sexta-feira, 29 de julho de 2016

Comércio exterior faz parte das prioridades do novo projeto de governo

Cinco frentes principais fazem parte da agenda

O novo projeto que vislumbra os dois anos e meio de mandato restante para esta gestão definiu como prioridades cinco áreas principais: a economia, a infraestrutura, o social/cidadania, a recolocação do Brasil no mundo e a gestão pública.

Para o comércio exterior, são esperados resultados como o reequilíbrio fiscal, a melhoria do ambiente de negócios, os programas de concessões, privatizações e atração de investimentos e a Reconexão do Brasil com o mundo, que inclui gestão de crises, emergências e realização de grandes eventos.

O ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, vem apresentando o que chama de "um mar de oportunidades", como plano para reconstrução do Brasil. São áreas em que o governo pretende atrair investimentos nacionais e também empresas internacionais, como as de mobilidade urbana, saneamento, óleo e gás, energia e logística. No horizonte mais próximo, estão concessões de aeroportos e portos.

"Queremos atrair capitais para fazer investimentos que nós precisamos e o governo não tem condições de fazer. Então, nós precisamos de dinheiro, sim. Agora, dinheiro com segurança jurídica", afirmou Padilha. Para isso, conforme noticiou o jornal Valor Econômico na última sexta-feira, o Palácio do Planalto pretende aprovar, ainda em agosto, um projeto de Nova Lei Geral das Agências Reguladoras, que, segundo Padilha, tornam as autarquias órgãos do Estado, e não mais de governo, promovendo segurança jurídica para os investidores.

Em comentário sobre a empresa russa Russian Railways, que manifestou interesse em participar da concessão de trechos da ferrovia Norte-Sul, Padilha afirmou: "não estão com medo de colocar dinheiro aqui". Embora o governo deixe claro que os projetos são não apenas essenciais, mas também rentáveis, faltam recursos para as obras. "Temos que buscar parcerias, fazer concessões. É isso que vai ajudar a gerar empregos", disse o ministro.

O plano do governo ainda pretende melhorar o desempenho do país no comércio internacional, estimulando exportações, além de atrair capitais. Embora o pais mantenha o superávit, as exportações sofreram quedas expressivas. No primeiro semestre do ano, as vendas de produtos brasileiros para o exterior somaram US$ 90,3 bilhões. Uma queda em relação ao mesmo período do ano passado, quando essas transações foram de US$ 94,3 bilhões.

Segundo dados do Valor Econômico, o plano de governo do PMDB parte de um diagnóstico feito no dia 12 de maio de 2016, com o início do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Um instantâneo da situação mostra: Deficit da União: R$ 170 bilhões; Inflação: 2 dígitos; Desemprego: 11,2%; juros anuais: 14,25%. Depois de um semestre de vigor do plano, Padilha pede que se cobre do governo a nova situação, prevendo a redução do rombo nas contas públicas prevista para 2017, expectativa de crescimento econômico no próximo ano, além de projeções melhores em todos os campos.

Com a melhoria do quadro econômico e estabilidade política, Padilha acredita que, até o fim do ano, a percepção de risco Brasil volte a patamar próximo de quando o país tinha o grau de investimento, dado por agências de rating.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Feijão fora da mesa dos brasileiros?

Na tentativa de ajudar a melhorar os preços, medida de zerar impostos de importação pode estar dando resultados

De 10 brasileiros, sete consomem feijão diariamente. O grão, típico da culinária do país, é fonte de proteína vegetal, vitaminas do complexo B e sais minerais, ferro, cálcio e fósforo. O consumo do produto, em média, por pessoa chega a 19 quilos de feijão por ano. Porém, com a recente alta dos preços do produto, esse cenário parece estar mudando. A alta do preço do feijão fez muitos brasileiros mudarem cardápio tradicional. Nos últimos 12 meses, o preço do feijão carioca já subiu mais de 58%.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Feijão, o aumento no valor do produto se deve à seca em grande parte dos estados que produzem o grão. Com isso, houve queda na oferta e, com o aumento da demanda, os preços acabaram subindo. O preço do feijão-carioca chegou a R$ 10 em supermercados de vários estados brasileiros.

O aumento de preços atinge o prato típico dos brasileiros, o feijão com arroz, e dificulta principalmente a vida dos consumidores de baixa renda, que, acuados pela recessão e pelo desemprego, cortam a compra de itens supérfluos no supermercado.

Uma das medidas tomadas no último mês pelo presidente interino Michel Temer foi liberar a importação do feijão em alguns países para reduzir o preço do produto nos mercados. Ao zerar o imposto de importação o governo visa estimular a compra do produto de outros países e reduzir o preço nas prateleiras dos supermercados.

Com a medida de exceção à Tarifa Externa Comum (TEC), o Imposto de Importação, que era de 10%, foi a 0%. A expectativa do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços é de que com a isenção do imposto de importação os volumes aumentem ainda mais nos próximos meses.

A medida vale por três meses e incide sobre os feijão preto e carioquinha, os mais consumidos no país e cujos preços haviam disparado nos últimos meses. Uma quebra de safra em regiões importantes diminuiu a oferta do produto.

De acordo com Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação, já é possível notar o aumento na importação de feijão. “O que deve aparecer a partir de agora é feijão de outras origens. Da Argentina já tem aumento, de outras origens não”, explicou.

No primeiro semestre, a compra de feijão preto da Argentina registrou aumento de 146,1% na comparação com igual período do ano passado, aumentando de 26 mil toneladas para 64 mil. Os argentinos, por serem parte do Mercosul, já não pagavam essa taxa. Em junho, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), o feijão carioca registrou alta de 16,38%. No acumulado do ano, o produto ficou 54,09% mais caro.

Quebra de safra
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi, disse quando anunciou a isenção da taxa, que o feijão tem três safras e que a segunda sofreu uma redução de 10% do total previsto. “O mercado percebe que vai ter dificuldade de feijão e tivemos aumento de preço”, relatou.

A ideia é que inicialmente o Brasil compre o feijão produzido na Argentina, Paraguai e Bolívia, países mais próximos e que já eram isentos de taxa de importação. De acordo com ele está em estudo a possibilidade de importar o produto também do México e da China. “Isso será feito para o caso de o produto dos países mais próximos não ser suficiente para atender a demanda brasileira”. E acrescentou: “Nós não temos estoques porque feijão é altamente perecível. Em três ou quatro meses, o feijão começa a escurecer e o consumidor não compra feijão velho”, explicou o ministro.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Procomex discute facilitação de comércio

Acordos de livre comércio abrem portas para os países, uma vez que conferem mais abertura e impulsionam a produtividade a custos reduzidos, bem como o investimento e avanço dos países envolvidos, levados a melhorar e aperfeiçoar seus procedimentos e eliminar problemas advindos da burocracia, impostos e infraestrutura.

