sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Lucro de fundo de renda fixa cai, mas taxa de administração fica mais cara

A queda da taxa básica de juros, que de 2015 para cá despencou de 14,25% para 7,50% ao ano, corroeu o retorno de boa parte dos fundos de investimento em renda fixa, como já era de se esperar. Essa desvantagem não foi, porém, suficiente para reduzir as taxas de administração cobradas pelas instituições financeiras por essas aplicações.

Segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo com base no banco de dados da Anbima, associação que representa o mercado de capitais, o efeito foi contrário ao esperado: houve uma alta nas taxas dos fundos que mais perderam rentabilidade.

No confronto de janeiro de 2016 com setembro deste ano, a taxa média de retorno de um fundo de renda fixa simples caiu de 12,5% para 7,06% ao ano. Já a taxa de administração cobrada pela empresa que faz a gestão do investimento subiu de 0,71% para 0,83% no período.

Os fundos de renda fixa simples são os que têm, no mínimo, 95% de seu patrimônio líquido em títulos da dívida pública federal, títulos de renda fixa ou operações compromissadas lastreadas em títulos do tesouro.

O mesmo descompasso entre taxas e retorno financeiro foi observado nos fundos de renda fixa indexados, que acompanham a variação de indicadores de referência do mercado de renda fixa.

Para o presidente da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Ancord), Caio Vilares, esse descompasso entre a rentabilidade e o preço cobrado pelas instituições pelos fundos é reflexo da falta de conhecimento do investidor brasileiro sobre a dinâmica do setor.

"Enquanto existir investidor que tope pagar caro por um produto com pouco valor agregado, o mercado continuará cobrando alto", diz ele. "Na verdade, investir em um fundo de administração passiva em renda fixa não é diferente de ir no site do Tesouro Direto e fazer a aplicação sem essa taxa de administração", destaca.

Já o sócio da Vokin Investimentos, Guilherme Macêdo, destaca que, na maioria dos países, as taxas de administração tendem a acompanhar os juros. Logo, como o Brasil tem, historicamente, juros altos, as taxas de administração são consequentemente mais elevadas e podem demorar mais a baixar. "A questão é: como a indústria de fundos fica com essa taxa de juros em torno de 7%?", questiona.

Com a disputa com outros produtos, como fundos de renda variável, aumentando, os gestores de renda fixa, mesmo os que não têm trabalho constante de administração da carteira de ativos, terão de se movimentar para entregar mais resultado ou poderão sofrer com a fuga de investidores. Nem a inflação menor, que aumenta a sobra no bolso do investidor, deve garantir a atratividade.

A possível restrição do porcentual de taxas de administração é citada por Guilherme Macêdo como outra mudança que pode elevar a competição entre os fundos. Se aprovado, o Projeto de Lei 3648/15 vai limitar a 1% a taxa de administração cobrada pelos fundos de investimentos.

"A tendência é que o custo por performance aumente, com os fundos cobrando menos de taxa de administração, mas aplicando um porcentual sobre a rentabilidade que eles entregarem. Com isso, os gestores vão buscar melhores resultados", afirmou.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Presidente do BC da China diz que há vários riscos ao sistema financeiro do país

A China enfrenta uma série de riscos ao seu sistema financeiro e precisa aprofundar mudanças e se abrir, na avaliação do presidente do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês), Zhou Xiaochuan. Em artigo publicado no fim de semana no site da instituição, Zhou listou problemas que precisam ser enfrentados, entre eles os altos níveis de endividamento, atividades de empréstimo informal arriscadas e agentes financeiros que realizam conchavos com autoridades.

"No geral, o sistema financeiro do nosso país é bom", afirmou a autoridade. Por outro lado, ele está em um período propenso a riscos, o que gera ameaças que podem estar ocultas, são complexas e podem causar contágios, escreveu. Zhou pediu uma regulação financeira mais centralizada e unificada e para que os mercados sirvam à economia real.

A relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) da China atingiu 247% no fim de 2016 e a alavancagem do setor corporativo é desproporcionalmente alta, em 165%. Zhou, que deve se aposentar em breve, tem falado sobre os riscos pela frente ao país. Ele já pediu, por exemplo, maior transparência nas finanças públicas da China, em seminário no mês passado. 

