ano. Uma contradição? Não, pois como grande produtor de alimentos e matérias primas, nos encontramos em posição privilegiada para atender a uma demanda mundial que passa, em grande parte, ao largo da 4ª revolução industrial.

Minha maior empolgação, contudo, deve-se ao fato de perceber que os veículos de comunicação estão começando a "virar a chave", trazendo manchetes mais animadoras e tão fundamentais quanto medidas acertadas do Governo para a retomada da confiança e, consequentemente, dos investimentos.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Exportar é necessário, porém sem negligenciar a defesa comercial

Presidente da ABIQUIM pede mais planejamento e políticas sólidas para desenvolver a indústria



O crescimento do setor químico reflete a situação industrial do país, uma vez que é uma área dependente de outras, entre elas a indústria automobilística, de alimentos, farmácia, cosméticos e até a agricultura. Porém, se a balança comercial está desequilibrada, e o país é inundado com produtos importados, como aconteceu nos últimos anos que antecederam a disparada cambial, reduz-se a utilização da capacidade instalada e o mercado é prejudicado. Esta é a opinião de Fernando Figueiredo, presidente da ABIQUIM (Associação Brasileira da Indústria Química), que participou de um painel em evento promovido pela AMCHAM (Câmara Americana de Comércio) nesta semana.

“Estamos em um cenário deplorável, mesmo que o mercado cresça, os empregos de qualidade estão no exterior”, afirmou Figueiredo, defendendo a importância de se trabalhar a abertura comercial, porém de maneira “responsável”. Ele citou como exemplo a abertura de mercado promovida pelo Governo Collor, que colocou produtos estrangeiros no mercado brasileiro “da noite para o dia”.

Mencionou também a prática norte-americana de reter os direitos à exploração de petróleo: “Os Estados Unidos não permitem exportação de petróleo; quem quer usar os recursos nacionais tem que produzir lá”. É com base nessa linha de pensamento que a ABIQUIM vem trabalhando junto ao governo, reivindicando que o óleo e gás brasileiros da partilha seja usado para incentivar a indústria química, de modo a agregar valor aos produtos do país, “e não simplesmente exportar para China e Índia”, explicou Fernando Figueiredo. Ele tomou como base um estudo do BNDES no qual se calcula que, mesmo deixando de exportar, se aplicados à indústria nacional, o óleo e gás representariam 1,3 vezes mais arrecadação do que o valor apurado com as exportações.

“A indústria química depende de ciências e de políticas de longo prazo, com planejamento, algo comum entre os cinco maiores produtores mundiais”. “Além disso – reforçou – é preciso entender que a defesa comercial é uma prática necessária”. Figueiredo exemplificou dizendo que o Brasil tem 150 processos antidumping em andamento junto à OMC (Organização Mundial do Comércio), enquanto os EUA têm 550.

Mesmo defendendo as políticas de proteção comercial, o presidente da ABIQUIM ressaltou a importância das vendas externas. “Precisamos desenvolver a cultura de exportações; não se pode exportar só de vez em quando, precisamos ter uma base permanente e que não dependa de circunstâncias ou do câmbio”, concluiu.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Governo Temer e a sua “neutralidade”

Empresas avaliaram que presidente ainda precisa demonstrar capacidade de reverter cenário de recessão


Uma sondagem realizada pela Amcham (Câmara Americana de Comércio) avaliou a chegada e atuação do recém empossado presidente da república, Michel Temer. Foram ouvidos 253 presidentes e diretores de empresas, e na avaliação de 74,2% deles nos primeiros 30 dias o novo governo foi “neutro”. De acordo com a pesquisa os empresários seguem “aguardando medidas duras e demonstração da capacidade de gestão e de governabilidade do novo líder em reverter o cenário de recessão da economia”.

O presidente que já afirmou que fechará o ano de 2016 com déficit de R$ 100 bilhões na previdência, com possibilidade de aumentar em 2017 para até R$ 150 bi. Disse focar seu governo na reforma trabalhista, e em seus planos realizar concessões de serviços públicos, sendo que trinta e quatro setores já estão sendo avaliados para o programa de concessões entre eles: portos, aeroportos, rodovias, petróleo e gás, tem uma parcela de empresários avaliando de forma positiva o seu primeiro mês de governo.

Uma parcela de 20,6% dos executivos consultados pela Amcham avaliou que “a condução de boas iniciativas deverão reverter o cenário econômico negativo”. Já 5,2% consideram “negativo” as ações e medidas adotadas por Temer na presidência.