O Acordo de Facilitação de Comércio foi estabelecido pela OMC (Organização Mundial de Comércio) em novembro de 2014, com o propósito de agilizar e modernizar o comércio exterior entre os países signatários. Assim que for ratificado por 108 dos 162 países membros, o acordo terá força de lei, segundo determinação do Senado Brasileiro aprovada em março de 2016. Até o momento, 80 nações aderiram ao TFA (Trade Facilitation Agreement).

Em reunião com Ministros do Comércio do G20 realizada em Xangai, na China, na semana passada, o ministro brasileiro Marcos Pereira confirmou o apoio do Brasil à implementação do Acordo de Facilitação de Comércio da OMC, bem como à formulação de políticas de investimento com regras transparentes e previsíveis, que proporcione um ambiente de negócios adequado e devida proteção tanto a investidores nacionais quanto internacionais.

Segundo Marcos Pereira, o acordo é “um instrumento dinâmico, baseado em esforços bilaterais contínuos para desenvolver agendas de facilitação do investimento”. Ele enfatizou ainda que o Brasil entende comércio e investimento como dois lados da mesma moeda.

John Mein, Coordenador Executivo do Procomex, ressalta a importância de se abordar o assunto que está prestes a se incorporar à legislação: "O acordo de Facilitação de Comércio, quando ratificado por 2/3 dos países membros da OMC, terá força de lei. Ela obriga aos países membros a implantar uma série de medidas que trazem grande benefício para as empresas que operam no comércio exterior. É importante conhecer quais são, e em que fase de implantação estão no Brasil."

terça-feira, 26 de julho de 2016

Asia Shipping aumenta movimento do aéreo em 74% no primeiro semestre

CEO da companhia garante que o modal ainda deve registrar mais crescimento por conta de novo sistema

No primeiro semestre deste ano, o departamento de carga aérea da Asia Shipping, criado há apenas dois anos, apresentou um alta de 74% em relação ao mesmo período do ano passado. Em toneladas, o crescimento chegou a 86%, segundo o ranking nacional de agentes de carga, medindo os resultados de janeiro a maio de 2016.


“A carga aérea é um produto novo para a Asia Shipping e, em apenas dois anos, já demonstra ótimos resultados e aceitação positiva do mercado”, disse Alexandre Pimenta, CEO da Asia Shipping. Ele se refere ao ranking nacional de agentes de carga no qual, este ano, de janeiro a maio a empresa ficou em 31ª posição entre os que mais embarcam em toneladas. No ano passado, estava em 194ª posição. “Avançamos significativamente, e ainda é possível esperar mais do segmento de carga aérea, pois a empresa está investindo em um novo sistema e o modal aéreo será o primeiro a se beneficiar da nova tecnologia”, disse Pimenta.

Há duas décadas, a empresa foi fundada com foco no transporte marítimo entre o Brasil e a China, mas logo a Asia Shipping se consolidou como um integrador logístico com presença global. Atualmente, oferece soluções logísticas completas para os clientes, usando os mais variados modais de transporte, e está presente na Índia, China, com diversos escritórios, Coreia do Sul, Taiwan e Vietnã. E mais, Estados Unidos (Miami), Equador e Chile.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Estado (RS) quer se aproximar do Mercosul

O Rio Grande do Sul quer ficar ainda mais perto da Argentina. A aproximação pretendida pelo governo gaúcho vai muito além das fronteiras geográficas e tem um foco no mercado em comum que o Estado e o país vizinho compartilham. A ideia, claro, não é nova: essa é a mesma lógica que deu origem ao Mercosul, há 25 anos. E é justamente por intermédio do bloco econômico que o governo gaúcho quer estreitar o relacionamento.

Sob o comando de Maurício Macri, a Argentina quer reconstruir o Mercosul, intenção compartilhada pelo governador José Ivo Sartori. Em maio, o embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Alfredo Magariños, designado pelo presidente argentino, fez sua primeira visita oficial ao Rio Grande do Sul.

O diplomata aproveitou o encontro para pedir o apoio de Sartori na reestruturação do bloco, citando que a parceria com o Estado é importante “pela proximidade e pela identidade étnica e cultural”. O governador não apenas aceitou a incumbência de auxiliar nessa interlocução como manifestou a intenção de reconstruir a “relação econômica entre o Brasil e a Argentina”. “O Rio Grande do Sul ocupará um papel de protagonismo nesta tarefa”, declarou na ocasião.

Agora, o desafio é consolidar ações nesse sentido. A primeira delas será uma missão à Argentina. Quem comanda a iniciativa no Estado é a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect), em parceria com entidades empresariais, como Fiergs, Farsul, Federasul, Sebrae e Fecomércio-RS. O secretário adjunto da Sdect, Renato Oliveira, detalha que a pasta está organizando uma visita do governador ao presidente Macri e, possivelmente, a passagem por uma ou duas capitais de provinciais argentinas.

Essas tratativas têm como foco principal a melhoria do ambiente de negócios, sinaliza. “O governo quer definir um novo patamar de relacionamento econômico e começar a estudar possibilidade de exploração conjunta de novos mercados utilizando as similaridades entre o Rio Grande do Sul e a Argentina para isso”, sinaliza. Um mercado que pode ser buscado é a Ásia, exemplifica, que demanda alimentos e bens de infraestrutura – áreas em que o Estado e o país vizinho se destacam. “É uma questão em aberto, mas temos que colocar isso na agenda de discussões”, comenta Oliveira.

Sobre o bloco econômico, de maneira mais abrangente, o secretário adjunto cita que é preciso superar o estágio de uma união aduaneira e trabalhar uma agenda para uma atuação econômica propriamente dita. “Nós sempre utilizamos o exemplo da comunidade europeia, que começou a se solidificar como um bloco na medida em que construiu projetos de tecnologia avançada comuns”, recobra. “Nós não temos isso no Mercosul e, se pensarmos nas similaridades, podemos colocar isso como uma possibilidade para a relação do País.”

A ideia é consolidar projetos e parcerias mais robustos, acrescenta. “O governador, quando esteve no Uruguai, apresentou o projeto de construção de um parque tecnológico comum, e há possibilidades concretas para isso.” O fortalecimento das relações pode culminar em uma linguagem tecnológica comum, porém voltada para resultar em oportunidades de mercado. “O Brasil e a Argentina têm uma comissão comum na área de biotecnologia, mas que ainda não gera negócios”, sublinha.