Fonte: Dow Jones Newswires.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Novas regras trazem insegurança jurídica e não aumentam empregos, diz presidente do TRT-RS

Em entrevista à Rádio Gaúcha, desembargadora Beatriz Renck afirma que nova legislação trabalhista é contraditória e mal elaborada


A presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS), Beatriz Renck, defende que a reforma trabalhista, que entra em vigor no dia 11 de novembro, trará insegurança jurídica para empregadores e empregados e não contribuirá para a geração de empregos. Em entrevista à Rádio Gaúcha, ela discordou do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, que afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que é necessário reduzir direitos para garantir empregos

Para o presidente do TST, a reforma trabalhista quebrou a rigidez da legislação e deram segurança jurídica para ambas as partes. Ele defendeu que as regras anteriores contribuíram para a crise econômica

— A reforma deu segurança jurídica. Em época de crise, se não estiverem claras as regras, o investidor não investe no Brasil (...) Um pouco da crise veio exatamente do crescimento de encargos trabalhistas. Para você ter uma reforma que o governo manda dez artigos e sai do Congresso com cem alterados, é porque havia demanda reprimida (...) Nunca vou conseguir combater desemprego só aumentando direito — declarou. 

No entanto, a presidente do TRT-RS entende que as mudanças não serão benéficas para nenhuma das partes e que os juízes do trabalho terão dificuldades para aplicar a nova lei. Beatriz critica a formulação da lei, que levou "dois ou três meses para ser criada" enquanto a CLT "foi criada por um grupo de juristas notáveis". 

— É uma lei contraditória com ela mesma, com a Constituição Federal e com os princípios do direito do trabalho. Eu não acredito que vá dar segurança jurídica. Fala-se muita em litigância de má-fé, que é a alteração de fatos. Mas isso é uma minoria nos casos. O que pode ocorrer, inclusive com ambas as partes, é demandar e não conseguir provar. O empregador pode alegar justa causa e não conseguir provar, porque envolve testemunhas, por exemplo. E emprego se cria com aquecimento da economia e com a demanda. Como juízes do trabalho, temos a obrigação de defender o trabalho digno, e não o precário — critica Beatriz.

A presidente do TRT-RS também discordou do ministro Martins Filho, para quem a indenização de danos morais deve ser calculada com base no salário do empregado. 

— Com todo o respeito ao ministro, discordo frontalmente da opinião dele. Não consigo entender que um cidadão vale menos ou mais com base no salário que ele recebe. Se ele perde um braço, fica surdo ou incapacitado para o resto da vida, ele vai valer o valor do salário dele? Seremos menos cidadãos com base no nosso salário? Há uma violação clara do direito de não discriminação e da isonomia — avalia Beatriz. 

A desembargadora ainda cita a alteração das regras referentes ao trabalho de grávidas e mães lactantes em ambientes insalubres. Agora, para ser dispensada do trabalho em atividades e ambientes que ofereçam risco, a mulher grávida ou lactante terá que apresentar um atestado médico que comprove que aquela função ou lugar oferecem risco à gestação ou à saúde do bebê.

— Pela disposição anterior, precisava ter atestado comprovando que a mulher poderia trabalhar. Agora, inverteu-se, e só não trabalha se houver agentes insalubres em grau máximo. O medo é: quem fará o atestado? O médico da empresa? O médico dela? A pessoa pode se submeter (à pressão do empregador) por medo de não perder emprego. E mais tarde pode descobrir que houve dano ao feto. (...) A lei agora permite muitos acordos individuais entre empregado e empregador. Mas quem precisa do trabalho para sobreviver não está em condições de negociar livremente — critica Beatriz.

Fonte: Zero Hora

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Celulose Riograndense retoma produção após três meses

Alvo do maior investimento privado recente no Estado, planta nova havia parado por defeito em caldeira


Depois de uma parada de quase três meses, a Celulose Riograndense retomou as operações no último final de semana. A unidade de Guaíba preparou a volta ao trabalho e programou para a tarde desta segunda-feira (6) o reinício da produção efetiva de celulose. É uma antecipação de cinco dias em relação à previsão de retomar a atividade até 11 de novembro.