Na última pesquisa elaborada pela Câmara, os empresários avaliaram que o fim do processo de impeachment representou a retomada dos investimentos e ações comerciais no Brasil em curto prazo. A maioria das companhias (61%) retomaram os investimentos, sendo que 35% delas farão aportes financeiros no país até dezembro de 2016. 

Na hora de qualificar o humor da empresa em relação à economia brasileira na condução do novo governo em 2017, a maioria dos empresários (79,1%) afirmou estar “esperançosa” e com expectativa de retomada no médio e longo prazo. Outros 11,9% estão “confiantes” e acreditam na retomada no curto prazo, e 9,1% registraram “desconfiança” com incertezas em relação à capacidade de retomada econômica com o novo presidente.

Sobre as prioridades, além do programa de concessões, os executivos listaram outras áreas prioritárias para a reativação da economia. São elas: produtiva (53,4%), com ações que garantam a competitividade da indústria; comércio exterior (15,8%), com incentivos e acordos internacionais preferenciais, bilaterais e de convergência regulatória; educacional (15,8%), com formação técnica e de mão de obra em áreas chaves como ciências exatas, engenharia e de pesquisa e inovação (15%), com investimentos em pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Desequilíbrio, um sinônimo de crise

País crescerá se taxas de investimentos do PIB acompanharem

















Quase um mês após anunciar seu programa de infraestrutura, batizado de Crescer, o presidente Michel Temer disse a uma plateia lotada de empresários que o país vive a pior crise de sua história. Com 12 milhões de desempregados, queda do PIB, inflação crescente e baixos investimentos e uma herança de R$ 185 milhões herdados do governo Dilma Rousseff, Temer afirmou: “Não é culpa minha”.

“Recebi um Brasil em profunda recessão, com crescente desemprego, elevada inflação e poucos investimentos. Os números exprimem com clareza a situação crítica que herdamos ao assumir o governo. Vou cansá-los, mas quero registrar alguns dados, para que não digam adiante, daqui a um ou dois meses, que este passivo é nosso”.

O presidente que esteve presente e participou da abertura do fórum da revista Exame, lamentou as dívidas herdadas do governo anterior e disse que “os gastos se transformaram numa bola de neve". O presidente afirmou ainda que a causa da crise é interna e fiscal. Segundo ele, o Estado se endividou além de sua capacidade, gerando recessão e desemprego. “Não quero assustá-los, mas motivá-los para que juntos possamos sair dessa crise”, afirmou.

Entre as ações necessárias listadas por empresários e especialistas presentes no evento estavam a aprovação de reformas econômicas e previdenciárias, ajuste fiscal, corte de gastos, geração de crescimento e empregos no médio prazo.

Mansueto Almeida, Secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda que palestrou sobre “Os desafios para o alcance do equilíbrio econômico” lembrou que o ajuste fiscal é um dos caminhos para esse equilíbrio. Estimando um déficit de R$ 170 bilhões, ou seja, 2,7% do PIB, ele salientou que o pais vive esse ano um buraco fiscal pior que o enfrentado em 2015 “o que não é normal”.

Para Paulo Leme, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV-RJ, a retomada do crescimento e da produtividade depende de mais aportes em investimentos “e nesse quesito o setor privado tem papel primordial”.

Apontando míseros 16,7% do PIB em investimentos no segundo trimestre desse ano, Leme explicou ainda que para o País crescer 4% ao ano seriam necessários pelo menos um aumento de 19% a 20% de taxa do PIB em investimentos. “A menos que a gente mude a história e comece a ter resultados concomitantes, as coisas não serão muito diferentes. Temos que recuperar esse cenário de forma macro”, salientou.

Já Temer insistiu que “a irresponsabilidade fiscal é um veneno que corrói os direitos sociais”. Para ele, o momento exige uma “vacina contra o populismo fiscal”, e afirmou a necessidade de “um diagnóstico preciso”. Temer aproveitou o evento para criticar o governo Dilma, do qual fez parte. “É como se deslumbrando o abismo no horizonte, o governo tivesse colocado os dois pés no acelerador. Nós encontramos um país que acumula trimestres consecutivos de queda do PIB e com inflação crescente”.

Apesar dos desafios, o que anima os investidores e especialistas são os investimentos estrangeiros, que segundo Leme, tem imenso potencial. “O mercado externo tem imenso interesse de participar desse processo. Os desafios são muito grandes, porém não são instransponíveis”, disse, salientando ainda que “o pais tem uma grande oportunidade de implementar um programa econômico capaz de gerar crescimento e emprego de forma sustentável”, finalizou.