Na semana passada, Sartori se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, José Serra, para tratar da questão. Destacando a iniciativa como positiva, Serra declarou que sua equipe está à disposição do governo para avançar no diálogo e na realização de missões gaúchas à Argentina. Segundo Sartori, uma primeira visita deve ocorrer em agosto, antes da Expointer. O governador projeta que, em outubro, seja enviada outra missão para fortalecer parcerias multissetoriais com Alemanha, França e Itália.

“Quem conduz esse processo de aproximação entre os países do Mercosul é o governo federal, mas nós queremos ser protagonistas nesse processo, de auxiliar, ajudar e de buscar um caminho que seja importante para o Rio Grande do Sul, inclusive no relacionamento e na integração com o mercado argentino”, declarou Sartori após o encontro.

Fonte: Jornal do Comércio

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Novos padrões para terminais brasileiros

A nova lei dos portos aqui traz impactos verdadeiramente positivos, apontam executivos


Licitações ainda esbarram no TCU (Tribunal de Contas da União) e poucos no setor acreditam que diante do atual cenário brasileiro – não só econômico, mas de mudanças, como a nova configuração da SEP que se juntou ao Ministério dos Transportes e Aviação Civil – alguma mudança de fato acontecerá ainda esse ano.

Por outro lado, para os terminais os avanços foram grandes e no que se refere a modernização alguns surgiram com novos conceitos. “O terminal Embraport surgiu como um novo conceito em terminal portuário, com complexo moderno, alto grau de automatização e com foco em treinamento dos integrantes e segurança em toda a operação. Assim, buscamos colaborar para o crescimento do Porto de Santos e para o desenvolvimento da comunidade portuária”, explica Ernst Schulze, Diretor Presidente da Embraport.

Para o executivo a nova lei de portos é um marco histórico no esforço do País para superar os entraves ao desenvolvimento e fomentar a concorrência. “O principal resultado é que agora estão abertos os caminhos para novos investimentos no setor. Este novo ambiente é particularmente positivo para a Embraport, que, pretende transformar um dos maiores terminais privados do Brasil em uma referência em produtividade e eficiência”, salienta.

Outro fator positivo impactado pela nova Lei foi a possibilidade de os TUPs (Terminais de Uso Privativo) poderem movimentar carga de terceiros. Essa alteração da lei aponta que eles se tornaram um importante vetor da expansão do setor e deverão aumentar a competitividade dos portos brasileiros, já que devem aumentar a disputa pela atração de cargas com os portos públicos. Na opinião do Diretor-Presidente da ATP (Associação de Terminais Privados), Murillo Barbosa, os verdadeiros avanços se deram por meio dos TUPs que investiram R$ 15 bilhões nos últimos três anos, trazendo ao mercado mais de 35 novos empreendimentos. 

“E os resultados estão postos: o aumento da concorrência e, consequentemente, redução dos custos dos produtos brasileiros. É por isso que a ATP se sente confortável em afirmar que o TUP é o modelo que dever ser seguido e valorizado. Afinal, o investidor de portos de uso privado quer investir e tem condições para isso”. Mas ressalta, no entanto, que ainda se ressente da insegurança jurídica no setor e do excesso de regulação.

Destacando que a corrente de comércio brasileira é pautada em commodities, o executivo destaca que o Brasil necessita de portos com liberdade e não de portos com restrição de cargas. E lembra, nesse sentido, que a principal modificação trazida pela lei foi exatamente a liberdade de movimentação de cargas. “Afinal, o país está em crescimento e necessita de portos que possam transportar nossas riquezas e não uma ou outra, mas sim, todas as riquezas”, diz.

Lembrando ainda que “é preciso entender que um investimento portuário requer elevada imobilização de capital e, portanto, um porto não pode em hipótese alguma ficar com sua operação ociosa”. Para Barbosa, é fato que se pensar entre carga própria e de terceiros é pensar em ociosidade nos terminais “e isso não é satisfatório para o setor, pois impacta na elevação de custos que consequentemente reflete nos custos dos produtos”, pondera.

Já para Schulze, o fomento da concorrência bem como abertura do setor aos novos investimentos direcionados aos Terminais Privados pode ser considerado o ponto mais marcante da lei.

Mudanças efetivas
“A lei trouxe muitas alterações positivas a exemplo dos investimentos em TUPs, resultantes da liberdade de operação de cargas. De todos os modais logísticos, o setor portuário, foi o que mais injetou dinheiro na economia brasileira”, disse Barbosa, salientando ainda que do total investido, o setor investiu apenas 1/3 daquele inicialmente planejado pelo governo. “Ou seja, se não existissem os entraves, os investimentos poderiam ser ainda maiores”.

Uma das bandeiras defendidas pela ATP são os processos de Anúncio Público, que devem ser mais enxutos e menos burocráticos. “Além disso defendemos a redução de custos extraordinários tanto na exploração dos portos e instalações portuárias como nas questões Alfandegárias e/ou por parte da Secretaria de Patrimônio da União e dos Ministérios da Agricultura, Saúde e Trabalho”, explica.

Barbosa acredita que muito da ineficiência ainda existente também é um problema de gestão. “Para se ter ideia uma única operação portuária depende da anuência de 26 órgãos públicos que, em muitos casos, não se conversam. Isto certamente é um problema de gestão que a ATP observa com cautela”.

A junção da SEP com outros ministérios, por exemplo, segundo ele, é outro fator visto com cautela. Segundo ele, ao transferir a SEP a preocupação do setor é perder a interlocução e a agenda específica com o governo, uma vez que o ministério passa a gerir todos os modais em igual teor. “Porém, a proposta do novo organograma atende ao setor uma vez que se alinha com a estrutura da antiga SEP”, salientou.

Futuro
Para o futuro Schulze diz que o cenário não deverá sofrer muitas alterações, mas que os resultados continuaram sendo buscados. “Continuaremos atentos ao comportamento do mercado e focaremos nossas ações em buscar soluções complementares, de serviços para ampliar o nosso portfólio logístico, e agregar soluções a nossos clientes”.