Com evidente alívio, Walter Lídio Nunes, presidente da empresa, afirma que a estimativa é atingir a capacidade total da unidade em duas ou três semanas. No retorno da atividade, é possível encurtar o prazo entre o início da produção e a plenitude, diferentemente da primeira partida desse tipo de planta, que exige mais tempo. 

Durante a parada, afirma Nunes, a empresa buscou reduzir o impacto nos profissionais, tanto os cerca de mil diretos quanto nos cerca de 3,7 mil indiretos. Houve intensificação de treinamentos de segurança e reciclagem técnica, especialmente entre os funcionários próprios, e remanejamento de operações florestais, comerciais e portuárias.

– Procuramos fazer do limão uma limonada e, especialmente, fizemos um esforço para reduzir o impacto e os desdobramentos sobre as pessoas – diz Nunes.

Não houve corte de pessoal durante a longa parada que, conforme cálculos da empresa, gerou quebra na produção de 400 mil toneladas de celulose. Entre falta de produto para venda e os reparos na caldeira, a perda é estimada em US$ 200 milhões. Esse prejuízo deve ser coberto por apólise de seguro em vigor na data do incidente. Segundo Nunes, a forma de compensação ainda está em negociação. A opção da empresa foi por reformar completamente a máquina que apresentou problemas. 

O defeito ocorreu em uma caldeira da planta 2 da Celulose Riograndense, que havia sido ampliada em mais de três vezes no maior investimento privado recente no Estado, que passou de R$ 5 bilhões. A capacidade foi elevada de 450 mil toneladas para 2 milhões de toneladas ao ano. A companhia também havia equipado o porto de Pelotas para permitir transporte fluvial de madeira e celulose.

Fonte: Zero Hora

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Dólar é negociado em baixa, mas ainda próximo da casa de R$ 3,30

O ajuste positivo nas moedas emergentes se estende ao real no início dos negócios. No Brasil, o dólar opera em viés de baixa, ainda próximo de R$ 3,30, após salto de mais 1% na sexta-feira passada. A agenda menos carregada no exterior abre espaço para a correção na disparada da moeda americana, que afetou principalmente os emergentes.

Apesar da correção desta manhã, não se destaca o risco de um nova pressão de alta do dólar. Isso porque os investidores seguem atentos aos sinais de crescimento mais robusto nos Estados Unidos e a possibilidade de um ritmo mais duro de elevação de juros no país.

A indicação de Jerome Powell para a presidência do Federal Reserve (Fed, banco central americano) é lida como continuidade à atual política de gradualismo no banco, mas não evita que os dirigentes sigam com o plano de mais um aperto em 2017 e três altas de juros no ano que vem. 

Às 9h35, o dólar comercial caía 0,31%, cotado a R$ 3,2961. Já o contrato futuro para dezembro cedia 0,63%, a R$ 3,3060.

A queda do dólar e os ajustes no exterior também eram denotados nos juros futuros. As taxas voltam a recuar nesta segunda-feira, principalmente em trechos intermediários e longos. O DI janeiro/2019 era negociado a 7,290% (7,300% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 recuava a 8,490% (8,540% no ajuste anterior). Já o DI janeiro/2021 caía a 9,350% (9,410% no ajuste anterior).

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Estado mínimo neles!, por Raul Monteiro

Há pelo menos um ponto muito positivo neste conturbado momento político e moral porque o país passa: o início, em vários setores, e o crescimento, em outros, de uma discussão sobre o tamanho do Estado brasileiro, um debate interditado há anos no Brasil por uma mentalidade esquerdista e estatista arcaica cuja inadequação ao desenvolvimento e evolução do país tem sido cabalmente demonstrada pelo nível de corrupção em que políticos e empresários, utilizando-se de uma máquina inchada por órgãos públicos ineficientes, se envolveram, à custa do suado dinheiro do trabalhador brasileiro.