Já o Diretor-Presidente da ATP explica que embora a lei tenha sido positiva para os TUPs ela também criou dispositivos desnecessários para o setor, como por exemplo, os Anúncios Públicos. “Somado a isso vieram os dispositivos infra legais que limitaram as ampliações de terminais de uso privado. A expansão dos TUPs deve ser considerada como parte integrante do desenvolvimento da atividade econômica, uma vez que, ao expandir o terminal está permitindo economia de escala as commodities brasileiras”, finalizou.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Repactuação de concessões de rodovias

MP pode socorrer concessionárias que não estão conseguindo realizar investimentos nos prazos acordados

Uma medida provisória que está sendo elaborada pelo governo vai possibilitar uma ampla repactuação dos contratos de concessão de rodovias assinados durante a terceira etapa de leilões, ocorrida em 2013 e 2014. A iniciativa visa socorrer as concessionárias, que não estão conseguindo realizar todos os investimentos nos prazos acordados.

Com a diluição dos investimentos no tempo, a expectativa do governo é de que as tarifas de pedágio nessas estradas sejam ligeiramente reduzidas. Ainda não há, entretanto, nenhuma projeção sobre os valores.

A ideia é que os contratos sejam readequados em uma lógica na qual os compromissos de investimento sejam proporcionais às estimativas de tráfego nas rodovias. A principal mudança prática será o fim da obrigatoriedade para duplicação de todo o trecho concedido em até cinco anos, compromisso mais pesado para as empresas em termos de desembolsos financeiros.

Após a eclosão da Operação Lava-Jato, que investiga algumas controladoras dessas empresas, o banco de fomento não liberou os empréstimos de longo prazo que eram aguardados. Até agora, quase todas as concessionárias da terceira etapa estão com o desempenho comprometido no que se refere à execução do cronograma de obras. O temor do governo é que haja uma escalada de descumprimento de prazos.

O texto da MP está sendo ajustado pela equipe do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), coordenado pelo ex-ministro Moreira Franco. O governo está cauteloso, porque não quer passar a impressão de uma postura excessivamente tolerante com as concessionárias. O maior temor é que a flexibilização estimule propostas muito ousadas nos próximos leilões, com as empresas acreditando em um resgate em caso de problemas futuros.

A mesma medida provisória vai disciplinar a assinatura de aditivos nas concessões, pelos quais as empresas fazem novos investimentos e em troca recebem prorrogação no contrato ou reajuste na tarifa de pedágio.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Para compensar greve, Receita permitirá retirada de mercadorias sem inspeção nas alfândegas

Para acelerar a liberação de mercadorias retidas nas alfândegas por causa da greve dos auditores fiscais, a Receita Federal permitirá a retirada de mercadorias não desembaraçadas (liberadas pela aduana) diretamente aos importadores

A medida foi publicada em portaria no Diário Oficial da União, que regulamenta o decreto que permite a substituição de servidores públicos em greve. De acordo com a portaria, o importador poderá requerer a entrega caso o prazo de liberação da mercadoria ultrapasse em 30% o tempo médio de desembaraço registrado no primeiro semestre deste ano. Esse prazo médio varia conforme a unidade da Receita Federal e o tipo de fiscalização a que a mercadoria é submetida, mas, na maioria das situações, corresponde a oito dias.

Desta forma, caso o bem importado não seja liberado antes de dez dias e dez horas, o comprador pode pedir a retirada da mercadoria sem o desembaraço. Segundo Ronaldo Medina, assessor do gabinete do secretário da Receita Federal para a Área Aduaneira, a entrega antes do desembaraço não estimulará a entrada de mercadorias proibidas no país, como drogas e agentes biológicos e químicos. Isso porque a retirada só poderá ser feita nos casos em que as pendências fiscais estiverem resolvidas e faltar apenas a assinatura do ato de desembaraço.

''No caso de cargas que necessitem de verificação física, a fiscalização continuará a ser feita segundo a análise de risco da Receita. Essa medida vale apenas para os casos em que todos os documentos foram entregues e todas as pendências resolvidas, mas apenas o despacho esteja parados por falta de prazo'', explicou Medina.De acordo com ele, caberá ao chefe de cada unidade da Receita analisar se a mercadoria pedida pelo empresário realmente não tem pendências. Caso o Fisco constate divergências de valores ou erros de classificação fiscal, a cobrança pode ser feita posteriormente. ''Se passar o prazo, todos os procedimentos de cobrança podem ser feitos documentalmente, mesmo que a mercadoria tenha sido entregue'', alegou.

Segundo o subsecretário de Relações Internacionais da Receita Federal, Ernani Checcucci, a paralisação dos auditores fiscais não prejudicou as exportações. Por causa do atraso nos desembaraços, ele admitiu atraso na liberação das importações, mas disse que o estoque de declarações de importação em processamento aumentou apenas em 4 mil documentos, o que, segundo ele, representa cerca de 2% das declarações analisadas pelo Fisco desde o início da greve, em 18 de junho.

Edição: Nádia Franco
Wellton Máximo: Repórter da Agência Brasil Brasília

Transporte de produtos químicos exige cuidados

Novos processos, como os isoconteiners e logística reversa são boas soluções

Em meio a tantas dificuldades impostas por uma infraestrutura precária, como o caso das rodovias brasileiras que, de acordo com a CNT (Confederação Nacional dos Transportes) contam apenas com 200 mil dos 1,8 milhão de quilômetros pavimentados, o Grupo Sabará otimizou seus processos para manter a eficiência na logística.

A companhia é no desenvolvimento de tecnologias, soluções e matérias-primas para as indústrias de nutrição, saúde, beleza e bioenergia. Desenvolvendo diversas ações para garantir a segurança no transporte de seus produtos, já que a maior parte deles é de químicos, o diretor de Supply Chain do Grupo Sabará, André Sabará, explica que a companhia investiu muito para garantir que a carga chegue ao destino de forma segura e emitindo a menor quantidade possível de poluentes. “A logística tem um papel estratégico na atuação do Grupo Sabará, uma vez que a distribuição de produtos por um país de dimensões continentais é uma das nossas principais atividades”, disse.

De acordo com ele, as empresas que trabalham com produtos perigosos precisam estar dentro da legislação. “Estamos acima da média do padrão do mercado. Trabalhamos com algumas certificações, como o caso do Prodir, que é uma certificação voltada para a distribuição responsável. É padronizado no Brasil, são boas práticas que garantem o transporte desses produtos perigosos”.

Ainda segundo o executivo, a companhia possui um pronto atendimento no país inteiro para caso de acidentes. “Qualquer acidente que envolva cloro, mesmo que não seja de nosso transporte, também fazemos parte da brigada dos bombeiros para socorrer. Somos especialistas em regaste e manipulação desses produtos”.

Quando o assunto é sustentabilidade, o relatório elaborado pela companhia referente ao triênio de 2013, 2014 e 2015, apresentado neste mês, reporta que, anualmente a companhia transporta mais de 18,3 mil toneladas de produtos químicos, em rotas médias de 2,5 mil quilômetros por vias rodoviárias, além de 3,2 mil toneladas vindas de 16 países diferentes. A empresa que trabalha com distribuição para todo o Brasil, com grande maioria no Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sudeste encontra alguns entraves principalmente na região Norte. De acordo com Sabará, por conta das peculiaridades, o transporte é realizado, principalmente, pelos rios. “Por se tratar de produtos perigosos temos um custo a mais nisso. É preciso investir em parceiros que realizem o transporte de forma segura”, salienta.

Nos últimos três anos, a empresa investiu em diversas iniciativas para reduzir a sua pegada de carbono: diminuição do volume de viagens necessárias; utilização de equipamentos rodoviários de maior porte, o que permite o aprimoramento das viagens nas estradas; consolidação de cargas secas e uso de transportadoras com hubs logísticos; diminuição do uso de transporte aéreo; otimização do transporte marítimo nas importações; e início de operações de cabotagem para transportes de químicos, que, desde 2015, movimenta cerca de mil toneladas por ano.

Lembrando da cabotagem, que oferece diversos benefícios sustentáveis, além do menor custo, o executivo destaca sua importância e benefícios. “O principal benefício é a otimização da logística em função da redução de custo, o gasto é menor porque quanto mais embalagens conseguir colocar no navio, menor vai ser o custo de transporte. O navio também tem a pegada de carbono menor”.

Em outra ação que contribuiu para a redução de poluentes, a Sabará Químicos, uma das Unidades de Negócios do Grupo Sabará, passou a comprar, em 2014, importantes insumos vindos do próprio estado em que atua, Pernambuco, e não mais de São Paulo. “Nós reduzimos uma rota de quase 3 mil quilômetros para 16 quilômetros e conseguimos cortar emissão de poluentes, custos, impactos nos veículos, além de não registrar nenhum acidente de trânsito entre 2013 e 2015”, declara André.

Isoconteiner
Ao buscar alternativas para o transporte dos produtos com base em cloro, o Grupo Sabará optou por desenvolver uma versão para o isocontainer, considerado um dos mais seguros para o transporte da substância em todo o mundo. Um container que consegue transportar líquido ou gás, no caso da companhia, explica Sabará, ele é utilizado para o transporte de gás. Entre o principal benefício ele destaca o fato de poder ser usado em todos os modais – hidrovia, ferrovia, na rodovia e cabotagem. “Além de ser mais barato é versátil”, salienta, acrescentando que o Grupo é o pioneiro no uso do isocontainer no Brasil. “Estamos sempre trabalhando para melhorar, sempre investindo na segurança e na questão da sustentabilidade”.

De acordo com ele a escolha de investir nesse formato levou a empresa a ir atrás de referências e normas em uma associação norte-americana. “São empresas envolvidas na produção e distribuição seguras do produto, seguindo todos os requisitos de limites de peso, pressão, material, testes de resistência e entre outros itens”, completou.

Outra preocupação do Grupo é com a ampliação da segurança no transporte do isocontainer também em estradas irregulares, melhorando o sistema de isolamento térmico e as adaptações para as condições da legislação brasileira. “A dedicação da equipe e o cuidado minucioso com o projeto permitiram que a empresa pudesse contar com o transporte intermodal do seu produto, atendendo a requisitos de novos parceiros globais”, acrescenta o executivo.

Além de implantar os isocontainers, a área de logística se dedicou a modificar o formato das gaiolas dos caminhões e o sistema de trabalho. “Atualmente, os cilindros são organizados por ordem de descarga, e o veículo conta com uma plataforma hidráulica na parte traseira que facilita a movimentação na doca do cliente. Com o projeto, o tempo de entrega, que chegava a quatro horas, passou para 30 minutos”, finaliza André.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Recof-Sped é habilitado pela Receita Federal

Novidade deve dar fôlego às empresas brasileiras, principalmente por conta da instabilidade econômica

Melhorado com o objetivo de simplificar os processos e conceder benefícios tributários para empresas exportadoras, o Recof-Sped (Sistema Público de Escrituração Digital) um aperfeiçoamento do Recof teve publicado no Diário Oficial da União (DOU) pela Receita Federal uma portaria com os procedimentos para habilitação de empresas no Regime Aduaneiro.

A modalidade oferece basicamente os mesmos benefícios do regime anterior. A sua principal vantagem está relacionada à simplificação de procedimentos e redução do custo de implementação e manutenção do regime. A novidade deve dar fôlego às empresas brasileiras, principalmente por conta da instabilidade econômica e mais oportunidades para as empresas competirem mercado internacional.

Segundo especialistas de mercado que acompanham o tema há mais de dois anos, a ação deve ser motivada, especialmente, pela diminuição das exigências por parte da Receita Federal: “a nova modalidade desobriga as empresas a requerem homologação da Receita Federal do Brasil para os sistemas informatizados para controle do regime, passa a permitir habilitação ao regime para todos os segmentos da indústria (incluindo indústria de transformação), e elimina a necessidade de comprovação de patrimônio líquido como antes, balizando o regime para empresas que exportam no mínimo U$ 5 milhões por ano”.

Esses fatores combinados abrem a possibilidade para que empresas também de médio porte possam exportar produtos industrializados com isenção dos impostos de importação.

Uma análise realizada pela Thomson Reuters demonstrou que, pelo menos, 73% de um universo de 1000 empresas analisadas que operam no Brasil e têm perfil de exportadoras são elegíveis a usar os benefícios do Recof-Sped. Segundo o autor principal do estudo, Gustavo Felizardo, especialista em Regimes Aduaneiros Especiais da Thomson Reuters no Brasil, ao adotarem o regime em suas transações comerciais, as empresas poderão exportar produtos industrializados no valor mínimo anual equivalente a 80% do valor total das mercadorias importadas ao amparo do regime, e não inferior a US$ 5 milhões. “Além disso poderão industrializar pelo menos 80% das mercadorias estrangeiras admitidas no regime anualmente, reduzindo a 70% para empresas beneficiárias que abasteçam o mercado interno com partes e peças destinadas à manutenção e garantia de seus produtos fabricados”.