É graças à mais completa falta de perspectiva de saída da crise sem uma reformulação completa do conceito de Estado a que o país se acostumou que é possível se colocar hoje na mesa um debate, ainda que tímido, sobre a venda de estatais como os bancos do Brasil e Caixa e de um patrimônio exclusivo de políticos e empresários desonestos como se tornou a Petrobras, antes verdadeiros tabus para a sociedade brasileira. Como disse recentemente o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, de saída do PSDB para o partido NOVO, a privatização no Brasil não é uma questão de “liberalismo”.

Pelo contrário, pontuou Franco, ao anunciar a decisão de ingressar numa nova legenda, pelo visto mais antenada com a busca de saídas efetivas para o buraco em que o país submergiu pelo patrimonialismo, o corporativismo e a corrupção históricos, privatizar no Brasil é uma questão de Código Penal. É uma bem bolada frase que sintetiza o que décadas de estatismo, acentuados pela Era petista tão bem representada no segundo governo de Lula e nos anos de mandatos de Dilma Rousseff, produziram nas instituições brasileiras, no fortalecimento do espírito empresarial predatório e estatal-dependente e em todos os Poderes da República.

Não deixa de ser surpreendente assistir na televisão, em horário nobre, à propaganda política de uma nova agremiação, como o Livres, absolutamente centrada na defesa da redução do Estado e do incentivo à economia de mercado no país. Sem dúvida, um fato inédito para o Brasil, onde o máximo a que se chegou até hoje em termos de discussões sobre rumos a serem implementados na economia foi a uma agenda retrógrada, para não dizer absolutamente superada, capitaneada pela falsa dicotomia entre os social-democratas do PSDB e os ex-operários do PT.

Pode até ser realmente que a construção de um Estado mínimo prove, em poucos anos, não ser o melhor caminho para o Brasil, mas é difícil imaginar uma alternativa melhor para um país onde as lideranças políticas, invocando o direito à prática mais deslavada do presidencialismo de coalizão ou de cooptação, habituaram-se a dispor dos órgãos do Estado para toda a sorte de negociatas e maracutaias, como as investigações sobre o mensalão, o petrolão e tantas outras estão a provar, cabalmente. Num país tão marcadamente patrimonialista como o Brasil, o povo, pobre, só tem a continuar perdendo com um estado nacional hipertrofiado.

* Artigo publicado originalmente no jornal Tribuna da Bahia

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Lava Jato ataca STF por decisão sobre afastamento de parlamentar: decisão “frágil e tímida”

Dois dos principais procuradores da República que integram a Operação Lava Jato no Paraná, Carlos Fernando dos Santos Lima e Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa, criticaram nas redes sociais a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de dar ao Congresso a última palavra no afastamento de parlamentares determinado pela própria Corte.


A decisão vai influenciar diretamente a situação do senador Aécio Neves (PSDB-MG), afastado de seu mandato pela maioria da Primeira Turma do STF no começo de setembro a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O tucano é acusado de corrução passiva, obstrução da Justiça e também de ter pedido e recebido R$ 2 milhões em propina da JBS, além de ter atuado no Senado e com o Executivo para embaraçar as investigações da Lava Jato.

O entendimento do STF acontece um ano e cinco meses depois de o próprio tribunal ter determinado, de maneira unânime, o afastamento do então deputado federal e presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Infelizmente, ontem, o STF deixou de lado o processo histórico de consolidação da interpretação da Constituição Federal pelo Poder Judiciário para se curvar às ameaças dos políticos”, escreveu o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima em seu perfil do Facebook.

O procurador fez referência à pressão exercida pelo Senado depois que o STF decidiu afastar o senador Aécio Neves (PSDB-MG), em setembro. “Infelizmente, não foi uma resposta altiva, mas frágil e tímida, gaguejante até, por uma falsa contemporização. Há momentos em que devemos buscar a harmonia, mas há aqueles em que só resta a coragem de fazer o certo”, afirmou.

A decisão do STF de dar ao Legislativo a palavra final sobre a suspensão dos mandatos de parlamentares teve votação apertada – 6 votos a favor e 5 contra. O voto de minerva foi dado pela presidente da Suprema Corte, ministra Cármen Lúcia.

Fonte: Ciberia