Mas salientou que a empresa também tem obrigações. “Para usufruir dos benefícios as empresas precisam estar adimplentes com as obrigações de entrega da Escrituração Fiscal Digital (EFD), nos termos da legislação específica em vigor, e devem dispor de sistemas de gestão que se integrem com o ERP da empresa e permitam realizar os controles específicos que o RECOF estabelece”, entre eles ele destaca o controle de prazo suspenso sobre o regime, controle do prazo de suspensão, controle de nacionalização dos itens vendidos no mercado local, controle do PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), entre outros.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Eficiência: Brasil investe na construção e manutenção de ferrovias

Máquina austríaca já trabalha para recompor estrutura

Mais do que necessário e modal imensamente importante para o transporte de mercadorias, o Brasil parece estar dando mais atenção as ferrovias. Com o objetivo de melhorar sua eficiência logística em todas as regiões, máquinas gigantes, conhecidas como desguarnecedoras já estão realizando esse trabalho. Capaz de levantar os trilhos, raspar a base e recompor a estrutura sem sair da linha férrea, uma dessas desguarnecedoras vem sendo operada pela Rumo, na região de Londrina (Norte do Paraná).

A máquina austríaca da marca Plasser & Theurer custou R$ 20 milhões e trabalha há três anos. Com 25 metros de comprimento e 63 toneladas, funciona com quatro vagões para coleta de resíduos, somando ao todo 125 metros. “Com a desguarnecedora, a manutenção da ferrovia pode ser feita com investimento de R$ 200 por metro. Sem o uso da máquina, esse custo tende a ser cinco vezes maior”, compara o coordenador de Operações da Rumo na Malha Sul, Arsildo Warken.

De acordo com ele, a máquina entra em ação sempre que possível. “Como ela exige a interdição da ferrovia, normalmente durante todo o dia, temos que programar a manutenção dos trechos mais utilizados para os períodos de entressafra agrícola, que são de menor movimentação de cargas”, explica.

Equipes de aproximadamente vinte trabalhadores realizam simultaneamente o desguarnecimento e o reparo nos trilhos bem como troca de dormentes inservíveis. Depois da passagem da desguarnecedora, uma socadora realiza a correção geométrica da linha restaurada, que logo voltará a receber trens carregados de produtos agrícolas e industriais.

A ação do tempo e a passagem dos trens faz com que as ferrovias estejam permanentemente em manutenção. Nas regiões de solo arenoso, as chuvas “contaminam” mais facilmente a base das ferrovias. O trabalho da desguarnecedora da Rumo deixa a linha férrea em boas condições para o tráfego por um longo prazo, que pode passar de cinco anos.

Até setembro, a máquina deve permanecer na região de Londrina. Na sequência, deve ser encaminhada para a manutenção de trechos ferroviários entre Maringá e Ponta Grossa. Em operação contínua, a desguarnecedora austríaca da Rumo reforma até 150 metros lineares de ferrovia por hora.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Consulado dos EUA no Rio Grande do Sul abre as portas em 2017

A partir do primeiro trimestre de 2017, Porto Alegre será rota de emissão de vistos para os Estados Unidos. Nesse período, será reaberto o consulado do país no Rio Grande do Sul. A informação é do ministro conselheiro da embaixada norte-americana no Brasil, Andrew Bowen, em visita ao presidente da FIERGS, Heitor José Müller, nesta quarta-feira. Ele esteve acompanhado do cônsul dos EUA para o Rio Grande do Sul, John Jacobs. Além da emissão de vistos, o escritório também vai contribuir com a aproximação entre o Estado e o país da América do Norte pelo lado comercial.

Alguns dos assuntos tratados no encontro foram as relações entre Brasil e Estados Unidos, legislação trabalhista, indústria 4.0 e a situação econômica brasileira 
O coordenador do Conselho de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Concex) da FIERGS, Cezar Müller, também esteve na reunião. Hoje, em Porto Alegre apenas é possível a renovação de vistos, por meio do escritório do consulado. Para emitir o documento pela primeira vez, é necessário viajar a São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília ou Recife para encaminhar o pedido.

Fonte: Fiergs

quarta-feira, 13 de julho de 2016

CNI REVISA PARA BAIXO PREVISÕES DE QUEDA DA ECONOMIA EM 2016

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) revisou para baixo as previsões de queda da economia para este ano. A estimativa para retração do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 3,1%, divulgada em abril, para 3,5%. A pressão para a queda do PIB industrial foi alterada de 5% para 5,4%.

De acordo com o Informe Conjuntural da CNI, “a mudança no quadro político possibilitou uma conjugação favorável a ajustes estruturais que exigem mudanças legislativas e constitucionais, como é o caso da reforma da Previdência e da imposição de limitadores ao crescimento do gasto público”.

Investimentos
“A proposta no âmbito federal, já enviada ao Congresso, é um avanço. Mas seus efeitos serão sentidos apenas no médio prazo, pois dependem da retomada do crescimento e ainda serão necessárias novas alterações no processo orçamentário para que se torne efetiva”, acrescentou o informe.

De acordo com as perspectivas da CNI para o ano de 2016, os investimentos recuarão 13,9% e o consumo das famílias diminuirá 4,8%. Em relação ao desemprego, a previsão da CNI é que a taxa anual alcance 11,5% da População Economicamente Ativa (PEA).

Na avaliação da CNI, a inflação ao fim do ano chegará a 7,3%, ante 7,1% estimados em abril. A estimativa para a taxa de câmbio média de 2016 é R$ 3,48, contra R$ 3,33 em 2015, uma desvalorização de 4,6%.

terça-feira, 12 de julho de 2016

O que fazer para retomar a economia?

Dados são preocupantes, mas ainda há saída e pela porta da frente




Se os dados da balança comercial do mês de junho fossem analisados sem comparação com o passado eles seriam considerados positivos, porém, ao confrontar os dados de junho deste ano com os de 2015 e analisar os cenários em que foram obtidos – recessão, taxa de câmbio favorável ás exportações e instabilidade econômica – a queda é de 19,3% na importações e redução estratosférica de 18,6% nas exportações.

Para o presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, os dados são preocupantes. “A recente desvalorização do real certamente trará maiores dificuldades para exportar produtos manufaturados e mais facilidades para importar, impactando negativamente a corrente de comércio, o superávit comercial e a atividade comercial”.

Mesmo assim, o cientista político e economista, Marcos Troyjo, aponta que entre os “grandes desafios da competitividade no Brasil” estão o comércio exterior e a competição globalizada como saídas para retomar o crescimento econômico. “Hoje, o Brasil, das 20 maiores economias do mundo, tem apenas cerca de 20% do seu PIB relacionado às atividades de exportação e importação. E nesse momento de contração do mercado interno brasileiro, as exportações, a competitividade do comércio exterior brasileiro, precisam ser os motores da retomada econômica”.

Comparativamente com os países asiáticos, o economista destaca que o Brasil teve um crescimento econômico, mesmo que pequeno. “A renda per capita do Brasil subiu bastante, mas no sudeste asiático ela foi muito além. Na Coreia do Sul, que nos anos 50 tinha uma renda três vezes menor que a brasileira, tem hoje uma renda três vezes maior”, pontuou.

Ainda segundo Castro, a diminuição nas importações é justificável, mas a queda nas exportações não. “Ela constitui uma desagradável surpresa, pois teve a forte ‘colaboração’ dos produtos manufaturados, que mostraram queda de 21% em junho, similar a queda de 21,7% apresentada pelos produtos básicos provocada pela redução de preços”, finalizou.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Carga aérea mundial teve retração em maio

Ritmo de crescimento do transporte aéreo diminuiu no mês de maio, baixando para 0.9%, de acordo com IATA



O setor aéreo vem sofrendo pressão financeira após registrar uma diminuição no volume de cargas movimentadas. O índice que mede os espaços disponíveis nas aeronaves, computando toneladas por quilômetro voado (AFTK) aumentou 4,9% em relação ao ano anterior, segundo relatório do Lloyd’s Loading List.

“As demandas do transporte aéreo caíram ou se mantiveram estáveis em praticamente todas as regiões do mundo, com exceção da Europa e Oriente Médio, regiões que conseguiram aumentar seus volumes transportados em 4,5% e 3,2%, respectivamente”, relatou o porta-voz da Iata (International Air Transport Association). “A fraqueza generalizada dos volumes comercializados mundialmente, que já vem sendo sentida desde o final de 2014, representa cerca de 80% dos motivos que levaram à baixa performance das cargas aéreas”, completa a declaração.

O CEO da IATA, Tony Tyler, afirmou que as esperanças para um 2016 mais forte estão-se esvaindo, na medida em que as incertezas econômicas e políticas vão aumentando. “A carga aérea é vital para a economia global. No entanto, o campo das negociações está bastante difícil, e existem hoje muito poucos sinais de alívio imediato”.

Na avaliação regional da IATA, o mercado aéreo na rota Ásia-Pacífico registrou 0,7% de queda na demanda por cargas em maio, na comparação com o ano anterior, enquanto a capacidade expandiu 3,7%. As transportadoras norte-americanas, por sua vez, vivenciaram uma queda de 0,2% no desempenho, o que o CEO da IATA imputa à força do dólar americano, que manteve o mercado de exportações dos Estados Unidos sob pressão nos últimos doze meses consecutivos. Na Europa, as companhias tiveram aumento: foram 4,5% a mais em volumes de cargas, porém com um aumento de 5,7% na capacidade oferecida, largamente justificada pelo aumento das exportações da Alemanha nos últimos meses. No Oriente Médio, os resultados também foram positivos, com demandas aumentadas em 3,2% e a capacidade 9,5% maior do que no mês de maio de 2015. Os números, no entanto, não traduzem grande entusiasmo, de acordo com o Lloyd’s: “O crescimento dos volumes no Oriente Médio em maio de 2016 foi um quinto do registrado em maio de 2015, refletindo tanto uma refreada na expansão do mercado pelas principais companhias aéreas quanto pelo enfraquecimento geral de negociações."

As companhias latino-americanas, por sua vez, registraram queda de expressivos 9,7% na demanda, com queda também na capacidade: 7% a menos em disponibilidade, diante das condições econômicas cada vez piores na região, “especialmente na maior economia, que é o Brasil”, realça a publicação.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Um novo respiro

Indústria petrolífera recebe atenção e deve se beneficiar de queda acentuada nos custos de exploração


As petrolíferas americanas Chevron Corp., Exxon Mobil Corp. e várias de suas empresas parceiras anunciaram gastos que chegam a US$ 37 bilhões na expansão do projeto Tengiz, no Cazaquistão.
Um dos maiores investimentos desde que os preços do petróleo começaram a despencar, há dois anos, ao decidirem investir agora, as maiores petrolíferas do mundo devem se beneficiar de uma queda acentuada nos custos de exploração que se seguiu ao recuo dos preços do petróleo. Equipamentos, de bombas a sondas de perfuração, serviços do setor e até a mão de obra estão mais baratos porque as prestadoras de serviços foram obrigadas a baixar preços em meio à queda na atividade em relação à quando o barril era negociado em torno de US$ 100.
A recente onda de investimentos pode indicar uma possível recuperação dos preços - após caírem de cerca de US$ 115 por barril em meados de 2014 para uma mínima de US$ 27 em janeiro. "É um momento excelente para fazer esse tipo de investimento", diz Todd Levy, diretor-superintendente de exploração e produção da Chevron na Europa, Eurásia e o Oriente Médio.
Executivos das grandes empresas do setor dizem que veem a alta dos preços com muita cautela e alertam que ela pode levar a novos investimentos das firmas que exploram formações de xisto nos Estados Unidos e, com isso, a produção no país pode ampliar rapidamente de novo.
No ano passado, uma alta de preços semelhante perdeu fôlego rapidamente. Desde que os preços começaram a despencar, em meados de 2014, até março deste ano, as companhias adiaram ou cancelaram projetos orçados num total de US$ 270 bilhões, inclusive empreendimentos de alto custo no Ártico.
Além disso, a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia adiciona um novo nível de incertezas, impactando os mercados, na definição da demanda por petróleo e dos investimentos a serem definidos.
Mas o anúncio de ontem da Chevron é um "ponto de inflexão", diz Jason Gammel, analista sênior do setor petrolífero na firma de investimentos Jefferies, destacando que ele é o primeiro aporte de mais de US$ 10 bilhões neste ano. Desde o início de 2015, a Chevron e outras grandes petrolíferas reduziram seus orçamentos em até 25%, num total de mais de US$ 30 bilhões, e eliminaram mais de 30 mil postos de trabalho para enfrentar um longo período de preços baixos.
Isso as obrigou a correr o mundo atrás de oportunidades que atendam um conjunto de critérios bem específico: têm que permitir o aumento da produção nos anos que estão por vir, assim as empresas não encolhem de tamanho, e precisam ser rentáveis com o preço do barril na faixa de US$ 50.
Ainda assim, esses projetos levarão anos para entrar em operação. O primeiro barril de petróleo a ser extraído do projeto de expansão de Tengiz, por exemplo, não ocorrerá antes de 2022.
Algumas petrolíferas estão conseguindo cobrir seus custos com os preços se estabilizando em torno de US$ 50 o barril nas últimas semanas, dizem analistas. As reduções de custos que elas promoveram estão permitindo que paguem dividendos e invistam em novos projetos, diz Gammel. "Isso mostra que as empresas estão em um ponto onde podem considerar investimentos de longo prazo".

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Quais os principais desafios da indústria marítima atualmente?











Recuperação do setor exige redirecionamento do mercado e diretor-geral substituto da Antaq aponta o que deve ser feito para recuperá-lo

A atual situação econômica do país fez com que a indústria naval adotasse mais cautela em seus negócios assim como aconteceu com diversos setores. Com isso, o setor teve que buscar alternativas para superar as dificuldades impostas ao mercado, porém, para manter a competitividade e recuperar os tempos de bonança é preciso se readequar.

“Acredito que a recuperação passa pelo redirecionamento do mercado da indústria naval para o reparo, manutenção e descomissionamento, assim como pela adoção de planejamento a longo prazo, vislumbrando a continuidade e a maior competitividade do setor, inclusive internacionalmente”, afirma o diretor-geral substituto da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), Fernando Fonseca.

Para ele, o mercado pode ser recuperado em médio e longo prazo, porém, algumas medidas precisam ser adotadas para vencer o delicado cenário político e econômico do país, mas alerta: “A queda do preço do petróleo associada à forte diminuição das atividades do setor de óleo e gás, causada essencialmente pela redução de encomendas da Petrobras, ainda produzem nocivos efeitos sobre a indústria naval brasileira. Mas o principal desafio do mercado é manter a visão competitiva e promover os ajustes nos negócios. A capacidade de adaptação e a mudança de filosofia corporativa para extrair oportunidades em ambientes adversos pode determinar a sobrevivência das empresas do setor”.

O diretor da agência reguladora reforça ainda o que a agencia, por sua vez, está fazendo para auxiliar as empresas do setor a superar as dificuldades. “O modelo regulatório de governança exige da administração pública uma maior competência técnica e celeridade dos processos e das respostas às demandas do mercado. A confiança do setor passa necessariamente pela desburocratização da gestão e pela simplificação da regulamentação pela Antaq”. De acordo com ele, nos últimos anos a agência vem realizando esforços para fortalecer seu quadro funcional, atuando de forma independente e transparente para manter o equilíbrio regulatório “que, ao mesmo tempo, proveja, com clareza e segurança jurídica, as regras do jogo e fomente o desenvolvimento da indústria”.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Luz no fim do túnel

Apesar da crise, a movimentação portuária continua crescendo e o ambiente de investimentos anda bastante agitado. Será hora de botarmos uma pitada de otimismo nas perspectivas?


Assim como a venda de papelão ondulado serve como um importante indicador do nível da atividade econômica em vários países, pode-se dizer que o "nível de agitação" dos fundos de investimentos é um importante indicador das perspectivas de investimentos em um país.

(...)
Ao que parece, muitos já estão em aquecimento na "beirada do campo" aguardando o sinal do juiz da partida – nesse caso, o Governo – para entrar em campo. Entre as principais expectativas estariam:

• Confirmação pelo Senado Federal do impeachment da Presidente Dilma. Sem qualquer tipo de juízo de valor, acredita-se que, na condição de interino, falta força ao atual Governo para levar adiante algumas questões importantes e/ou que um eventual retorno da Presidente afastada seria muito difícil sob o ponto de vista das condições de governabilidade;
• Confirmação das intenções do Governo Temer em priorizar e "destravar" investimentos em infraestrutura como uma das principais medidas para a retomada do crescimento do país;
• Revisão das regras de concessão visando tornar os investimentos mais seguros, transparentes e atrativos para os investidores como, por exemplo o teto de retorno sobre o investimento;
• Mais agilidade nos processos de licenciamento das obras por parte das autoridades competentes, entre elas o Ibama, a Antaq, a Antt, etc.

Apesar da crise, a movimentação portuária em Santos continua crescendo, tendo alguns terminais batido recordes sucessivamente. Em outras palavras, não fosse a crise, os volumes seriam ainda maiores e, provavelmente, estaríamos passando pelo mesmo caos vivido anos atrás em função da falta de investimentos em nossos principais gargalos logísticos: falta de acessos terrestres e marítimos aos portos.
É bem verdade que boa parte desses recordes de movimentação portuária têm sido motivados pelo crescimento das exportações, notadamente grãos, e que a valorização do Real nas últimas semanas tem preocupado muitas empresas exportadoras. Se, por um lado, o dólar mais barato ajuda a conter a inflação e viabiliza muitos planos de viagens ao exterior, por outro lado, prejudica as exportações e afeta as contas externas.

No acumulado do primeiro semestre de 2016, o Brasil foi o país no qual a moeda local mais se valorizou frente ao dólar (19,6%) e fez, inclusive, com que o novo presidente do Banco Central, Ilan Gooldjan, recuasse em sua posição quanto ao câmbio flutuante e intervenções no mercado de câmbio.

Sinceramente espero que os "sinais fracos" – termo utilizado em Inteligência de Mercado para sugerir situações que podem ou não se concretizar no futuro –, emitidos tanto pelo novo governo quanto pelos fundos de investimentos, se configurem, de fato, em uma luz no fim do túnel, já que não gosto nem de pensar na possibilidade de que essa luz, na verdade, possa ser uma locomotiva vindo no sentido contrário.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Temer diz que meta é “colocar o Brasil nos trilhos”

O presidente interino Michel Temer disse que não teme propor medidas impopulares, se forem para melhorar o país. “O meu objetivo não é eleitoral. Se eu ficar mais dois anos e meio e conseguir colocar o Brasil nos trilhos, para mim basta. Não quero mais nada da vida pública”, declarou.Michel Temer defendeu o aumento salarial do funcionalismo público ao discursar hoje em São Paulo. Foto: Beto Barata/PR

*Agência Brasil
Temer participou nesta segunda-feira da Global Agrobusiness Fórum, na capital paulista. Ao discursar, ele disse que, em pouco tempo de governo, já conseguiu estabelecer uma conexão entre o Executivo e o Legislativo. “Num estado democrático, você depende do apoio do Congresso Nacional. Num estado autoritário, você o ignora”, disse.

Ele citou exemplos como desvinculação das receitas orçamentárias, a modificação da meta fiscal, a proposta limitadora de gastos (que terá também os estados incluídos) e a renegociação das dívidas dos governos estaduais.

Michel Temer defendeu, ainda, o aumento salarial do funcionalismo, que, segundo ele, foi prefixado, abaixo da inflação. “Se não fizéssemos aquele acordo em níveis abaixo da inflação, corríamos o risco de ter greve nos setores essenciais, uma coisa politicamente muito desastrosa para o país”, disse. Temer garantiu que o governo está empenhado na contenção de gastos.